Para jornalistas investigativos, 'os agentes do conflito e a hostilidade mudam, mas os desafios permanecem'

porLyndsey Wajert
Nov 7, 2013 em Diversos

Umar Cheema, correspondente especial para o jornal de língua inglesa The News no Paquistão, foi sequestrado e torturado em 2010 por escrever artigos críticos ao governo nacional, mas isso não conseguiu silenciá-lo. Depois de denunciar a brutalidade que enfrentou, ele continuou seu trabalho como jornalista investigativo.

Roman Anin, repórter investigativo do jornal Novaya Gazeta na Rússia, continua a expor a corrupção dentro de seu país, apesar de quatro de seus colegas terem sido assassinados na última década.

Ambos os jornalistas dizem que a violência e as ameaças simplesmente ressaltam o papel crítico do jornalismo investigativo em expor a verdade e servir o público. "É importante cumprir este dever básico do jornalista, porque, obviamente, é importante não só dizer às pessoas o que está acontecendo", disse Cheema. "É ainda mais importante informa-los sobre como está acontecendo, educando as pessoas. Você pode fazer isso se faz investigações."

Cheema e Anin recebem o Prêmio Knight International Journalism 2013 do Centro Internacional para Jornalistas no jantar de premiação hoje em Washington. O prêmio reconhece a "reportagem excelente que faz a diferença na vida das pessoas ao redor do mundo."

Cheema exorta outros repórteres trabalhando em ambientes hostis a persistir como ele. "Os jornalistas, inclusive eu, enfrentam desafios onde quer que estejam trabalhando", disse ele. "Os agentes do conflito e a hostilidade mudam, mas os desafios permanecem."

Ele aconselha jornalistas a mostrar que o seu trabalho é a busca de fatos e não manchar a reputação da sua fonte. "Se você está fazendo matérias sobre agentes que têm a capacidade de prejudicar você, tem que enviar uma mensagem através de seu reportagem que não tem nenhuma inimizade pessoal com eles. E em segundo lugar, permita-lhes a oportunidade de compartilhar o seu lado da história."

Anin observa que, embora a corrupção na Rússia dificulte o trabalho dos jornalistas, ele vê um número crescente de jornalistas dispostos a assumir o desafio.   "Quando eu me encontro com estudantes de diferentes universidades", Anin disse, "vejo mais e mais pessoas dispostas a se tornarem repórteres investigativos. Isso não era assim uns dois anos atrás, então significa que estão cada vez mais envolvidos na vida do país e têm como objetivo começar a mudar as coisas."   Ele aconselha estudantes a se concentrarem em encontrar a verdade. "Todo jornalista deve se lembrar que está trabalhando não para o editor e não para o proprietário", disse Anin. "Está trabalhando para os leitores."

Leia sobre mais o Knight International Journalism Awards e o trabalho de Anin e Cheema.

Lyndsey Wajert trabalha no Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês), organização parente da IJNet.

Foto de Umar Cheema, cortesia do ICFJ