Inovadores da Índia discutem como lidar com notícias falsas

porElyssa Pachico
Mar 21 em Miscellaneous

Jornalistas indianos viram em primeira mão que tipos de problemas podem ser causados pela disseminação de notícias não verificadas. No ano passado, rumores que se tornaram viral no WhatsApp provocaram pânico em relação a uma inexistente escassez de sal, ao lado de falsos relatos de que o dinheiro em espécie estava embutido com dispositivos de rastreamento, como informou o Indian Express.

Jornalistas, tecnólogos e outros se uniram para compartilhar ideias sobre como combater a difusão de notícias falsas durante uma discussão realizada pelo site de notícias Medianama, em Nova Deli, e pela empresa de notícias LiveMint.

Como o Medianama reportou em uma série de várias partes, os participantes compartilharam as seguintes sugestões sobre como mídias, empresas de tecnologia e o governo podem abordar este problema:

1. Entenda que há mais de um tipo de notícia falsa.

Segundo Nasr ul Hadi, bolsista Knight do ICFJ, pode ser útil distinguir entre diferentes categorias de desinformação, que ele definiu da seguinte forma:

a.) Desinformação gerada pelo usuário: Hadi descreveu isso como essencialmente "boatos ou jornalismo cidadão errôneos".

b.) Desinformação endossada pelo editor: Neste caso, disse Hadi, é o "editor concebendo informações erradas". Isso pode acontecer de uma miríade de maneiras, de má fontes a reportagens sem material corroborante

c.) Desinformação organizada: Esta consiste em publicações ou sites de notícias criadas especificamente para produzir notícias falsas, ou campanhas de propaganda deliberadamente destinadas a enganar o público.

Fazer essas distinções ajuda a informar as estratégias que os meios de comunicação, tecnologia e setores do governo desenvolverão para lidar com notícias falsas, Hadi argumentou.

"Os editores, não importa quão sofisticados, não serão capazes de segurar diretamente a bola de neve que está rolando em direção a eles, razão pela qual não haverá uma única solução", disse ele. "Haverá um portfólio de soluções direcionadas a várias fontes de desinformação."

Por exemplo, no caso de usuários de redes sociais espalhando desinformação, plataformas tecnológicas poderiam assumir mais responsabilidade criando uma "pontuação" ou verificando os usuários de alguma forma, disse Hadi, um argumento ecoado por outros durante o evento.

2. Entenda por que as notícias falsas podem ser produzidas e disseminadas com sucesso.

Hadi enfatizou que a própria natureza de uma organização de mídia séria -- comparada com uma configurada para desinformar -- as coloca em desvantagem. Ao contrário de sites que fazem dinheiro quando a desinformação é viral, os sites de notícias precisam dedicar significativamente mais tempo, esforços e recursos para produzir matérias que podem ou não ser lidas extensamente.

Uma "organização de disseminação de falsidade", disse Hadi, precisa de muito menos pessoas e tecnologia muito menos sofisticada para produzir conteúdo. Outra vantagem é que muitos sites de notícias falsas estão "espalhando coisas que mexem muito mais diretamente com a emoção humana", acrescentou, o que ajuda as matérias a serem amplamente lidas e compartilhadas.

3. Mantenha a pressão sobre as plataformas tecnológicas para agirem mais.

Vários participantes falaram sobre a necessidade de gigantes tecnológicos como o Facebook de regularem a disseminação de informações falsas.

"A única regulamentação que pode e deve acontecer está no nível de plataforma", argumentou Rajesh Lalwani, CEO da empresa de marketing Scenario Consulting. "Eles têm os meios, as maneiras e a responsabilidade. Esperar que os proprietários de mídia vão fazer algo não vai acontecer. Esperar que os leitores não vão participar, não vai acontecer. Não queremos que o governo regule. A resposta está na plataforma."

H.R. Venkatesh, bolsista Knight do ICFJ, concordou com Lalwani, afirmando: "Quando se trata de notícias falsas nas redes sociais, precisamos de jornalistas e editores no Facebook."

Snehashish Ghosh, gerente associado do Facebook em Nova Delhi, disse que entendeu essas preocupações.

"Acho que uma coisa importante que não queremos ser é o árbitro da verdade a qualquer nível, e isso é claro para nós", disse ele. "No momento, a maneira como lidamos com spam é a mesma maneira que estamos tentando lidar com fraudes, dando aos usuários um mecanismo de relatório claro [para sinalizar notícias problemáticas]."

O que você acha que a mídia, tecnologia e governo devem fazer para combater notícias falsas? Envie seu comentário no IJNet Forum no Facebook.

Nasr ul Hadi trabalha com organizações de mídia na Índia para melhorar o acesso a informações e jornalismo de qualidade, desenvolvendo e expandindo o uso de novas tecnologias e melhores práticas digitais Saiba mais sobre seu trabalho como bolsista Knight do ICFJ aqui.

H.R. Venkatesh tem mais de 15 anos de experiência como jornalista em reportagem, edição e ancoragem. Ele é ex-bolsista do Tow-Knight Center for Entrepreneurial Journalism e fundador do NetaData, um site de notícias político indiano. Ele é bolsista Knight do ICFJ em 2017 na Índia.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via vishwaant avk