Jornalistas africanos devem fazer mais para se proteger online

porCatherine Gicheru
Jan 28, 2016 em Segurança do jornalista

Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), nas últimas duas décadas 780 jornalistas foram assassinados em todo o mundo ao reportar ou investigar notícias. Muitos usaram ferramentas digitais ​​em seu trabalho diário, que os expôs a ameaças cibernéticas também.

Esta tendência reflete-se num recente relatório do CPJ, indicando que 109 dos 199 jornalistas presos no ano passado trabalharam online. A organização Article 19 também documentou um número maior de ataques contra jornalistas que trabalham online.

Em muitos países africanos como no resto do mundo, leis foram promulgadas para permitir que agências de segurança interceptem comunicações, monitorem chamadas e a atividade online de grupos terroristas ou criminosos, ou para combater o discurso de ódio online. O telefone celular onipresente com software de geolocalização torna o usuário rastreável em qualquer lugar e em todos os momentos. Apenas marcar um compromisso pode expor tanto o jornalista como sua fonte à vigilância indesejada.

O que é desconcertante é que, enquanto agentes estatais e entidades corporativas tornaram-se mais e mais adeptos do uso de instrumentos de vigilância, muitos jornalistas ainda têm que aprender como se proteger online. Então, o que precisa ser feito?

Treinar

Grande parte do treinamento de segurança para os jornalistas na África tem se concentrado em medidas de proteção física. Mais do que isso, há necessidade de desenvolver competências no país em segurança digital para capacitar jornalistas, organizações de notícias, blogueiros, ativistas de direitos humanos e até mesmo jornalistas cidadãos.

Integrar

As escolas de jornalismo deveriam tornar obrigatório para todos os alunos aprender habilidades digitais básicas, como criação e gerenciamento de senhas, criptografia de arquivos e e-mails e como contornar a vigilância digital. Um reitor de uma das escolas de jornalismo do Quênia explicou por que esse tipo de treinamento não é oferecido a estudantes de jornalismo no país: "Para muitas das instituições, a segurança digital é uma noção bastante mal compreendida", disse ele. "Segurança online deve ser parte do pacote maior que socializa os alunos neste mundo do ciberespaço. Eles precisam entender por que a segurança é importante ou o que eles estão protegendo."

Para as mulheres jornalistas que, por causa do seu trabalho, enfrentam ameaças e intimidação semelhantes aos que sofrem seus colegas do sexo masculino, a segurança online é crucial porque às vezes elas são especificamente alvos de assédio apenas por causa de seu gênero.

Engajar

Jornalistas e tecnólogos precisam de mais oportunidades de trabalhar juntos para melhorar ou adaptar ferramentas antivigilância existentes para uso no país. Exemplos de tais compromissos podem incluir uma simples demonstração de técnicas durante os meet-ups regulares dos Hacks/Hackers ou reuniões mais elaboradas e intensas, como uma no ano passado que reuniu membros da comunidade de tecnologia ugandense para testar cinco ferramentas de segurança digital. O teste revelou lacunas em quatro ferramentas de criptografia.

Tais encontros vão incentivar não só o desenvolvimento de ferramentas e técnicas de fácil uso, mas também incentivar os jornalistas a inculcar hábitos que protegerão a eles mesmos, suas fontes e seus dados. Muitos jornalistas tendem a ser preguiçosos quando confrontados com sistemas que são complexos demais ou difíceis de compreender; eles tendem a ignorar procedimentos de precaução, quando confrontados com prazos urgentes.

Existem inúmeras fontes online onde um jornalista pode aprender como ser seguro online. Aqui, aqui e aqui são alguns exemplos de ferramentas que você pode usar. Confira também estas seguintes orientações:

Imagem sob licença CC no Flickr via Anastasia Basano