O que jornalistas podem fazer globalmente para cobrir a crise climática

Sep 28, 2021 em Reportagem de meio ambiente
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Furacões e tempestades nos Estados Unidos, da Louisiana a Nova York. Enchentes na Alemanha. Tufões na China. Secas históricas no Brasil. Incêndios na Austrália. Ao redor do planeta, populações com pouco em comum estão enfrentando uma mesma emergência climática e suas devastadoras consequências.

Repórteres de todas as partes têm feito a cobertura de um número crescente de desastres naturais, dando voz a comunidades afetadas e explicando como o impacto da mudança climática se intensifica.

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No último dia 28 de setembro, uma campanha global com a adesão de quase 500 redações destacou o papel do jornalismo no relato dessas histórias.

Realizado pela The Canadian Journalism Foundation e o World Editors Forum, o World News Day teve o objetivo de "chamar a atenção mundial para o papel que jornalistas desempenham em oferecer notícias confiáveis e informações que prestam serviço aos cidadãos e à democracia", de acordo com o site oficial. A campanha deste ano foca exclusivamente na crise climática.

 

 

"A questão da mudança climática, assim como a pandemia da COVID-19, é uma crise global que requer um esforço coletivo enorme e não há como escapar de seus efeitos", diz Alexander Jones, coordenador global do projeto World News Day. "[O evento] é uma oportunidade importante de demonstrar essa realidade numa escala verdadeiramente global."

O foco é especialmente importante neste ano, com a realização da COP26, conferência global sobre o clima da ONU, no Reino Unido, em novembro, que vai reunir muitos governantes do mundo todo.

"Veículos jornalísticos, desde os gigantes internacionais aos representantes do jornalismo local, estão intensificando seu comprometimento com a cobertura climática", observa Jones, acrescentando que a opinião do World News Day é a de que este trabalho "não pode continuar em silos". A campanha espera possibilitar a troca de histórias, táticas e abordagens para combater a crescente crise global.

Este ano o World News Day trouxe uma coleção de reportagens sobre o clima publicadas por redações de todas as partes do mundo. Ela destaca artigos e matérias multimídia tanto de veículos grandes quanto locais, de repórteres setoristas em tempo integral e freelancers.

As reportagens trazem exemplos do que pode ser feito para lidar com os desafios ambientais, como uma matéria sobre ação climática no Oriente Médio e Norte da África publicada pelo Al Bawaba, da Jordânia. O Stuff, da Nova Zelândia, compartilhou uma matéria sobre a revitalização dos rios do país, e o YEN, de Gana, publicou um artigo sobre os efeitos da mudança climática no país da África Ocidental. 

"Assim como contamos com jornalistas para ter notícias e informação com credibilidade sobre a COVID-19, também devemos confiar nos jornalistas para nos educar sobre os perigos e soluções para a crise climática", diz Jones.

A campanha também inclui colunas escritas por líderes da iniciativa. Por exemplo, David Walmsley, fundador do World News Day e editor-chefe do The Globe and Mail, do Canadá, observa que "um número recorde de redações em todo o mundo aderiu ao tema deste ano."

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"As redações no mundo todo reconhecem que o ciclo noticioso força jornalistas a confrontar esses momentos dramáticos. É por isso que mais repórteres estão sendo contratados para cobrir exclusivamente o meio ambiente", ele escreveu. Um número recente de vagas abertas corrobora esse argumento: apenas neste mês, o New York Times abriu uma vaga para redator de uma newsletter sobre o clima, enquanto o The Washington Post abriu uma vaga para um repórter "cobrir os esforços do governo federal para lidar com a mudança climática."

Mais de 180 veículos jornalísticos participaram da campanha do World News Day no ano passado. Neste ano, a campanha ultrapassou com folga a sua meta de 300, com mais de 480 veículos participantes.

"Para além do sucesso dos números, o projeto espera demonstrar ao mundo que jornalismo com credibilidade e baseado em fatos — jornalismo que informa, educa e inspira — tem um papel importante a ser desempenhado para informar cidadãos em questões relacionadas ao nosso planeta e ao nosso futuro coletivo", diz Jones. 


Foto por Matt Palmer no Unsplash.

Jamaija Rhoades colaborou com este texto.