Quando se deve ou não oferecer conteúdo interativo

por Elisa Tinsley
Mar 13, 2015 em Jornalismo digital

Ninguém deu contar de ir em todas as mais de 200 sessões da NICAR 2015, em Atlanta, na semana passada --só mesmo com um vira-tempo de Hermione Granger. Mas se você de alguma forma conseguiu assistir a tudo, aprendeu uma nova dica, app ou grande ideia de quase cada sessão.

A conferência ofereceu algo para todo mundo que usa dados e tecnologia para o jornalismo investigativo, como se poderia esperar de um evento organizado pelo Investigative Reporters & Editors (IRE). Houve sessões de tecnologia, aplicativos e de como lidar com dados, além de discussões sobre o perigo de cair nos assustadores buracos negros criados por grandes dados.

Um painel sobre interatividade, moderado por Robert Hernandez da Escola Annenberg de Comunicação e Jornalismo, examinou quando oferecer conteúdo interativo. Entre os painelistas estavam Melissa Bell da Vox, Trina Chiasson da Infoactive e Mariana Santos da Fusion, que é JSK Knight Fellow na Universidade Stanford e foi bolsista do Knight Fellowship do ICFJ.

  • "Você tem que ser esperto sobre quando dizer não", disse Melissa, dando o pontapé inicial sobre um tema que permeou a discussão. Especificamente, ela advertiu que as redações devem resistir à tentação de criar muitas interativos, o que pode empurrar um projeto fora do trilho e fora da programação. Como redações podem fazer escolhas inteligentes? Certifique-se de que todos, especialmente editores, estejam envolvidos no início das decisões de conteúdo grandes, disse ela.
  • Nem todos os gráficos são ou podem ser interativos, Trina observou. Quando se trabalha com dados simples, sugeriu ela, pergunte a si mesmo se é apropriado que o usuário visualize os dados ao passar o mouse por cima ou se é melhor simplesmente adicionar os números diretamente no gráfico. Os interativos funcionam melhor quando dão aos usuários várias opções para a visualização de dados, disse ela.
  • Mariana disse a Fusion está usando gaming como uma maneira de atrair a geração do milênio às notícias. Por exemplo, alguns interativos da Fusion permitem que os usuários escolham seus próprios caminhos em uma matéria. Dependendo das decisões do usuário, a experiência e os resultados serão diferentes. Outra abordagem permitiu aos usuários sentir a experência de "andar nos sapatos" do personagem principal da matéria.

Falando da plateia, Brian Boyer, editor visual da NPR, ofereceu a sua própria dica: "Não despeje tudo em um interativo", disse ele. Brian recomendou trabalhar em um bom aplicativo que pode ser usado em mais de uma história. Dessa forma, você começa a saber o que funciona e depois aproveita isso de projeto para projeto. "Isto é como construir um conjunto de obra que, cumulativamente, fica melhor", disse ele.

Melissa concordou, dizendo que medidas únicas não são a resposta ao criar interativos. Em vez disso, é melhor construir algo que atraia o público para retornar a um site ou uma matéria para ir mais a fundo ou ver dados atualizados.

Para mais dicas do NICAR15, clique aqui (em inglês).

Imagem principal sob licença CC no Flickr do Idaho National Laboratory