Jornalista do mês: Jessica Buchleitner

porAshley Nguyen
Jun 02 em Jornalismo investigativo

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma curta biografia e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

Cerca de sete anos atrás, a jornalista do mês Jessica Buchleitner dos Estados Unidos partiu para uma viagem que iria levá-la através de diferentes culturas e conhecer 50 mulheres na África, Ásia e Europa Oriental e Meridional.

Todos os dias faltavam no jornalismo as narrativas em primeira pessoa que Jessica queria ouvir, então ela buscou por mulheres que estavam dispostas a compartilhar suas histórias sobre a superação de obstáculos de todos os tipos. O que resultou das viagens e entrevistas de Jessica é a antologia "50 Women, Book One". A compilação apresenta uma ampla variedade de histórias de mulheres em todo o mundo que têm que lidar com a violência baseada no gênero, lutas culturais em seus países, questões de imigração e a vida em comunidades afetadas pelo conflito armado.

"As histórias são muito reais, cruas e inspiradoras, pois as mulheres demonstram coragem em face de dificuldades insuperáveis", disse Jessica à IJNet. Ela está trabalhando no segundo livro, "50 Women, Book Two", que está previsto para lançamento no verão nos Estados Unidos. Desta vez, ela vai se concentrar em histórias de mulheres das Américas e da Europa Ocidental.

Jessica começou seu trabalho no jornalismo como repórter para o Western Edition Newspaper/HP Journal, uma publicação comunitária em San Francisco. Lá, ela cobriu notícias da cidade, filantropia e desenvolvimento comunitário. Agora, ela é uma jornalista freelance para o Women News Network, uma organização sem fins lucrativos que compartilha histórias com grupos de direitos humanos em todo o mundo.

Como a IJNet ajudou você?

[A IJNet fez] me ciente das bolsas de estudo e oportunidades de bolsas por aí. Há tantas e é bom ter tudo isso em um só lugar. Eu tenho concorrido a algumas e a IJNet facilita muito a fazer isso. Até mesmo passo oportunidades para meus colegas quando eu vejo uma que serve bem para o âmbito do trabalho deles.

Eu leio artigos da IJNet diariamente para obter atualizações e dicas sobre a melhor forma de aprimorar minhas habilidades. A IJNet tem acesso a tantas ferramentas, dicas e truques que podem ajudar a melhorá-lo profissionalmente. Uma fronteira que eu quero melhorar é edição de vídeo. Recentemente assisti a uma série de vídeos de David Burns sobre  filmagem e edição com dicas que podem fazer a diferença entre um vídeo amador e profissional.

Você parece ser uma ativista e jornalista. Começou primeiro como jornalista? Quando o ativismo entrou em jogo e você acha que hoje em dia ainda é necessário ter uma linha entre os dois?

Comecei como jornalista e escrevi sobre vários temas de finanças, negócios, ciência e mulher. Depois de descobrir tanto como jornalista, eu queria uma maneira de ficar mais envolvida em questões da mulher e influenciar em mudanças. Estou neste momento no conselho de diretores da Women's Intercultural Network, uma ONG consultiva junto às Nações Unidas.

Há muito debate, especialmente com o advento da tecnologia atual, sobre como separar o jornalismo e ativismo. Eu acho que tudo se resume ao conceito de liberdade de expressão, como o jornalismo e ativismo estão tão incorporados neste conceito. Quando você olha para alguns dos principais movimentos históricos nos Estados Unidos, como o movimento anti-guerra do Vietnã, os direitos civis e até mesmo de volta para 1800, quando abolicionistas estavam publicando seus próprios jornais, o jornalismo e ativismo estiveram lado a lado em muitas maneiras.

O que separa o jornalismo do ativismo é a objetividade. A primeira obrigação do jornalismo é a verdade e sua lealdade é para com os cidadãos, proporcionando-lhes as informações necessárias para navegar na sociedade. No entanto, penso que este é o lugar onde a linha pode ficar embaçada ou confusa, especialmente porque os jornalistas devem permanecer independentes daqueles que eles cobrem e os ativistas sempre se envolvem.

A notícia é sobre os fatos. Os jornalistas devem ser tão transparentes quanto possível sobre fontes e métodos para que o público possa fazer a sua própria avaliação das informações. Eu acho que contanto que o jornalista continue a ser objetivo, a linha é definida.

Descreva uma de suas experiências de reportagem favoritas. Que trabalho gerou?

Às vezes, questões de diplomacia podem criar fissuras na sua reportagem ao você se comunicar com fontes na cena internacional. Uma entrevista que eu fiz foi sobre sequestro de noivas no Daguestão, Chechênia e Ingushetia. Acabei em uma enrrascada, porque uma das fontes principais teve algumas questões diplomáticas graves devido ao seu trabalho na região logo depois da entrevista. Tivemos que fazer muito para proteger a identidade dela e suas filiações, mas eu consegui salvar a entrevista e transformá-la em uma matéria informativa. Às vezes, esses desafios surgem. São sérios, então você tem que ser criativo ainda que cauteloso, [e] ainda dar um jeito quando acontece uma situação [difícil].

Que conselho daria a quem quer ser jornalista?

Aprenda tanto sobre tecnologia quanto puder. Aprenda a programar, aprenda a interpretar e analisar dados, aprenda sobre métricas de mídia social e como promover o engajamento de notícias através da mídia social, aprenda a filmar e editar vídeo - aprenda, aprenda, aprenda e nunca pare. Você sempre estará em uma viagem constante, então se acostume a aprender coisas novas.

Esta entrevista foi resumida e editada.

Imagem cortesia de Jessica Buchleitner