Jornalista do mês: Baqer Ebrahimi

por Mehrnaz Samimi
Jul 4, 2018 em Jornalismo básico

A cada mês, a IJNet apresenta um jornalista internacional que exemplifica a profissão e usa o site para promover sua carreira. Se você gostaria de ser apresentado, envie um e-mail com uma biografia curta e um parágrafo sobre como usa os recursos da IJNet, aqui.

Baqer Ebrahimi começou a trabalhar como jornalista profissional em Rah-e-Farda ("Caminho para o Amanhã") no Afeganistão em 2013 depois de fazer um curso de curta duração em jornalismo. Ele primeiro cobriu esportes e foi migrando para reportagem exclusiva sobre esportes femininos. Ele trabalha para o Epoch Times, baseado em Toronto, desde 2017, e escreve principalmente sobre as notícias atuais no Afeganistão.

Baqer também começou a frequentar a faculdade há três anos e está cursando relações internacionais em uma universidade particular em Cabul. Mais do que qualquer outra coisa, ele se preocupa com a segurança dos jornalistas em seu país.

Leia a entrevista da IJNet com o jornalista aqui:

IJNet: Sendo que você acompanhou de perto e informou sobre questões das mulheres, o que você acha da situação atual dos direitos das mulheres no Afeganistão?

Mais do que qualquer outro grupo da sociedade, as mulheres e meninas no Afeganistão sofreram durante as tensões, guerras e conflitos neste país. A era do Taleban foi o pior período da história das mulheres afegãs, razão pela qual é conhecida como a "Era Negra" na história das mulheres afegãs.

Hoje em dia, à luz de um novo capítulo na história deste país, as mulheres afegãs estão tentando fazer história e mudar seu curso. Eu estou fazendo o meu melhor para fazer parte dessa mudança, reportando-a para esclarecer a comunidade global.

Qual é o seu conselho para os jornalistas mais jovens que estão começando suas carreiras em reportagens internacionais?

Para se tornar e permanecer um jornalista profissional, o jornalismo deve ser sua paixão, não apenas sua carreira. Nesse caso, devem buscar oportunidades para aprimorar seu conhecimento e experiência, e entregar um trabalho melhor como resultado.

Também é importante combater a banalidade e a rotina e sempre lembrar de avaliar o ponto de vista, as sensibilidades e as afinidades do público.

Cabul é atualmente um ambiente inseguro para jornalistas. Que precauções você toma para manter sua segurança e como você se concentra nas reportagens e sua produtividade?

O Afeganistão é de fato extremamente inseguro para os jornalistas. Segundo o Repórteres Sem Fronteiras, é um dos países mais perigosos do mundo para eles, especificamente em Cabul.

Eu estaria mentindo se dissesse que não temo esse fato ou não me preocupo o tempo todo, mas não há outra alternativa além de aceitar esses fatos, sendo mais cuidadoso e focado no trabalho. O que mais me motiva é minha busca pela democracia e esperança para o futuro. Todos trabalhamos na esperança de que nosso país e as pessoas finalmente encontrem a paz.

Que dicas de segurança você tem para jornalistas afegãos e jornalistas estrangeiros que trabalham no Afeganistão?

Como outros já disseram, não há matéria ou história que seja mais valiosa do que a vida de alguém. Eu recomendo que essa frase seja levada a sério por meus colegas de trabalho, para que eles não acabem como dezenas de nossos colegas que embarcaram em uma reportagem e nunca voltaram.

Use equipamentos de proteção, como coletes à prova de balas ou de segurança e capacetes de segurança. Antes de sair para uma reportagem de campo ou entrevista, pesquise a área e saiba sempre onde você mora. Descubra estradas secundárias e rotas alternativas para pegar em caso de ataque ou perigo. Fique longe das áreas das linhas vermelhas e ouça as advertências das forças de segurança, que, infelizmente, alguns jornalistas afegãos não escutam.

Infelizmente, o atual estado de segurança em nosso país é pior e mais frágil em comparação com o passado, então tomar medidas extras de segurança é extremamente importante, agora mais do que nunca. Se você encontrar um ataque em uma província ou no caminho, tente se comunicar com o invasor ou sequestrador e tente trazer pontos em comum ou interesses com eles, como a mesma religião, país ou valores.

Como você usou a IJNet para avançar em sua carreira?

A IJNet é extremamente útil para mim. Eu leio regularmente os posts da IJNet em Persa e concorro a muitas oportunidades de jornalismo. Por causa da IJNet, decidi estudar inglês e aprimorar minha fluência, o que estou fazendo. Eu serei capaz de concorrer a mais oportunidades se eu tiver um melhor domínio da língua inglesa.

Também usei alguns dos softwares e ferramentas que a IJNet introduziu ou recomendou, e eles têm sido muito úteis. Eu leio as dicas para permanecer seguro com muito cuidado e implemento-as diariamente.

Aprendi muito com a IJNet nos últimos dois anos e espero que continuem com o bom trabalho e continuem ajudando jornalistas como eu.

Imagem cortesia de Baqer Ebrahimi