Jornalista do mês: Olivia Crellin

por Sam Berkhead
Jul 24, 2017 em Jornalista do mês

Para Olivia Crellin, o jornalismo foi inicialmente uma maneira para ela satisfazer ao máximo sua paixão por viajar.

Depois de se formar pela Universidade de Cambridge, Olivia, que é do Reino Unido, embarcou em viagens para a Índia e o Oriente Médio. Ao viajar, ela percebeu que queria algo mais de suas experiências.

"Eu sabia que não queria apenas viajar", disse ela. "Eu curtia mais quando tinha alguma maneira de me conectar ao lugar onde eu estava por pouco [tempo], [ter] algum tipo de foco."

Olivia passou um ano fazendo jornalismo no Chile, primeiro como estagiária no Santiago Times e depois como freelancer. Em 2012, sua reportagem sobre as leis de aborto no Chile foi finalista na Competição Internacional de Jornalismo de Desenvolvimento do Guardian. Ela ganhou uma viagem de reportagem ao Equador para cobrir os direitos dos trabalhadores domésticos. Desde então, ela viveu e trabalhou nos Estados Unidos, América do Sul, Europa e África.

Agora, jornalista da BBC Minute e BBC World News em Londres, Olivia usou a IJNet para encontrar a bolsa de produção One World Media, que lhe permitiu filmar "Sununú: The Revolution of Love". O filme, que foi exibido na BBC em maio, conta a história de um casal transgênero e sua vida como novos pais no Equador, um país em grande parte católico.

"Eu encontrei a história em um tablóide, e a cobertura era bastante sensacionalista", ela explicou. "O que realmente me inspirou a fazer o filme foi o fato de que o tratamento da história era muito, 'Uau, isso é tão louco. Olhe para essas pessoas fazendo isso'. Eu pensei que a história merecia um tratamento diferente e uma plataforma mais ampla."

IJNet falou com Olivia sobre "Sununú", fazer freelance e a importância de se conectar com outros jornalistas:

IJNet: Como seu tempo como freelancer ajudou seu trabalho hoje?

Olivia: Aprender a propor pautas é inestimável, mesmo se você está dentro de uma organização, porque é a arte de destilar uma matéria em algumas frases. Mais do que nunca, em uma grande organização em que muitos tomadores de decisão e editores são pessoas muito ocupadas, você precisa ser persuasivo e sucinto.

E acho que a maneira como me comportei e minha identidade como membro da comunidade mundial de jornalismo foi inculcada em mim como freelancer. Embora você possa ser um negócio de uma pessoa, você ainda cria sua própria equipe de colegas e colaboradores. Isso é incrivelmente importante, não apenas para o lado do negócio, mas também para a criatividade e poder apoiar e inspirar uns aos outros. Eu acho que isso só pode ser bom para as reportagens.

Você enfrentou algum desafio durante a filmagem de "Sununú"?

Quando você está fazendo projetos como freelancer, tem muito tempo para planejar. Isso é o contrário de quando você é membro da equipe, pois muitos desses projetos de paixão se centram em quantidades muito limitadas de tempo. Então, quando eu fui fazer esse projeto, a ideia veio para mim, e o casal disse que ficaria feliz em participar. Não havia muito tempo para pensar.

Fiquei surpresa como foi cansativo mentalmente e fisicamente. Dez dias de filmagem sem parar, só eu. Fiquei muito grata pelo One World Media, que financiou a viagem e também forneceu suporte. Um comissário de documentários sênior da Al Jazeera foi meu ponto de contato e tivemos conversas regulares todos os dias.

Em termos do processo real, para mim, o estilo era muito observacional, por isso veio de forma bastante natural. Eu estava filmando o que estava lá, realmente. Eu acho que o desafio provavelmente foi fazer tudo por conta própria, porque a filmagem é muitas vezes um esforço de equipe.

Que conselhos daria às pessoas que estão apenas começando no jornalismo?

Você pode aprender muito sobre escrita, gestão, trabalho em equipe, negócios, arte de fazer televisão ou programação, tudo a partir de uma redação. Mas eu acho que o jornalismo real exige que você saia da sala de redação, seja indo para o exterior ou para a rua. Por exemplo, tivemos algumas notícias horríveis no Reino Unido recentemente, coisas como o incêndio da Grenfell Tower. Essa foi uma matéria enorme que aconteceu literalmente a 15 minutos de metrô da sala de redação.

Mesmo que isso signifique fazer um trabalho que não seja jornalístico por alguns meses e planejar sua viagem e economizar dinheiro, de certa maneira é melhor do que ir ter um trabalho de escritório que pode parecer ótimo, mas não deixa você ficar cara a cara com as histórias que precisa fazer.

Outro conselho é encontrar uma rede. O Facebook é ótimo agora, porque há muitos grupos onde jornalistas estão ajudando outros jornalistas. Há muitas pessoas que passaram pelo que você está passando e que estão muito dispostas a ajudar. Nunca subestime sua experiência e perfil únicos, porque tenho certeza que há muitas coisas que tornam sua experiência completamente singular -- e isso também pode ser útil para outras pessoas.

Esta entrevista foi resumida e editada.

Imagens cortesia de Olivia Crellin