O melhor do jornalismo investigativo em 2016

por Jean Claude Kabengera
Jan 4, 2017 em Jornalismo investigativo

Agora que 2016 chegou ao fim, é hora de rever as reportagens investigativas de profundidade que galvanizaram líderes mundiais e cidadãos em ação.

O ano passado teve muitas matérias de investigação proeminentes que descobriram escândalos e transgressões, revelando a verdade e catalisando a mudança.

Aqui está um panorama dos melhores exemplos do jornalismo investigativo em 2016:

"Panama Papers", Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos 

O vazamento de 11,5 milhões de documentos que detalharam informações financeiras secretas de mais de 214.000 entidades offshore foi um dos projetos de investigação mais ambiciosos e importantes lançados em 2016 -- e provavelmente na última década. Conduzido pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung, em parceria com mais de 100 outras agências noticiosas, a investigação levou à demissão de altos funcionários, ações policiais e a várias outras investigações.

Os documentos de investigação examinaram a indústria secreta de contas offshore usadas por ricos e poderosos do mundo para esconder seus ativos e riquezas por baixo do pano, criando empresas de frente em jurisdições distantes. Enquanto os documentos geraram controvérsia em todo o mundo após seu lançamento no dia 9 de maio, o projeto foi honrado com um prêmio Barlett & Steele para jornalismo investigativo em 2016.

"Pentagon: Special Ops Killing Of Pregnant Afghan Women Was ‘Appropriate’ Use of Force", The Intercept

Em 6 de junho, The Intercept, um site investigativo, publicou uma investigação sobre uma das mais notórias invasões conduzidas pelos militares dos EUA no Afeganistão em 2010. A investigação começou em fevereiro de 2010, quando o exército dos EUA anunciou uma invasão a uma área do talibã em Gardez, onde Forças Especiais descobriram os corpos de três mulheres afegãs. A CNN descreveu a aparente execução talibã como possuindo "as marcas de um homicídio de honra tradicional".

Mas quando Jerome Starkey do Times viajou para o local -- o único repórter a fazê-lo -- a história oficial rapidamente caiu. As descobertas da investigação de Jeremy Scahill são devastadoras. Os chamados militantes talibãs eram, de fato, aliados do governo.

"Migrant, Refugee, Smuggler, Savior", Global Initiative

Enquanto milhões de pessoas do Oriente Médio e da África lutam para se refugiarem de conflitos, opressão, desastres naturais, pobreza e fome, os seus movimentos são permitidos e encorajados por uma rede criminosa organizada de contrabando, sequestro e extorsão de refugiados que cruzam a Europa. "Migrant, Refugee, Smuggler, Savior" conta a história desta complexa economia subterrânea.

Peter Tint e Tuesday Reitano, investigadores da Global Initiative que chamaram a atenção da mídia mundial para um dos aspectos mais subexaminados da crise global dos refugiados, disseram à Christiane Amanpour da CNN e à BBC que a máfia ganha bilhões de dólares com esse novo comércio insidioso que resulta na morte de milhares de migrantes.

"Memoria Robada", Ojo Público

O site peruano de jornalismo investigativo Ojo Público, em colaboração com quatro organizações de mídia latino-americanas (Animal Político do México, La Nación da Costa Rica, Plaza Pública da Guatemala e Chequeado da Argentina), realizou uma investigação de seis meses sobre o tráfico ilegal de artefatos culturais de países latino-americanos.

A investigação descobriu que, entre 2008 e 2016, as principais casas de leilão na Europa e nos Estados Unidos colocaram à venda mais de 7.000 objetos do patrimônio arqueológico do Peru. A investigação levou à criação da primeira rede jornalística que coleta arquivos secretos sobre o tráfico ilícito e expõe a corrupção na América Latina.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Leo Hidalgo. Imagem secundária cortesia do Intercept. Terceira imagem cortesia do New York Times.