Perguntas que jornalistas devem se perguntar antes de fazer vídeos 360°

porAuguste Yung
Dec 01 em Jornalismo multimídia

O desenvolvimento de ferramentas narrativas como realidade virtual e vídeo 360° permitiu aos jornalistas imergirem seu público em eventos e assuntos em um nível sem precedentes.

Enquanto os meios de comunicação continuam a experimentar com o vídeo 360°, este está rapidamente se tornando onipresente nos sites de muitas organizações de notícias: o New York Times começou recentemente o Daily 360; o Wall Street Journal experimentou com realidade virtual e vídeo 360​° vídeo no ano passado e muitos outros integraram esta tecnologia em suas reportagens.

No entanto, por mais imersiva que possa ser a experiência, é importante que os jornalistas compreendam que o vídeo 360° é uma ferramenta melhor usada para projetos específicos, explicaram o bolsista Knight do ICFJ Shaheryar Popalzai e a editora Shayan Naveed do Express Tribune Labs durante um recente webinário do Dow Jones. Enquanto melhora algumas matérias, pode servir como uma distração em outras. Embora não seja excessivamente complicado, filmar vídeos de 360​​° requer equipamentos especiais e leva mais tempo do que vídeos e fotos tradicionais. É importante que os jornalistas não invistam tempo extra em usar vídeo 360° simplesmente para o benefício de mostrar uma nova tecnologia, apesar de excitante.

Durante o webinário, Popalzai e Naveed discutiram a importância de escolher os projetos certos para o vídeo 360°. A dupla destacou duas questões-chave que os jornalistas devem considerar antes de incorporar esta tecnologia em suas matérias: (1) O lugar está sendo filmado onde a maioria das pessoas não costuma ir? (2) A história é melhor contada com vídeo 360° ou um vídeo convencional ou foto seria suficiente?

"Você tem que entender que a novidade fica desgastada rapidamente para os leitores", Popalzai disse. "Não importa se você vai usar um equipamento realmente caro ou um realmente barato. É o seu conteúdo que importa no final do dia. Então, realmente tenha certeza do que está tentando mostrar aos seus leitores antes de entrar."

O assunto é um lugar ou evento geralmente inacessível?

Naveed e Popalzai consideram a acessibilidade de um assunto ao público em geral antes de decidir usar o vídeo 360°. Eles explicaram que uma das características mais cativantes da ferramenta é sua capacidade de transportar audiências para áreas isoladas.

"360 é perfeito para um lugar que é meio fora de alcance para seus leitores ou público", disse Naveed. Falando sobre o processo de tomada de decisão ao escolher documentar o Machar Colony -- a maior favela de Karachi, no Paquistão -- com o vídeo 360°, ela apontou para o isolamento da área do resto da cidade como um fator importante.

"A menos que você seja um residente de Machar, provavelmente não vai para lá", disse ela. "Então, decidimos levar nossas câmeras lá e fazer nossos leitores experimentá-lo como um todo. Nós achamos que o 360 foi perfeito porque, como eu disse, é um lugar onde poucas pessoas vão e também porque nos permitiu contar uma história que vai além de um vídeo e imagens regulares.

A matéria é melhor contada com vídeo 360°, ou um vídeo convencional ou foto seria suficiente?

Além da acessibilidade de um assunto, a dupla também comentou sobre a importância de usar o vídeo 360° apenas quando conta uma história ou interage com o espectador de uma maneira que vídeos convencionais ou fotos não poderiam. Eventos com um ponto focal único raramente são aprimorados por vídeos de 360​​°.

"Também deve ser um lugar onde toda a imagem é essencial para a história", disse Naveed. "Por exemplo, se é qualquer notícia ou conferência de imprensa, se é um debate, se é uma partida ou um concerto onde há apenas uma visão de frente, não adianta ter uma matéria 360° para isso."

Estas duas considerações têm informado todos os projetos 360° que Popalzai e o time do Express Tribune Labs trabalharam juntos. Eles documentaram o Frere Hall -- um site de herança colonial em Karachi -- com vídeo 360° para dar ao público uma visão completa de como dilapidado os pontos de referência do site se tornaram devido à falta de cuidados. Também usaram a ferramenta para documentar o santuário de Manghopir, um santuário de crocodilos localizado fora de Karachi. Como a matéria sobre a favela Machar, o uso de vídeo 360° nestes projetos permitiu que o público interagisse com o assunto de uma maneira que teria sido impossível com ferramentas convencionais.

Assista ao webinário inteiro abaixo:

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Justin Kern. Imagem secundária sob cortesia de Shaheryar Popalzai.