Na Índia rural, um centro de inovação em tecnologia móvel dá voz a pessoas isoladas

porElisa Tinsley
Sep 13, 2013 em Diversos

Ao ligar meu laptop em um prédio aberto ao ar livre nos arredores de Bhopal, na Índia, fiquei surpresa. Assim que meu computador foi iniciado, tive acesso à Internet de alta velocidade. A antiga fazenda de cogumelos onde estou agora é o Hackergram, um laboratório técnico e o novo centro do serviço móvel CGnet Swara.

A CGnet Swara, criada por Shubhranshu Choudhary durante sua bolsa no programa Knight International Journalism Fellowship, usa telefones celulares para dar a centenas de milhões de povos tribais da Índia, Dalits ("intocáveis​") e outros que vivem em um vácuo de informação um veículo para informar sobre suas comunidades.

Choudhary desenvolveu o portal baseado em voz usando o Microsoft Research Índia. Qualquer pessoa pode usar este serviço Interactive Voice Response (IVR), acessível através de telefones celulares simples para relatar e ouvir histórias locais. A equipe de moderadores confirma os relatos, os quais são disponibilizados para reprodução via telefone celular e no site da Swara.

Choudhary, um ex jornalista da BBC, e Arjun Venkatraman, que deixou um trabalho de TI no Vale do Silício para se tornar a espinha dorsal da operação, estão criando um centro para notícias de comunidade móvel e de cidadão que faz mais do que informar. A CGnet Swara ajuda os cidadãos a se conectarem com funcionários do governo que, graças a este novo serviço, abordaram pelo menos 80 problemas relatados por indianos marginalizados desde fevereiro de 2010. Os problemas que os cidadãos identificaram variam de rios poluídos e o colapso de serviços públicos a estupros e ataques a aldeias tribais.

Mesmo antes de se mudarem para a fazenda, um pedaço de terra acidentado com algumas estruturas parcialmente construídas e um pequeno bosque de mangas, Choudhary e Venkatraman treinaram centenas de cidadãos para usar a CGnet Swara. Também recrutaram e treinaram 54 moderadores para confirmar os relatórios antes de torná-los públicos. Alguns falam línguas tribais. O serviço recebe agora em média 500 chamadas por dia.

A fazenda é também um laboratório onde Venkatraman e dois associados enfrentam chuva e calor para desenvolver soluções de tecnologia para distribuição móvel, criar novos canais CGnet Swara e experiência com uma rádio comunitário para criar uma rede de meios hiperlocais para Swara.

A equipe mudou sua operação para a periferia de Bhopal, porque eles estão se concentrando no longo prazo. "Estamos pensando na melhor utilização dos recursos disponíveis", diz Choudhary. Trabalhar em Bhopal é mais barato do que em Delhi, diz ele. E localizar a operação em uma antiga fazenda tem algumas vantagens . Há espaço para abordar o desenvolvimento da plataforma móvel da CGnet Swara, para construir a rede de rádio comunitário e treinar jornalistas cidadãos, que moram lá durante sua formação. Bhopal está no coração da área tribal central da Índia, então a mudança trouxe CGnet Swara mais perto de sua comunidade de usuários. E para jornalistas cidadãos que podem nunca ter visto uma cidade ou tocado em um laptop, a ex-fazenda é menos assustadora do que seria um centro de treinamento urbano.

Jagdish Yadav, 39 anos, é um moderador Swara que estava na fazenda recebendo treinamento adicional quando eu estava lá no fim de semana. Ele e sua esposa começaram uma escola para crianças dalits e treinaram seis crianças para relatar para a CGnet Swara. Yadab se juntou à CGnet Swara depois de saber como o serviço conectava pessoas isoladas ao resto do mundo. "Desta forma, as vozes dos Dalits, Adivasi ( povos tribais ) e mulheres são levados longe --para o mundo inteiro", diz ele . "Sabíamos que pela primeira vez não estávamos sozinhos e que havia muitas pessoas interessadas no mundo todo."

Mohan Yadav, 45 anos, um moderador que trabalha para organizações sem fins lucrativos na Índia, cresceu em florestas tribais. "A ajuda do governo não está atingindo as pessoas", diz ele. " Nós pensamos que este sistema pode ser usado para obter apoio e ajud. "Ele tem outro objetivo: trazer o conhecimento antigo da floresta para as populações urbanas. Yadab acredita que através da CGnet Swara, os povos indígenas podem ser um link para a medicina tradicional.

A mudança para Bhopal apresentou seus desafios. Levou seis meses para obter conexão de banda larga surpreendentemente rápida. A eletricidade ainda é irregular, porque as linhas elétricas são temporárias.

Os obstáculos não impediram Choudhary e Venkatraman, que estão criando novos canais em línguas locais para a CGnet Swara, de desenvolverem tecnologia para conectar rádios de cidadão e construir uma equipe de jornalistas cidadãos.

"Na luta livre indiana, há um movimento final: [a pessoa] se força ao chão para que o adversário não possa movê-lo", diz Choudhary. "Essa é a nossa tática. Quando o ciclone chega, abaixamos e nos mantemos firmes."

Elisa Tinsley dirige o programa Knight International Journalism Fellowships do Centro Internacional para Jornalistas em Washington.

O conteúdo sobre inovação de mídia relacionado aos projetos e parceiros dos bolsistas do Knight International Journalism Fellowship na IJNet é apoiado pela John S. and James L. Knight Foundation.

Foto de Bhagirath Verma, assistente do Hackergram, por Albert Charles