Content supported by

Mídia sem fins lucrativos é indústria de US$350 milhões nos EUA, segundo relatório

porChristine Schmidt
Oct 9, 2018 em Empreendedorismo de mídia

O setor de notícias sem fins lucrativos está amadurecendo; e as organizações mais antigas têm vantagens sobre as novas. Mas as novas ainda podem aprender com as lições das veteranas.

Depois de uma década de crescimento concentrado, o setor de notícias sem fins lucrativos agora arrecada quase US$350 milhões em receita anual total, dominado principalmente pelas organizações iniciadas há quase uma década, segundo um novo relatório do Institute for Nonprofit News. A organização possui 180 membros e 88 dos 149 convidados participaram desta pesquisa.

O INN diz que há cerca de 200 redações sem fins lucrativos nos EUA no total. A diretora executiva e CEO do INN, Sue Cross, também observou no prefácio do relatório que metade dos beneficiários do Prêmio de Jornalismo Online deste ano, administrado pela Online News Association, foi redações sem fins lucrativos.

Agora, as redações sem fins lucrativos estão elaborando seus próprios planos estratégicos e ajudando a criar um manual para criar sua própria agência de notícias sem fins lucrativos.

As agências de notícias sem fins lucrativos ainda atraem grande parte (90%) de sua receita de apoio filantrópico, tanto de fundações como de indivíduos. No entanto, muitas estão construindo mais fluxos de receita com assinaturas, eventos e mais.

Aqui estão as metas que as mídias modernas sem fins lucrativos alcançaram em 2018:

Finanças

Mais da metade das 88 organizações respondentes geraram US$500.000 ou mais em receita no ano fiscal de 2017; um terço gerou pelo menos US$1 milhão. Na pesquisa de 2015, pouco menos de um terço dos membros do INN fez acima de US$500.000. Mas, novamente, isso varia bastante dependendo da fundação.

Organizações sem fins lucrativos normalmente investem dois terços de seus recursos em operações editoriais e apenas um décimo no desenvolvimento de receita. O INN diz que isso é um reflexo do subinvestimento na busca de doações e outras fontes de receita:

As agências de notícias que têm pelo menos uma década investem mais do que as startups na criação de receita. Os 20 veículos lançados antes de 2007 gastam cerca de 15% de suas despesas em geração de receita. Isso é aproximadamente o dobro do percentual que as organizações de notícias dedicam à receita durante os primeiros dois anos de operação. Para os sites jovens, os diretores executivos frequentemente assumem grande parte do trabalho de desenvolvimento até que possam pagar por um diretor de desenvolvimento ou de receita dedicado.

Excluindo a mídia pública, a receita proveniente de assinaturas varia entre 1% e menos de um terço da receita das organizações sem fins lucrativos, embora o News Revenue Hub recomende definir uma meta de assinaturas de 25% da receita total. Outras fontes de receita incluem patrocínio de eventos, syndication (redistribuição do conteúdo entre parceiros) e publicidade.

As redações sem fins lucrativos tendem a ser investigativas e focadas em análise, em vez de concentradas nas notícias de última hora. Também abordam  assuntos locais, estaduais e regionais, com esses escopos representando dois terços das notícias sem fins lucrativos. Contudo, as organizações de notícias tópicas de assunto único são “uma das categorias de crescimento mais rápido em mídia sem fins lucrativos", segundo o INN.

“O campo é dominado por veículos de comunicação que foram lançados na década passada em meio a cortes importantes nas organizações noticiosas tradicionais. Três quartos das organizações de notícias sem fins lucrativos foram lançadas desde 2008. A mídia típica tem oito anos”, escreve o INN. "Mas algumas organizações jovens começam agora a buscar múltiplos fluxos de receita, uma abordagem que pode se mostrar vantajosa à medida que amadurecem."

Estudos do Centro Shorenstein e da Universidade Northeastern descobriram que as principais organizações sem fins lucrativos são capazes de atrair muito dinheiro em um ambiente de financiamento competitivo. Entrevistados para essa pesquisa descreveram a situação como “filantropia de bando”, dizendo que os financiadores podem ser avessos ao risco de financiar ideias em estágio inicial.

As redações focadas em notícias e eventos atuais cresceram a um ritmo mais lento do que as organizações investigativas/explicativas/de tópico único, com apenas três criadas antes de 2008 e menos de duas por ano, em média, desde então.

Geograficamente falando, os veículos locais tendem a ser aqueles que cobrem notícias/eventos e mais de um tópico. Eles estão mais bem posicionados para alcançar seu público diretamente e receber significativamente mais doações individuais, mas têm fluxos de receita mais variados e recebem menos subsídios de fundações do que outras organizações. O relatório do INN confirma essa situação com os estudos de caso do CALmatters e Rivard Report, bem como o EdSource, uma organização tópica que consegue atrair maior apoio filantrópico.

Equipes

A associação do INN abrange 2.200 jornalistas empregados, de um total estimado de 3.000 funcionários. O número médio total de funcionários em um veículo, com base nos entrevistados, é de 8,3.

O setor de notícias sem fins lucrativos emprega mais mulheres do que outros segmentos da indústria da mídia, mas os números não são tão impressionantes quando se trata de diversidade racial. As redações respondentes são compostas por 55% de mulheres (em comparação com 48% nas redações digitais e 39% nas redações de jornais na pesquisa da ASNE do ano passado). No entanto, ainda são 73% brancos (em comparação com pessoas de outras raças que representam 24% das equipe nas redações digitais e 16% nas redações dos jornais na pesquisa da ASNE).

Audiência e crescimento

Um dos desafios do lançamento de uma agência de notícias é a construção de reconhecimento do nome e audiência. Um terço dos entrevistados do INN chega ao público principalmente por meio de terceiros: jornais, rádio/TV ou outros parceiros online. Um terceiro atinge seu público principalmente através de seus próprios sites, e o último terço está "em algum lugar no meio ou estão buscando as duas estratégias".

Uma redação típica de uma organização sem fins lucrativos vê o tráfego na web de menos de 500.000 visitantes por ano, de acordo com o INN, mas vários estão usando boletins informativos por e-mail para crescer:

A redação típica da organização sem fins lucrativos oferece um boletim por assinatura por e-mail, embora algumas publicações ofereçam vários… Entre as que oferecem um boletim informativo, a média de assinaturas é de 5.900 e várias possuem mais de 100.000 inscritos. Os boletins informativos geralmente servem como produtos de publicação e, para muitos, para criar listas de e-mail como base para programas individuais de arrecadação de fundos de doadores e de membros.

O INN fecha o relatório aconselhando a redações sem fins lucrativos para se concentrar em estimular doações individuais, prestando mais atenção ao desenvolvimento de negócios --“startups não devem esperar para criar posições responsáveis pela receita, mas investir nelas cedo, mesmo que envolva menos investimento na cobertura, para construir rapidamente uma base mais forte para o seu jornalismo”-- e construir audiências de qualidade, não apenas quantidade.

Leia o relatório completo aqui (em inglês).

Imagem sob licença CC no Unsplash via Jeremy Galliani