New Ventures da Chicas Poderosas apoia startups de mídia lideradas por mulheres na América Latina

porMariana Santos
May 15, 2019 em Diversidade
New Ventures Lab 2019

Este artigo é o primeiro de uma série sobre temas relacionados a jornalismo, gênero e liderança da Chicas Poderosas, uma comunidade global que promove a liderança feminina e gera conhecimento para formar o futuro da mídia. Siga a Chicas Poderosas no Twitter, Instagram e Facebook.

"Nós nos elevamos elevando os outros", escreveu Robert Ingersoll no século 19. Para nós, isso é mais do que uma citação inspiradora impressa nos adesivos que distribuímos em eventos e encontros realizados por nossas filiais locais em todo o mundo. É um princípio orientador do nosso trabalho, está no centro de todos os projetos que a Chicas Poderosas assume e é o que as chicas e os mentores têm em mente quando se juntam à nossa comunidade.

Apoiando, orientando e compartilhando com os outros --ou nos unindo para criar projetos colaborativos--, aprendemos e crescemos como profissionais em nosso campo e como pessoas. Nós nos tornamos impulsionadoras de mudanças positivas e ajudamos a capacitar outras mulheres.

Eu iniciei a Chicas Poderosas em 2013 como bolsista Knight do ICFJ, e a organização decolou em 2015 quando treinamos embaixadoras durante um evento na Universidade de Stanford. Começou como um sonho para fornecer a jornalistas, especialistas em comunicação e designers profissionais as habilidades e conexões profissionais para avançar em suas carreiras e se tornarem líderes na indústria da mídia. Nos últimos seis anos, nossa comunidade se transformou em uma comunidade global de mulheres de diferentes idades, campos e origens, presente em 18 países, com um foco forte na América Latina. Alcançamos milhares de mulheres, do México e da Argentina a Portugal e os Estados Unidos. Nossos membros receberam prêmios e bolsas de estudo, iniciaram seus próprios projetos de mídia e mais.

Para realmente impactar o futuro da mídia e da sociedade em geral, percebemos que nossos esforços devem ser também para apoiar as mulheres que estão ousando criar meios de comunicação independentes. De acordo com um relatório do Women’s Media Center, em janeiro de 2019, os homens produzem mais notícias e ocupam a grande maioria dos cargos de liderança em empresas de mídia. Em uma pesquisa com mulheres jornalistas na Argentina, conduzida pela associação de jornalistas Foro de Periodismo Argentino em 2018, 78% dos chefes eram homens, 15% disseram que havia paridade de gênero e apenas 7% disseram que seus chefes eram em sua maioria mulheres.

Considerando essa desigualdade de produção e liderança nas organizações de mídia existentes, em 2017, lançamos nosso New Ventures Lab, um acelerador para veículos independentes de mídia liderados por mulheres na América Latina. O laboratório fornece orientação e treinamento para desenvolver seus modelos de negócios e desenvolver suas habilidades de liderança. Na primeira edição, apoiamos 10 projetos do Brasil, Equador e Peru, dos quais oito já registraram uma patente intelectual.

Chicas NVL 2018
Mulheres trabalhando no New Ventures 2018 da Chicas Poderosas. Imagem cortesia da Chicas Poderosas. 

 

Para a segunda edição, iniciada em janeiro, escolhemos nove projetos da Argentina, México e Brasil. As equipes estão desenvolvendo seus lançamentos, modelos de negócios e produtos, enquanto se preparam para o Demo Day, que marca o final do período de incubação de 20 semanas que inclui três encontros imersivos de uma semana em São Paulo, além de treinamentos online e sessões de tutoria. No Demo Day, em 6 de junho, elas apresentarão suas propostas para potenciais investidores e líderes de mídia, mostrando o progresso que fizeram trabalhando juntas e aprendendo umas com as outras.

Essas nove equipes poderosas estão mudando o panorama da mídia na América Latina, gerando impacto social e criando novos modelos de liderança que são colaborativos e orientados para o sexo feminino, provando que, de fato, crescemos elevando outros.

  • El Placer del Saber nasceu no México para combater desinformação relacionada à sexualidade, quebrar tabus e encorajar a juventude a desfrutar prazer sexual com responsabilidade e informação.
  • AzMina foi criada para usar informações e educação para conscientizar e engajar homens e mulheres no combate à desigualdade de gênero e violência no Brasil.
  • Filha da Mãe. Em meio a um clima conservador que ameaça o acesso à educação sexual no Brasil, este podcast será lançado em 12 de maio para fornecer uma fonte alternativa de informações sobre sexualidade com uma abordagem feminina, positiva e divertida.
  • Beba começou a abordar uma lacuna na oferta de mídia para adolescentes e jovens na Argentina e fornecer uma mídia digital e feminista para compartilhar e ler sobre as experiências de mulheres e pessoas de diversas orientações sexuais.
  • Casa Mãe foi criada para denunciar a violência e as microagressões sociais vivenciadas pelas mães solteiras no Brasil e para dar voz e dignidade às suas experiências.
  • Eté Checagem nasceu para atender a crescente onda de rumores, notícias falsas e desinformações que circulavam online e na mídia sobre questões de direitos humanos, tornando-se o primeiro projeto de verificação especializado nessa área no Brasil.
  • Fiquem Sabendo foi criado para coletar, analisar e disseminar dados impactantes, promovendo transparência e acesso a informações que possam ajudar a sociedade a tomar melhores decisões e políticas públicas mais eficazes.
  • Empathy foi fundada para fornecer um lugar para migrantes e refugiados se conectarem com pessoas que querem ajudá-los enquanto se ajustam à vida no Brasil.
  • Modefica pretende envolver o público em uma nova maneira de produzir, consumir e organizar para construir uma sociedade mais sustentável.
  • Midia Makers quer trazer tecnologia para as salas de aula e transformar cada aluno e professor em um produtor de mídia.

Imagem principal do New Ventures Lab da Chicas Poderosas 2019, cortesia da Chicas Poderosas