Por que algumas plataformas promissoras para freelancers fracassam

por Julie Schwietert Collazo
Oct 19, 2015 em Freelance

Spot.us. Contributoria. Uncoverage. Emphas.is.

Alguns desses nomes podem ser conhecidos, mas você provavelmente nunca ouviu falar da maioria deles. Não se sinta mal: plataformas de financiamento e publicação de jornalismo vêm e vão rapidamente, e estamos num momento que é estranhamente reminiscente ao fracasso geral dos ponto.com da década de noventa.

Sites e aplicativos são lançados com aclamação, afirmando seu compromisso de revolucionar o jornalismo. Sua cobertura é elogiada no TechCrunch, MediaShift, WIRED e New York Times, e conseguem garantir uma ou duas rodadas de financiamento de investimento ou uma subvenção de prestígio, apenas para desistirem pouco depois.

Jornalistas, por sua vez, são abandonados, depois de ter investido tempo construindo mais um perfil, importando links e PDFs em mais um portfólio.

Eles trouxeram sua rede com eles, convencendo amigos, familiares e colegas a apoiar seu trabalho nesses novos sites promissores. Até mesmo os jornalistas que apoiam a inovação digital no jornalismo veem seu entusiasmo diminuir com sites fechando e abrindo.

Não é apenas seu tempo ou fluxo de renda que jornalistas lamentam quando estas plataformas fracassam. Lauren Razavi, uma jornalista freelance para o Guardian, New Statesman e VICE que usou Contributoria para angariar fundos e publicar sete matérias, disse que o desaparecimento desse site no início do verão (no hemisfério norte) também teve consequências menos tangíveis.

"O maior impacto que a Contributoria teve sobre mim foi em termos de experimentação e comunidade", disse ela. "Histórias pouco cobertas encontraram uma audiência através da plataforma, e foi possível para redatores iniciantes receberem feedback e terem seu trabalho editado por jornalistas profissionais. Eu acho que esse elemento colaborativo combinado com [o fato de] não sermos restringidos por uma agenda de notícia foi realmente interessante."

Lauren observou, contudo, que esta abordagem democrática para financiamento e publicação também teve um lado negativo que pode ter contribuído para seu fechamento.

"Um dos maiores problemas da Contributoria foi a infiltração de não-escritores/jornalistas (e também falantes não-nativos de inglês em muitos casos) tentando fazer dinheiro -- isso significava que algumas das propostas e às vezes até mesmo as histórias que apareceram no site eram de uma qualidade muito baixa", ela ressaltou.

Com uma abundância de fontes, onde um leitor pode acessar de forma responsável histórias bem reportadas e escritas, por que investir tempo lendo outras menos interessantes na Contributoria?

Esta questão aponta para a parte da equação que falta quando se trata de conceber uma nova plataforma orientada para o jornalismo com poder de permanência, disse Kevin Davis, ex-editor e chefe da INN (Investigative News Network) e agora diretor de consultoria para KLJD Consulting.

O problema de sites como Contributoria, Spot.us, Uncoverage, Emphas.is e outros, Kevin disse, "é que todos tentaram ajudar os editores a monetizar a partir da perspectiva dos editores, não do público. Em outras palavras, o problema que eles estavam tentando consertar foi articulado por e para jornalistas e não foi focado nas comunidades e pessoas atendidas pelo jornalismo". Kevin está falando dos leitores.

Na opinião de Kevin, o leitor médio não está interessado em ajudar a revolucionar o jornalismo, muito menos salvá-lo. Os leitores querem o que os consumidores do jornalismo sempre quiseram: ser informados e entretidos.

"Nenhuma dessas plataformas ajudou os consumidores de forma alguma", afirmou Kevin. Na verdade, ele argumentou, "eles não conseguiram articular e tornar-se uma solução para o problema ao nível do consumidor". Isso é muito ruim, Kevin acrescentou, porque "os consumidores são, em última análise, a maior fonte potencial de financiamento."

É por isso que Kevin está interessado em ver se um site como o Beacon, que inclui o leitor na equação, é capaz de sobreviver a longo prazo.

Kevin disse que existem sites evitando estes problemas, mas, curiosamente, nenhum deles se vende como site de jornalismo. Como exemplos, ele apontou para WordPress e MailChimp, ambos ajudam os editores a "atingir e envolver o público, ao invés de monetizá-los."

Em última análise, no entanto, uma plataforma precisa de um plano de monetização se espera sobreviver além da fase de startup. Com o lançamento de uma infinidade de novos sites, incluindo Pressland e o tão esperado PitchLab/WordRates entre eles, os inovadores do jornalismo finalmente vão desenvolver produtos que reúnem todas as partes de uma maneira que funcione?

Imagem sob licença CC no Flickr via Johan Larsson