Mídia universitária se sustenta com treinamento de jornalistas

por A. Adam Glenn
Jul 5, 2012 em Diversos

Uma crescente variedade de projetos universitários de notícias tem discretamente experimentado novas maneiras de organizar e equipar suas redações, apurar e produzir notícias, e dar informações e engajar o público. Há uma coisa, porém, que quase nenhum deles têm enfrentado com sucesso: fazer dinheiro com os projetos.

Ao invés de criar modelos de negócios inovadores, serviços de notícias baseados em universidade tendem a depender de uma combinação do apoio financeiro de suas escolas e bolsas de fundações, com o uso do trabalho não-remunerado de estudantes. Uma recente reunião de vários sites de notícias universitários, organizada pela American University nos dias 1° e 2 de junho em Washington, deixou claro que a grande maioria sobrevive basicamente do apoio da universidade, ou apenas caminha devagar, arrecadando dinheiro para orçamentos minúsculos.

Mas parece haver uma exceção. Um centro se moveu em direção à sustentabilidade apostando na sua competência jornalística e na atração de sua grande universidade, fazendo o que as escolas de jornalismo fazem melhor: a formação de jornalistas.

Workshops são alta fonte de renda para o centro de Boston

O New England Center for Investigative Reporting da Universidade de Boston gerou US$180.000 no último ano fiscal a partir de uma série de oficinas de capacitação para estudantes do ensino profissional e colegial. O centro também ganha dinheiro com a venda de conteúdo de jornalismo investigativo e de pesquisa personalizada produzida pelos alunos e funcionários, bem como levanta fundos de filantropos individuais, contribuições da universidade, e subvenções.

Mas o dinheiro de seus programas de treinamento representa a maior fonte de receita única para o orçamento operacional do centro em torno de US$550.000.

O centro começou as oficinas de treinamento de verão em 2009, o ano em que foi inaugurado. A receita proveniente dos treinamentos estorou em quase 700 por cento, de acordo com o co-diretor, Joe Bergantino. No primeiro ano, arrecadou US$24.000, no segundo, US$50.000 e no ano seguinte, US$110.000, e agora chega a US$180.000.

As oficinas foram uma parte essencial da missão do centro de treinar a próxima geração de repórteres investigativos, de modo a conter a erosão das reportagens de qualidade em cidades pequenas e vilarejos.

Sustentabilidade também faz parte da missão - especialmente depois de ter recebido uma bolsa de dois anos no valor de US$400.000 da Fundação Knight em 2010 para encontrar um modelo de negócio sustentável que possa ser reproduzido em dezenas de outros centros semelhantes de notícias regionais como parte de uma crescente rede investigativa, a Investigative News Network. Bergantino observou que a renda de US$375.000 gerada pelo treinamento agora quase coincide com a concessão da Knight.

O jovem aspirante a jornalista é o nosso maior mercado-alvo

O treinamento profissional se concentra em um programa de certificação para jornalistas que trabalham, muitos deles no exterior e com vasta experiência, mas com um desejo de novas ferramentas de reportagem. Os intensivos de duas semanas, oferecido duas vezes a cada verão a US$2.000 por participante, combinam sessões tradicionais sobre ética com discussões sobre o novo ecossistema de notícias, e foco em reportagem assistida por computador, os últimos conjuntos de dados e ferramentas de visualização de dados. Os 10 a 12 repórteres normalmente vêm com ideias de pauta já existentes e, em seguida, trabalham diretamente com os instrutores para executá-las.

Para ler o artigo integral (em inglês), clique aqui.

Este artigo foi publicado originalmente no IdeaLab da PBS MediaShift. O IdeaLab da PBS MediaShift é um blog em grupo feito por inovadores que estão reinventando as notícias comunitárias para a era digital. Cada autor recebeu um fundo do Desafio Jornalístico Knight para ajudar a bancar uma ideia sobre um tema relacionado à transformação da notícia comunitária. O artigo foi traduzido e publicado pela IJNet com autorização.