Organizações usam inteligência artificial para combater desafios da mídia

porTaylor Mulcahey
Mar 16, 2019 em Temas especializados
AI

Há anos a Iniciativa de Ética e Governança em Inteligência Artificial financia inovação, mas sua equipe estava cansada ​​de ver os mesmos de sempre concorrendo ao programa. Então, em setembro passado, a organização lançou o Desafio Aberto de Inteligência Artificial nas Notícias e, após uma chamada aberta de propostas, anunciou os projetos vencedores.

Os vencedores são sete organizações espalhadas pelo mundo, do Chequeado na Argentina ao Tattle Civic Technologies na Índia, cada uma com um projeto para enfrentar um desafio em inteligência artificial (AI, em inglês) e seu efeito na indústria de notícias.

"É exatamente assim que esperávamos que fosse", disse Tim Hwang, que lidera a Iniciativa de Ética e Governança em Inteligência Artificial, que é um projeto conjunto do MIT Media Lab e Berkman Klein Center da Universidade Harvard.

“Nós embarcamos nessa porque queríamos expandir o grupo de pessoas, então acho que estamos muito felizes com este conjunto de projetos interessantes que estão em vários lugares diferentes no mapa."

Após a eleição de 2016 nos Estados Unidos, Hwang e sua equipe notaram um aumento no número de pessoas interessadas no papel que a automação desempenha na disseminação de informações online, especialmente desinformação. Mas muitas pessoas, embora interessadas no assunto, ainda não entendem completamente a inteligência artificial no sentido técnico.

Hwang define inteligência artificial amplamente, como um esforço para tornar as máquinas inteligentes. Hoje, isso se manifesta em um campo da ciência da computação conhecido como aprendizado de máquina, no qual as máquinas são expostas a grandes quantidades de dados para treiná-las.

“Se você quer treinar uma máquina para reconhecer um gato em uma foto, você basicamente mostra muitas fotos de gatos até descobrir como é um gato”, explicou Hwang.

Como essa tecnologia influencia a indústria de notícias, e como a indústria de notícias, por sua vez, influencia essa tecnologia, tornou-se um foco importante para a equipe nos últimos anos, inspirando o Desafio Aberto de Inteligência Artificial nas Notícias. A organização convidou propostas que abordavam quatro desafios principais: governar as plataformas, deter agentes mal-intencionados, capacitar o jornalismo e reinventar a AI e as notícias.

Eles esperavam obter 100 inscrições, mas receberam mais de 500. Para determinar os vencedores, Hwang e sua equipe reuniram jurados dos campos de jornalismo, universidade, tecnologia e negócios. Eles finalmente selecionaram sete projetos para dividir os US$750.000 de doadores, como a Fundação John S. e James L. Knight, a Omidyar Network, o cofundador do LinkedIn, Reid Hoffman, e a Fundação William e Flora Hewlett.

"Para nós, é realmente incrível obter esse apoio porque nos permite colocar nosso tempo em algo que acreditamos ser crucial, e ninguém mais está fazendo isso", disse Laura Zommer, diretora executiva e editora-chefe do Chequeado, organização de notícias sediada na Argentina e uma das vencedoras.

O Chequeado ganhou US$75.000 para lançar uma série de investigações sobre a ética da inteligência artificial ​​e os algoritmos que treinam as máquinas, e para produzir um guia para outros repórteres sobre esses tópicos.

A ideia surgiu quando a equipe de inovação do Chequeado estava criando seu próprio bot de checagem de fatos, o Chequeabot, em uma tentativa de acelerar o processo. Quando se depararam com seus próprios desafios éticos, eles procuraram informações na região e investigações sobre a ética dos algoritmos.

"Imaginamos que há outros desenvolvendo tecnologia na região que tenham os mesmos desafios ou questões que temos", disse Zommer. "Por que não investigamos esses problemas na região e depois os publicamos e compartilhamos?"

Zommer e sua equipe vão investigar essa questão em toda a região, não apenas na Argentina. Para isso, eles planejam fazer parcerias com outros jornalistas e redações, e compartilharão os resultados de uma maneira que seja fácil de entender e atraente para os leitores que têm muito pouco conhecimento de inteligência artificial em geral.

Outro vencedor, a Fundação MuckRuck, está trabalhando em uma questão muito diferente relacionada a notícias. A organização sem fins lucrativos, com sede nos Estados Unidos, começou como uma forma de ajudar jornalistas e pesquisadores a obter acesso a grandes conjuntos de dados e documentos. O que eles logo perceberam, no entanto, é que o acesso é apenas o começo.

Michael Morisy, diretor executivo da MuckRuck, explicou que ele e sua equipe desenvolveram um projeto que não pretende substituir os jornalistas, mas que "os ajudará a expandir seu trabalho de maneiras diferentes".

O projeto vencedor do MuckRuck, o Sidekick, ganhou US$150.000 para usar crowdsourcing e aprendizado de máquina para ler dezenas de milhares de documentos e encontrar dados significativos. Morisy disse que há muita emoção dos usuários em fazer parte do negócio de coleta de notícias. O Sidekick aproveitará esse entusiasmo, colocando os usuários no trabalho, analisando documentos de uma maneira que finalmente capacitará as máquinas para fazê-lo sem muita interação humana.

Se os jornalistas não têm que gastar muito tempo examinando documentos, podem se concentrar em outros trabalhos mais significativos. Este é o objetivo do projeto Sidekick.

Outros projetos vencedores incluem uma série de reportagens do Seattle Times, a análise automática de registros do governo da empresa de aprendizado de máquina Legal Robot, a análise e detecção automática de vídeos deepfake do Instituto Rochester de Tecnologia, e mais.

"As propostas acabam caindo em categorias", disse Hwang dos vencedores. "Mas estamos felizes que o conjunto de participantes vem de lugares e origens muito diferentes."


Os leitores interessados em saber mais sobre os projetos e suas evoluções podem acompanhar o blog Ethics and Governance in AI Initiative.

Imagem sob licença CC no Unsplash via Joshua Sortino