Inovadores digitais contribuem ao desenvolvimento da mídia em Belarus

por یولیا ملنیک
Apr 5, 2011 em Jornalismo básico
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Maria Sadovskaya participará de um painel no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa em maio.

Sadovskaya, que atualmente é aluna de pós-graduação em jornalismo na Universidade de Columbia em Nova Iorque, vai contar a história da Rádio Europeia de Belarus, uma rádio FM, por satélite e online que começou em um apartamento em Varsóvia, Polônia, em 2006. Ela fará parte de uma sessão extraordinária com foco em nativos digitais realizada no dia 2 de maio.

Como parte de nossa série Perfil e antecedendo o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a IJNet conversou com ela sobre como os jovens no seu país de origem usam e consomem notícias hoje em dia.

IJNet: Quantos jovens em Belarus estão ativos online? A Internet é disponível e acessível em seu país de origem?

Sadovskaya: Jovens de Belarus usam ativamente blogs, especialmente Livejournal, que tem 80 mil blogs bielorrussos registrados e redes sociais. Mais de 300 mil pessoas usam o Facebook. Quase o mesmo número usa o Vkontakte, seu clone russo. O número de usuários do Twitter está crescendo e chegou a 17.000.

O órgão nacional de estatísticas declarou que 31,8 por cento dos bielorrussos são usuários ativos da web e cerca da metade deles estão online diariamente. De acordo com dados recentes do Gemius, (empresa que controla o uso da Internet na Europa Central e Oriental), Belarus tem a menor penetração da banda larga na Europa Central e Oriental, menos de 10 por cento, mas, ao mesmo tempo, a mais jovem audiência online - 67 por cento dos usuários têm entre 15 e 34 anos.

Embora a banda larga não seja amplamente acessível e muitas vezes ser baseada em um sistema de pagamento por tráfego, as vias alternativas de acesso à web são a DSL, Internet móvel, Wi-Fi, e a mais lenta e antiga dial-up.

IJNet: Quais são as vantagens e desvantagens das novas mídias em Belarus?

Sadovskaya: O uso de novas mídias visando o público jovem é definitivamente uma vantagem em Belarus. Os jovens são a parte mais dinâmica da população, e estão abertos a desafios e para o mundo. Uma vez que o tráfego de banda larga em Belarus é caro, você precisa apresentar o seu produto de uma forma que os jovens estejam contentes em pagar. Isso levanta a a questão da qualidade seriamente.

Ao mesmo tempo, os jovens são co-criadores ativos de conteúdos de multimédia online, e são contribuintes importantes para o nosso noticiário diário, através de feedback via comentários, redes sociais, e blogs.

Assim como o resto do mundo, o futuro da mídia tradicional em Belarus depende do quanto ela se envolve com a sua crescente audiência da web, mesmo nos casos em que essa audiência não represente a maioria dos seus leitores, telespectadores ou ouvintes.

IJNet: Quais as tecnologias que ajudam os jornalistas online a apresentar melhor a informação?

Sadovskaya: O lado tecnológico do jornalismo online se torna mais fácil a cada dia. Um site de mídia bem sucedido pode ser executado em plataformas de código aberto como o Drupal ou mesmo o WordPress. Mesmo câmeras baratas apresentam uma qualidade bastante boa de imagem para a web e a qualidade dos telefones celulares é satisfatória o suficiente para o envio de reportagens ao vivo de protestos de rua e outros eventos importantes.

IJNet: Que tópicos desperta maior interesse para seus ouvintes?

Sadovskaya: A Eurorádio começou em 2006 como um canal de rádio dirigido à juventude, que mais tarde se transformou em uma plataforma multimídia mais ampla. Os jovens são os mais atingidos pelas autoridades e os menos atingidos pela mídias independentes de Belarus. Desde 2003, o governo introduziu a ideologia do Estado como um assunto nas escolas e universidades e também apoia vários meios de comunicação dedicados à juventude, para atrair as gerações mais jovens.

