Jornalista do mês: Didem Tali

porSam Berkhead
Mar 25, 2017 em Jornalista do mês

Nascida e criada na Turquia e agora com base em Istambul, a jornalista freelance Didem Tali viajou a quase todos os cantos do globo. Ela já reportou da Europa, Oriente Médio, África, Ásia e América Latina, e sua assinatura aparece desde na Al Jazeera ao site VICE.

Sua carreira de jornalista hoje está muito longe de quando ela começou como correspondente para o agora-extinto Southeast European Times, enquanto fazia seu mestrado na London School of Economics. Mais a fundo no jornalismo, Tali encontrou bolsas de estudo e subsídios com organizações como a International Women’s Media Foundation, Simon Cumbers Media Fund, Thomson Reuters Foundation e International Journalists’ Programmes.

Mais recentemente, ela passou quatro dias na Faculdade de Jornalismo de Columbia, em Nova York, para um treinamento sobre experiência na primeira infância e o cérebro em desenvolvimento do Centro Dart. Ela descobriu o programa através da seção de oportunidades da IJNet. Durante o instituto de quatro dias, Tali participou de uma variedade de painéis e apresentações com especialistas em desenvolvimento infantil, bem como seminários de jornalistas sobre como produzir reportagens significativas sobre esses temas.

"Eu me candidatei a esta bolsa porque reportei muito sobre assuntos infantis: casamento de crianças, crianças de rua, trabalho infantil -- um monte de questões que você pode pensar", disse ela. "Se não fosse pela IJNet, acho que nunca teria encontrado esta oportunidade, porque trauma infantil e questões de desenvolvimento são um nicho muito pequeno."

Nós conversamos com Tali sobre ter sucesso como freelancer internacional e mais:

IJNet: Você já trabalhou para muitas organizações de notícias realmente importantes. Quais dicas tem para as pessoas que estão apenas começando a fazer freelance?

Tali: Eu diria que a coisa mais importante a ter é paciência, porque isso constrói um portfólio bom, que realmente exige muito tempo e é um processo muito massivo. Um bom portfólio realmente significa milhares de rejeições e entrevistas recusadas de editores e fontes. O processo é confuso. Gostaria também de acrescentar que para construir uma carreira freelance bem sucedida é preciso ter pele grossa e ser paciente.

Qual é a matéria mais desafiadora que você já trabalhou até agora?

A matéria mais desafiadora em que já trabalhei foi quando estive no Peru, onde descobri a exploração ilegal de madeira na Amazônia. Isso foi fisicamente muito difícil porque eu acampei na Amazônia por alguns dias. Eu estava dormindo no chão em uma parte muito remota da Amazônia e fui mordida por cerca de 100 mosquitos. Para essa matéria, eu tive que conversar com madeireiros ilegais, que carregavam armas e facões -- às vezes me sentia um pouco insegura. No final do dia, acho que valeu a pena porque a matéria foi lida e recolhida por um monte de autoridades ambientais focando em exploração madeireira ilegal; por isso estou feliz com isso.

O que diria que é a coisa mais gratificante sobre seu trabalho?

Talvez seja uma coisa ingênua pensar assim, mas acredito que uma boa matéria pode fazer diferença. Às vezes, quando nós jornalistas fazemos uma matéria sobre um tópico importante, parece que estamos jogando uma pedra minúscula em um buraco negro. Mas eu acredito no efeito borboleta das matérias que cobri. Muitas vezes, quando faço uma matéria importante, percebo que as ONGs ou pessoas que podem ajudar as comunidades afetadas aprendem algo e trabalham nas áreas que eu destaquei em minhas reportagens. Estes são geralmente momentos muito gratificantes.

Imagens cortesia de Didem Tali