Projetando um currículo de jornalismo para a geração do milênio

porMargaret Looney
Jul 11, 2014 em Jornalismo básico

Enquanto professores de jornalismo que desejam atualizar seus cursos enfrentam processos lentos de aprovação nas universidades, o campo está evoluindo rapidamente, o que levou muitos a se perguntarem como a faculdade de jornalismo deve ser nos dias de hoje.

Corinne Chin, pós-graduada pela Escola Medill de Jornalismo da Universidade Northwestern e Tim Devaney, pós-graduado pela Universidade Cornerstone, reuniram cinco professores de jornalismo que participam do programa "Back in the Newsroom" do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês) para discutir as falhas na sua educação de jornalismo.

Como parte da bolsa, os professores estão se afastando de seus cargos em faculdades com grandes populações de grupos de minorias para passar o verão em redações como o Los Angeles Times, CNBC, USA Today, Wall Street Journal e Washington Post.

Os professores vão levar para suas salas de aula as habilidades que seus alunos precisam para sobreviver na era digital. Eles também vão construir uma ponte entre estas organizações de notícias e faculdades que podem servir como uma fonte de estagiários e potenciais contratados para uma redação mais diversificada.

Chin e Devaney ofereceram algumas sugestões para criar um currículo de jornalismo para a próxima geração:

  • Trabalho Freelance

"Sempre que eu penso sobre o desejo de fazer freelance, não sei por onde começar", disse Devaney, agora repórter de política para a publicação The Hill.

Chin, atual estagiária de mídia no Crisis Group International, fez um curso de freelancer de cinco semanas com estudantes de rádio/TV e imprensa, que contou com uma apresentação de um freelancer durante cada classe. Ela aprendeu sobre o processo de propor uma pauta, mas queria saber mais sobre os processos do dia-a-dia de um freelancer. Foi uma aula eletiva, mas ela disse que acha que deveria ser obrigatória.

"Eu incentivo meus alunos a começar a fazer freelance agora", disse Yolanda McCutchen, professora assistente na Howard University e bolsista do programa "Back in the Newsroom". "Há uma mentalidade de 'eu vou ser jornalista quando eu me formar', mas comece agora para que você seja um jornalista quando se formar."

  • Networking

Dependendo da localização de uma escola de jornalismo, as oportunidades para formar redes com profissionais em seu campo podem variar. E como se diz, o importante é quem você conhece.

Chin e Devaney disseram que não sabiam muito sobre networking na faculdade e teriam apreciado mais oportunidades para fazer contatos. Mesmo um empurrãozinho apenas de um mentor na direção certa pode ajudar, como saber marcar entrevistas informativas antes de enviar um pedido de emprego.

Muitos dos bolsistas disseram que as universidades estão trabalhando duro com networking, aproveitando suas respectivas redes de ex-alunos.

  • Habilidades técnicas

Muitos professores dão muito crédito à idade de seus alunos, disse Chin. Reportar com um smartphone ou usar uma câmera não vem naturalmente para todos os alunos. "Eu conheço um monte de professores que acha que 'estes jovens sabem como fazer isso, eles nasceram com computadores'. Isso não é verdade e não é especialmente verdadeiro na pós-graduação."

Devaney disse que agora usa seu smartphone no trabalho para escrever artigos rápidos para a Web e que teria sido útil ter um curso focado em reportagem com plataformas móveis.

Mas não se trata apenas das mais recentes ferramentas. Hatch disse que todos os alunos devem ter conhecimento técnico básico. "Eu não estou dizendo que eles têm que ser programadores ou ter especialidade em ciência da computação. Eles devem saber como usar suas ferramentas de trabalho. E se você precisa saber como usar uma coisa específica, saiba como usar o Excel, porque há uma boa chance de que você vai usá-lo muito."

  • Escrevendo para a Web

Devaney disse uma aula com foco na escrita apenas para a Web teria sido útil. Em seu trabalho atual como repórter de política para The Hill, ele está escrevendo três a quatro matérias por dia, enquanto que na faculdade ele geralmente só tinha que fazer uma matéria por semana para determinados cursos. Ele sugeriu um curso que coincidisse com os prazos diários esperados de você em muitas redações online.

"Acho que ter algum tipo de requisito para um blog onde você tem que atualizá-lo todos os dias da semana, ou talvez até mesmo apenas duas vezes por semana, mas tenha que escrever dois ou três artigos nesses dias seria útil."

  • Empreendedorismo

Chin disse que ela teve apenas um curso na faculdade onde tinha que pensar sobre o lado comercial do mundo do jornalismo.

"Na faculdade, nós sempre pensamos sobre o que será melhor para o público quando decidirmos como contar uma história, mas o que acontece com a publicidade?", disse ela. "Nós realmente não pensamos sobre o que vai ajudar a publicação a chegar ao próximo nível. Nós apenas pensamos sobre o que é melhor para o leitor."

  • Jornalismo faça-você-mesmo

Chin disse que queria ter podido adaptar seu diploma mais em linha com seus objetivos de carreira. "Eu queria fazer Op-Docs do New York Times. Eu queria fazer vídeo nativo para a Web, e eu não fiz uma única aula até a parte final que deixasse-me fazer o que eu queria fazer", disse ela.

"Identificar o que você quer fazer e trabalhar para isso é realmente importante e muitos programas de pós-graduação não são longos o suficiente para fazer isso, e é por isso que muitos de nós estamos sem emprego por muitos meses após a graduação."

Leitura relacionada: O que redações querem que estudantes aprendam na faculdade de jornalismo

Margaret Looney, assistente editorial da IJNet, escreve sobre as últimas tendências de mídia, ferramentas de reportagem e recursos de jornalismo.

Imagem sob licença CC no Flickr via CollegeDegrees360.