Obter um diploma de jornalismo vale a pena?

porMargaret Looney
Apr 1, 2013 em Jornalismo básico

Quando o estado do jornalismo pode mudar rapidamente, gastar dinheiro para pagar os estudos pode parecer uma proposta arriscada.

As faculdades de jornalismo estão tentando preparar estudantes promissores para uma profissão que pode não existir no mesmo formato ou da mesma forma em que foi ensinada.

A Escola de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade de Columbia foi criticada por sua escolha de reitor. Num artigo no jornal USA Today, Michael Wolff disse que o programa da universidade foi reprovado no "teste de relevância", escolhendo um jornalista tradicional, Steve Coll, para substituir Nicholas Lemann. Ele considerou a escolha de Coll como uma oportunidade perdida de mostrar uma disposição da faculdade para mudar.

Iniciante no Twitter, Coll trabalhou para a revista New Yorker e o Washington Post, "duas organizações que antes eram vozes poderosas, mas agora são substancialmente menos [importantes]", Wolff escreveu.

Apesar do custo alto do programa, US$58.000 anuais nos EUA, muitos jovens jornalistas continuam a se inscrever, porque não conseguem encontrar um emprego no campo. Esse valor é uma bolada para se pagar quando muitas instituições não podem garantir que seu currículo escolar vai preparar seus estudantes de forma adequada para o cenário da mídia em mudança.

"A desgraça não é apenas que a faculdade pega o dinheiro dos aluno, ou de seus pais, para treiná-los para um modo de vida que pode prever sensatamente que não existirá. Mas é também um fracasso intelectual", escreveu Wolff. "O mercado de informação está passando por uma transformação histórica, envolvendo forma, distribuição, base de negócios e efeito cognitivo, entretanto, a Columbia acaba de contratar um profissional para conduzi-la com pouca ou nenhuma experiência de carreira em qualquer uma dessas mudanças históricas."

Talvez um currículo mais fluido com um corpo docente experiente na área digital torne as faculdades mais adaptáveis ​​a essas tendências perturbadoras, especialmente se as escolas permanecerem flexíveis o suficiente para repensar o currículo quando surgirem novas ferramentas e técnicas de contar histórias.

Eric Newton, assessor do presidente da John S. and James L. Knight Foundation, tem sido um defensor ferrenho de um ensino de jornalismo que mantenha o ritmo com a rápida evolução. Ele escreveu sobre a reforma educacional em jornalismo e se a mudança está sendo rápida o suficiente. (A Knight Foundation dá apoio financeiro para a IJNet).

Observando que apenas algumas faculdades estão sintonizadas com estas "tendências de transformação", ele agora se pergunta se elas estão mesmo ouvindo.

Nem todos os programas de jornalismo estão resistindo à mudança, no entanto. Algumas estão equipando os alunos com o know-how para criar não apenas uma grande matéria, mas também um negócio, por meio de cursos de jornalismo empreendedor.

Em seu blog, James Breiner, diretor do programa de jornalismo de negócios global da Universidade de Tsinghua, na China, aponta uma variedade de programas ensinando a seus alunos como construir seus próprios veículos de comunicação quando não conseguem encontrar um já existente para trabalhar.

Por exemplo, a faculdade Medill de jornalismo na Universidade Northwestern exige que os alunos criem novas publicações a partir do zero, considerando o teor da audiência e modelo de negócio. A Universidade da Cidade de Nova York se esforça para ser "uma incubadora de projetos de novas mídias", equipando jornalistas digitais com ferramentas para desenvolver um plano de negócios ou protótipo de nova mídia.

O jornalismo está mudando rapidamente, e apesar de ser difícil para as instituições acadêmicas mudarem no mesmo ritmo rápido, elas não têm mais escolha.

Com a indústria em revolução, você acha que vale a pena obter um diploma de jornalismo?

Imagem usada com licença CC via SalFalko