ICFJ cria manual de ética para jornalistas digitais

porVladimir Vasquez
Jul 8, 2018 em Jornalismo básico

O Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) lançou o manual em espanhol “Ética Periodística en la Era Digital”, abordando as principais preocupações de jornalistas e organizações de mídia em todo o mundo em relação aos desafios éticos da era das notícias digitais.

O manual é dividido em 10 capítulos que exploram tópicos como os fenômenos referentes à pós-verdade. Enfatiza o trabalho dos sites de checagem de fatos que expõem a desinformação e promovem informações verificadas.

O guia também encoraja o público a detectar notícias falsas por conta própria, destaca a necessidade de treinar estudantes e jornalistas para valorizar a verdade e ressalta a necessidade de um jornalismo investigativo e de dados de qualidade.

Outros tópicos são os desafios que resultam da expectativa de atualizações instantâneas e notícias em ritmo acelerado, bem como a independência editorial, novas estruturas financeiras que resultam da publicação digital e como evitar o sensacionalismo na era visual.

O jornalista colombiano Javier Darío Restrepo, diretor do Escritório de Ética da Fundação Gabriel García Márquez para o Novo Jornalismo Ibero-americano (FNPI), fez parceria com Luis Manuel Botello, vice-presidente de novas iniciativas e impacto no ICFJ para compilar o manual sobre os problemas enfrentados pelos jornalistas na era digital. O projeto foi apoiado pela Unesco e pelo governo da Suécia.

Os autores consultaram especialistas e entrevistaram mais de 30 jornalistas latino-americanos durante uma apresentação sobre jornalismo e ética realizada na Conferência Latino-Americana de Jornalismo Investigativo (COLPIN).

O ICFJ lançou um microsite em espanhol para complementar o manual, com vídeos sobre os tópicos abordados no manual.

Em meio à confusão sobre a validade das informações publicadas nas plataformas sociais, os jornalistas precisam ser particularmente cuidadosos. O manual explora essa responsabilidade.

"Os erros mais comuns são supor que tudo que circula nas redes sociais é verdadeiro e não dar importâncias paras as alegações," disse Botello. "Em um mundo onde todos têm uma plataforma de publicação à mão, a cultura da verificação de fatos torna-se mais relevante." 

Com o surgimento de conteúdo e notícias gerados por usuários, agora é mais importante do que nunca produzir jornalismo de maior qualidade. O manual sugere que os jornalistas devem "preencher os buracos e deficiências" durante os eventos de última hora, onde informações incompletas e não verificadas podem se espalhar pela internet em um segundo.

Com tantos conteúdos não verificados e anônimos circulando na internet, a literacia jornalística também deve ser um foco contínuo para que os consumidores de notícias possam identificar informações de qualidade e fontes confiáveis.

Segundo Restrepo, algumas das recomendações mais importantes para jornalistas que enfrentam dilemas éticos na era digital podem ser resolvidas pela compreensão de que o jornalismo é um ato de serviço público.

"O desafio é olhar para a crise causada pela cultura digital como uma oportunidade. Esse desafio precisa ser complementado por uma reflexão sobre o fenômeno da pós-verdade e a relação entre jornalismo e tecnologias digitais", disse Restrepo. "Hoje, tal reflexão é [frequentemente] sacrificada por causa da urgência, e informações abrangentes podem ser sacrificadas pela obrigação de ser curto e rápido."

Quando os jornalistas enfrentam o dilema de fornecer informações imediatas mas incompletas, ou atrasadas mas completas, o manual sugere que façam uma série de perguntas, incluindo: Que vantagens as notícias instantâneas oferecem aos leitores? Quem se beneficia da velocidade da informação?

Informações instantâneas podem ser úteis em situações como desastres naturais, onde podem ajudar a salvar vidas. No entanto, os autores explicam que, quando se trata de comunicar acordos políticos ou nova legislação, a velocidade não deve ser uma prioridade.

Você pode ler o manual em espanhol ou visitar o microsite para mais informações.

Vladimir Vásquez é um jornalista da Nicarágua. Atualmente trabalha como freelancer e também é diretor e co-fundador da Terabyte Nicaragua.

Imagem principal sob licença CC no Flickr, via anlopepe