O que os cursos massivos online significam para o jornalismo

porJames Breiner
Sep 11, 2013 em Jornalismo digital

Se você quer estudar jornalismo, tem mais opções a um custo menor e qualidade melhor do que nunca. Às vezes, uma universidade pode oferecer tipos de treinamento diferentes e às vezes não. Isso representa um desafio para as instituições de ensino.

Em uma palestra na conferência de jornalismo em Puebla, no México, eu descrevi minha experiência pessoal fazendo um curso de visualização de dados com um dos líderes mundiais no campo, Alberto Cairo, autor do livro "El arte funcional."

O curso de seis semanas teve leituras e tutoriais em vídeo de alta qualidade. As tarefas de casa me exigiram pelo menos 10 a 15 horas de trabalho por semana.

Professor engajado

Cairo estava intimamente envolvido com os participantes do curso, oferecendo críticas e sugestões de melhoria ao trabalho. Esse curso foi incrível, porque havia 2.000 alunos matriculados em mais de 100 países, tendo sido realizado totalmente online e de forma gratuita.

Fiz o curso durante meu trabalho na China. Foi oferecido pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas com base na Universidade de Texas.

Esse tipo de curso representa um grande desafio para as universidades, porque seu monopólio sobre a experiência e certificação está erodindo. Assim como ocorreu no negócio de notícias, os concorrentes estão surgindo com alternativas atraentes.

Preferências do estudante

O cliente agora está no comando. Os estudantes estão exigindo que os cursos estejam disponíveis para eles a qualquer hora, lugar e plataforma que escolherem, e em formatos que preferem.

Muitas universidades dificultam a inscrição a um curso específico, sem a pessoa se matricular em um programa de graduação. Tive esse problema há uma década, quando quis fazer cursos de literatura espanhola em uma universidade de Baltimore. Tinha a habilidade do idioma, mas não os cursos de pré-requisito e não conseguia driblar outros obstáculos burocráticos.

Eu era um cliente disposto a pagar com o dinheiro e fui rejeitado.

Inova ou fique para trás

Howard Finberg, que lançou o treinamento online do Instituto Poynter, a plataforma NewsU.org, observou em um recente artigo:

" ...o futuro do ensino do jornalismo [ nas universidades ] está em um momento crítico por duas razões. 1 . O tempo está se esgotando. Os rompimentos, impulsionadas pela economia e tecnologia, estão chegando ao sistema universitário muito mais rapidamente do que a maioria dos administradores percebe. 2 . A formação do jornalismo passará por mudanças fundamentais na forma como o jornalismo se ensina e quem ensina. Aqueles que não inovarem em sala de aula serão deixados para trás --assim como aqueles que optaram por não inovar na redação."

O treinamento em jornalismo não está em perigo, em sua opinião, mas sim o valor de um diploma de jornalismo. Ecoando essa opinião, um empresário renomado no jornalismo digital, Ramon Alberto Garza, disse na conferência de jornalismo em Puebla mencionada anteriormente. Garza que as universidades treinam os alunos para trabalhar em um "modelo industrial obsoleto", ignorando os avanços no jornalismo digital. A observação de Garza produziu suspiros audíveis no auditório, de acordo com Esther Vargas.

Não são apenas os Cursos Onlines Massivos e Abertos (ou MOOCS, em inglês) de organizações como Coursera, Udacity e EDX que estão oferecendo alternativas. A online College of Journalism da BBC oferece acesso gratuito a centenas de tutoriais em vídeo usados ​​para treinar seus próprios correspondentes. Sua fundação também oferece treinamento gratuito presencial a jornalistas e cidadãos em democracias emergentes, onde a liberdade de expressão está sob ataque.

Flexibilidade para profissionais

Algumas universidades adotaram a tendência de mais cursos online. Como Adam Glenn observou em seu resumo das tendências do ensino de jornalismo, a Universidade do Missouri, a Universidade da Flórida e American University, entre outras, estão oferecendo cursos totalmente online.

A Universidade de Guadalajara, no México, oferece um programa de mestrado em jornalismo digital, que é totalmente online. ( Eu ajudei a projetá-lo quando era diretor do programa de lá. )

Programas online oferecem flexibilidade para os profissionais. David DeFranza, que está cursando um mestrado em tecnologia e comunicações em um programa de graduação online da Universidade da Carolina do Norte, descreveu em um artigo no MediaShift como ele se beneficia com a interatividade com os colegas de outras áreas.

O Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês), com o qual eu trabalhei, é uma das muitas organizações de desenvolvimento de mídia oferecendo treinamento online gratuito. A plataforma IJNet do ICFJ tem treinamento e tutoriais online em sete línguas. A presidente Joyce Barnathan em um discurso recente incentivou escolas de jornalismo a abraçarem as novas tendências que afetam o jornalismo e liderar a revolução ao invés de serem consumidas por ela:

"As escolas que podem se adaptar e aceitar a mudança --e ao mesmo tempo servir como porta-estandartes para as melhores práticas-- são as única que podem ser líderes de pensamento, atraindo os melhores alunos-- e educar os melhores jornalistas do futuro."

Notas não são importantes

Quanto a mim, o aluno, ao invés de professor, no curso de visualização de dados de Alberto Cairo, recebi nota nenhuma. Durante o curso, usei seus excelentes tutoriais em vídeo para aprender Adobe Illustrator.

Passei provavelmente 30 horas no meu projeto final, um artigo com gráficos que descrevem o baixo nível de fidelidade dos usuários nos principais sites de notícias e suas implicações para os modelos de negócios. ( Os gráficos, sem a explicação que os acompanha, são embalados desajeitadamente em um gráfico aqui. )

Investi muito no curso e ganhei muito. Das 2.000 pessoas no curso, muitas eram iniciantes e não-jornalistas. Alguns já eram bem-sucedidos em suas áreas. Aprendemos muito uns com os outros.

Quem se preocupa com notas? Você dificilmente encontraria um programa de jornalismo que oferecesse um curso desse calibre.

Este post foi publicado originalmente no blog News Entrepreneurs e reproduzido na IJNet com permissão.

James Breiner é consultor em jornalismo online e liderança. Foi co-diretor do Global Business Journalism Program na Universidade Tsinghua e bolsista do programa Knight International Journalism Fellow, tendo lançado e dirigido o Centro de Periodismo Digital na Universidade de Guadalajara. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica e siga-o no Twitter.

Imagem sob licença CC no Flickr via o Banco Mundial