Quando a Eurorádio foi lançada na Polônia (porque a rádio não teria sido capaz de obter uma licença em Belarus), haviam várias emissoras estrangeiras focalizando em Belarus, mas todas usavam canais ultrapassados, tais como ondas curtas ou médias, com serviços de web limitados e utilizando na maioria o formato de entrevistas.

A importância das empresas de radiodifusão não deve ser subestimada, mas o público jovem em Belarus, como em todo o mundo, prefere ouvir música e entreterimento. A Eurorádio decidiu experimentar com o formato de uma estação de CHR/Rock (rádio hit contemporânea), com 70 por cento de música e 30 por cento de texto.

O formato da Eurorádio não se alterou significativamente desde então, mas a parte de informação se tornou mais forte ao longo do tempo e mais relevante para o público crescente.

Programas, como o o show diário noturno "Eurozoom" trazem assuntos sérios da vida política e econômica, mas também tocam em temas puramente "jovens", como a vida de estudante, as escolhas profissionais dos jovens, viagens e trabalho no exterior, concertos, novas exposições, e etc.

JNet: Como vocês abrangem temas relevantes para Belarus, enquanto transmitem de fora do país?

Sadovskaya: A Eurorádio agora tem um escritório em Belarus que tem acreditação do Ministério das Relações Exteriores. A maioria de suas notícias são preparadas por repórteres em Minsk e regiões da Bielorrússia e, posteriormente são produzidas e apresentadas por DJs e locutores da Varsóvia, de onde acontece a transmissão ao vivo...

IJNet: Como vocês se mantêm em contato com o público online e jornalistas cidadãos?

Sadovskaya: O principal desafio para a estação é receber feedback. Enquanto 87 por cento do nosso público usa algo diferente dos canais da web para nos ouvir, o nosso maior feedback é online.

Nós estamos também tentando obter opiniões de jovens menos ativos na web através de grupos focais e análise de dados de investigação sociológica.

IJNet: Quão difícil é ficar atualizado com as necessidades e interesses dos jovens?

Sadovskaya: O principal desafio é estar em dia com as tendências da juventude e, se possível, ser um formador de opinião. A Eurorádio co-organiza um festival de rock "Be Free", realizado na fronteira Ucrânia-Belarus, que atraiu milhares de jovens bielo-russos. Estamos presentes em shows e em todas as atividades possíveis dos jovens em Belarus. Estamos blogando e twittando e incentivando o feedback, muitas vezes re-postando coisas que a geração mais jovem considera "bacana", mesmo que às vezes não seja compreensível para as pessoas mais velhas. Também temos sempre estudantes fazendo estágio para não ficarmos desatualizados e para que possamos transmitir competências para a nova geração.

IJNet: Qual é a importância de difundir na língua de Belarus?

Sadovskaya: O idioma bielo-russo é refrescante e moderno - isto é, pelo menos é assim que muitos jovens de Belarus o consideram. Mais e mais empresas ocidentais percebem isso e demandam versões locais dos seus anúncios na língua bielo-russa. Desde que a mídia oficial bielo-russa está superlotada de canais em língua russa, nós oferecemos a língua bielo-russo como um sinal de diferença e "de qualidade europeia", e nosso público aprecia isso.

IJNet: Qual treinamento em jornalismo os jornalistas de Belarus precisam? Está disponível?

Sadovskaya: Eu acho que o treinamento de jornalistas é muito importante, assim como cursos que melhorem a edição online e promoção da web. Jornalistas de Belarus precisam entender melhor a importância da presença na Internet, inclusive na mídia social. Ao mesmo tempo, as formas tradicionais de treinamento também precisariam...

IJNet: O seu canal alguma vez teve problemas com as autoridades?

Sadovskaya: Nosso equipamento em Minsk foi confiscado duas vezes e nossos editores foram interrogados desde as eleições presidenciais.

IJNet: Você pretende ensinar jornalismo no futuro?

Sadovskaya: Eu gostaria de ser capaz de ensinar jornalismo em Belarus, em um sistema de ensino livre de controle ideológico por qualquer força política. Vou fazer o que puder, entretanto, para compartilhar com meus colegas o conhecimento e a experiência que ganhei fazendo meu mestrado na Universidade de Columbia.