Jornalista do mês: DJ Yap

porKorey Matthews
Feb 6, 2019 em Jornalista do mês
DJ Yap

O jornalista filipino DJ Yap faz jornalismo desde muito novo. Ele ocupou cargos de liderança em redações no início de sua vida, como editor do jornal da escola no ensino fundamental, ensino médio e universidade.

Agora Yap é repórter sênior do Philippine Daily Inquirer, um jornal diário popular nas Filipinas. No entanto, apesar de suas raízes jornalísticas, ele não escolheu imediatamente o jornalismo como carreira.

"Quando eu estava fazendo minhas inscrições para a faculdade, realmente não considerava jornalismo", disse ele. "Meu pensamento na época era que não ia ganhar dinheiro com isso e achava que queria uma carreira mais lucrativa."

Ele tentou medicina, mas logo percebeu que não era a profissão para ele.

“Levou apenas alguns anos para perceber que eu não fui feito para ser médico. Fiz minha transferência para o departamento de jornalismo e não olhei para trás desde então”, disse Yap.

Durante seus dois últimos anos de faculdade, ele ganhou uma bolsa de estudos do Inquirer, então foi natural que ele tentasse trabalhar lá depois de se graduar. Ele foi contratado primeiro para trabalhar como pesquisador, apenas alguns meses depois de se formar, e está no jornal desde então. Ao longo do caminho, Yap trabalhou em diferentes editorias e vai celebrar 15 anos no jornal em julho.

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Yap atualmente cobre a legislatura filipina, particularmente o senado. Ele se concentra na legislação proposta e pendente sobre federalismo, uniões entre pessoas do mesmo sexo, divórcio e outros assuntos controversos.

Ele também está trabalhando em uma reportagem longa sobre o conflito em Mindanao, uma área no sul do país.

"Estou planejando fazer um trabalho sobre os povos indígenas que são pegos no fogo cruzado deste conflito entre cristãos e muçulmanos, considerando o fato de que eles são os únicos que estavam lá o tempo todo", disse Yap.

Para a matéria, Yap planeja usar algumas das ferramentas que ele adquiriu no Seminário de Jornalismo Sênior do East-West Center, que foi uma bolsa de estudo que ele encontrou através da IJNet. O programa enfocou o papel da religião na esfera pública, especificamente em termos das relações dos Estados Unidos com as regiões de maioria muçulmana. Ele passou várias semanas em setembro de 2018 viajando para diferentes partes dos Estados Unidos e da Tunísia, examinando a diversidade da identidade religiosa, reunindo-se com funcionários do governo e explorando o papel da mídia em matérias com elementos religiosos.

“Vou usar os contatos, recursos e materiais [da bolsa] para dar mais profundidade à reportagem”, disse Yap. “É uma matéria que pode ressoar em todos os lugares onde há conflitos religiosos. Há muitos temas universais dessa bolsa que eu posso aplicar ao tipo de jornalismo que faço nas Filipinas.”

Conversamos com Yap sobre o que a IJNet representa para ele, o estado do jornalismo nas Filipinas e seu conselho para jovens jornalistas.

IJNet: O que a IJNet e ser destacado como Jornalista do mês da IJNet significam para você?

Yap: Eu estou realmente animado com a chance de usar esta plataforma para falar com jornalistas mais jovens. Como jornalista maduro, quero cada vez mais envolver os jovens e descobrir o que eles acham do que está acontecendo [na mídia], e esta plataforma é realmente importante. Isso dá aos jornalistas a chance de expandir sua visão de mundo para entender mais do mundo, vendo as oportunidades que estão disponíveis para eles.

A bolsa da qual participei permitiu-me interagir e fazer amizades com outros 12 jornalistas de todo o mundo. Eu posso escolher qualquer um dos seus países, ir lá e tomar café com eles. Um dos participantes que se tornou amigo íntimo veio recentemente da Singapura. Eu mostrei a cidade para ele, incluindo lugares que ele normalmente não iria. Eu acho que, em última análise, é isso que a IJNet pode fazer pelos jornalistas: conectar jornalistas que, de outra forma, nunca poderiam se encontrar. Se eu tivesse descoberto a IJNet no início da minha carreira, tenho certeza de que seria um jornalista melhor e mais completo do que sou agora.

O que você acha do estado do jornalismo em seu país, as Filipinas?

É muito desafiador, especialmente sob a administração atual, no tipo de clima que temos. O público se tornou desconfiado da mídia de massa tradicional como o meu jornal. As pessoas nos chamam de “fake news” ou que somos motivados por certas agendas políticas que favorecem uma ou outra parte. É muito desafiador e nos encontramos defendendo o que fazemos. Temos que mostrar a elas que o que estamos fazendo é um serviço público. É um desafio, também porque o presidente tem sido bastante ativo em atacar deliberadamente as organizações de notícias, alvejando várias delas, incluindo nosso jornal.

Você tem algum conselho para alguém querendo entrar no campo do jornalismo?

O mais cedo possível, tente encontrar sua própria voz única ao escrever matérias. Acho que devemos a nós mesmos e aos nossos leitores prestar muita atenção em como compomos o nosso artigo.

O segundo conselho está ligado ao que eu disse anteriormente sobre as ameaças enfrentadas pela indústria da mídia: aguente firme. Se você está no jornalismo, eu aconselho você a ficar. Acredito que em algum momento a maré vai virar, e o público perceberá que precisa de nós e precisa de jornalismo.


A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usou o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, clique aqui.  

Imagens cortesia de DJ Yap. Essa entrevista foi editada por extensão.