Jornalista do mês: Jorge Aguado Sanchez

porTaylor Mulcahey
May 19, 2019 em Jornalista do mês
Jorge Aguado Sanchez

Todo mundo tem sua própria história sobre como se interessou por jornalismo. Para o jornalista ambiental espanhol Jorge Aguado Sanchez, uma série de decisões e conexões, além de um pouco de sorte, o levaram a Bruxelas, na Bélgica, a fazer exatamente isso.

Sanchez sabia que queria ser jornalista desde muito jovem, mas era difícil encontrar um emprego onde ele se encaixasse. Um dia ele encontrou uma oportunidada na IJNet que mudou sua vida: uma oficina na Irlanda que reuniu 10 jornalistas da União Europeia (UE) com 10 jornalistas da Rússia. Durante o treinamento, ele se conectou com jornalistas do Aquí Europa, uma publicação em espanho com foco na UE, que mais tarde o ajudaram a conseguir um emprego.

“É tão complicado conseguir um emprego no jornalismo que para mim foi um momento incrível. Eu não posso nem descrever”, disse ele à IJNet.

Depois de trabalhar pela primeira vez na publicação como repórter de clima e energia, Sanchez encontrou seu nicho.

"Eu escolhi jornalismo porque eu poderia escolher muitos caminhos, mas no final você precisa se concentrar em alguns deles, obter experiência em alguns deles", explicou ele. "Eu decidi ser um especialista em meio ambiente e direitos humanos."

Agora, Sanchez deu uma parada com seu trabalho como repórter do Aquí Europa, optando por focar em comunicações para a BirdLife Europe, uma organização internacional não-governamental ambiental. A organização está atualmente realizando uma campanha na UE para as eleições de maio, e precisou de ajuda na área de comunicação.

Acreditando que suas habilidades em jornalismo o ajudariam no novo papel, Sanchez decidiu fazer uma pequena pausa e planeja voltar depois da campanha.

Sanchez ainda é jovem, mas continua cada vez mais envolvido com iniciativas de jornalismo.

Nós falamos com Sanchez sobre o seu trabalho, os desafios da reportagem sobre a UE, o jornalismo ambiental e mais.

Conversamos sobre como comunicações e jornalismo exigem conjuntos de habilidades semelhantes, mas considerando que os jornalistas devem ser imparciais, como você vê o seu trabalho como jornalista e como ativista?

Essa é uma pergunta muito boa, porque meu editor-chefe teve muitos problemas com isso. Eu acredito que o jornalismo precisa ser objetivo, sempre. Precisamos buscar esse tipo de objetividade ética. Mas também acho que estamos saindo do nosso caminho e seguimos o caminho fácil de falar sobre propaganda. Estamos caindo no sistema de propaganda de tudo, e estamos esquecendo de dar voz àqueles que realmente precisam: isso significa as pessoas que estão lutando por um sistema mais igualitário, as pessoas que estão sob ameaça, os refugiados e os ativistas da mudança climática. No final, é o nosso futuro como humanidade, e também precisamos ter empatia como jornalistas. Eu faço meu trabalho como jornalista no lado objetivo, trazendo opiniões de diferentes especialistas. Sempre pergunto ao meu editor-chefe se estou indo longe demais. [Mas] quando estou fora da redação, entro em meu ativismo. Isso significa que eu vou às marchas, falo com as pessoas, falo com especialistas. Isso também faz parte do meu trabalho porque eu conheço pessoas, ouço suas histórias e eu conheço mais.

Jorge at work

Quais são os desafios que você enfrenta trabalhando em Bruxelas e cobrindo a UE?

O maior desafio em Bruxelas é que, quando se trabalha em torno de instituições, em torno de governos, em torno do Conselho da Europa, do Parlamento e da Comissão, o maior desafio é que é uma bolha. Aqui, nós o chamamos de “bolha da UE”. Acredito que precisamos voltar às nossas raízes: conversar com as pessoas. Aqui, é fácil cair na propaganda política e dos partidos. É fácil estar sentado no escritório, receber seus comunicados de imprensa, apenas fazer duas ligações para obter a informação. Esquecemos que lá fora há um mundo amplo que quer ser ouvido.

Como você reagiu a esses desafios em suas reportagens?

O bom de Bruxelas é que muitas pessoas interessantes vêm aqui. Eu [tenho] ​​[um] exemplo do meu trabalho no Aquí Europa: quando havia um agricultor português que perdeu sua fazenda toda num incêndio, ele exigia que a UE tomasse medidas para ajudar essas pessoas. São as vozes menos ouvidas, e no final [do dia] são as mais importantes: nos dão a comida de todos os dias. Eles estavam processando a Comissão e, por estar em Bruxelas, eu o conheci. Eu amo essa parte porque mostra o compromisso de mudar e trazer políticas justas em ação.

Conte um pouco sobre o conteúdo do workshop que você encontrou por meio da IJNet e especificamente sobre o que você trabalhou.

Foi uma experiência muito boa, porque sempre temos essa visão da Rússia como o vilão do filme, mas posso dizer que conheci jornalistas realmente incríveis que estão trabalhando muito para trazer o melhor. Nós nos reunimos por uma semana na Irlanda para visitar todos os tipos de instituições. Fomos ver o Telegraph de Dublin, a RTE, a televisão pública, uma estação de rádio e mais. Mas também aprendemos sobre jornalismo em conflitos, com pessoas que trabalharam na Irlanda do Norte durante o IRA, e como as pessoas estão cobrindo, por exemplo, causas ambientais. Para mim, esse foi o mais interessante.

Para ser honesto, nós conhecemos melhor os jornalistas russos mais bebendo do que conversando. Foi uma experiência incrível. Eu aprendi muitas novas habilidades e isso realmente me inspirou. Eu [também] construí esta rede [de jornalistas] com quem ainda estou em contato. Eu sei que se eu for para a Rússia, tenho cinco casas lá e somos amigos. De tempos em tempos, eles escrevem para mim dizendo: "Olhe aqui uma oportunidade, talvez você queira trabalhar como correspondente na Rússia?" Isso seria incrível, mas muito distante agora.


Este artigo foi editado e resumido.

Imagens cortesia de Jorge Aguado Sánchez.

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