Ganhador do prêmio Pulitzer de fotografia compartilha método e obras

por Jessica Weiss
Nov 5, 2012 em Jornalismo multimídia

David Hume Kennerly fotografou oito guerras e todos os presidentes dos EUA desde 1968, mas a primeira coisa que ele verifica quando vai a uma missão não é sua câmera.

"Todos os bons fotógrafos sabem a história", disse Kennerly, que ganhou o Prêmio Pulitzer de Fotografia em 1972. Fazer sua lição de casa sobre um assunto significa que "eles vão estar mais dispostos a deixá-lo entrar em suas vidas para que você possa fazer seu trabalho."

Kennerly convenceu todos os presidentes desde Nixon a deixá-lo entrar em suas vidas, capturando imagens que vão desde um retrato da intimidade do casal Obama a um animado Ronald Reagan. O fotógrafo doou uma coleção de suas fotos presidenciais para leilão anual do Centro Internacional para Jornalistas.

Kennerly, cujas fotos apareceram nas capas das revistas TIME e Life pelo menos 35 vezes, conversou com a IJNet sobre sua carreira, fotojornalismo, a era digital e como ele fica inspirado.

IJNet: Como foi sua trajetória de carreira de fotografia?

DHK: Minha formação está enraizada solidamente na mídia impressa. Mas estes dias, minha renda mudou de 95 por cento jornalismo a 95 por cento trabalho comercial. O legal é que eu ainda estou fazendo o mesmo tipo de fotos. Esse ano eu fui para a Índia e Haiti trabalhar para o meu maior cliente, o Bank of America. Eles patrocinam a Vital Voices, uma organização sem fins lucrativos que administra um programa para ajudar mulheres empresárias de países em desenvolvimento a abrirem negócios, e eu fui lá documentar esse trabalho.

IJNet: Pode falar um pouco sobre a seleção de fotos que doou para o leilão do ICFJ? O que essas fotos representam para sua carreira de fotógrafo?

DHK: Meu objetivo nessa seleção foi mostrar tanto os momentos sérios como os mais leves. Se você quiser um portfólio perfeito de imagens presidenciais, é isso.

IJNet: O senhor fala abertamente sobre o fim da mídia impressa. O que vê como as maiores ameaças à fotografia e ao fotojornalismo no atual cenário?

DHK: Compreendo perfeitamente a praticidade dae mídia digital, mas me preocupo que os veículos de comunicação não estão empregando muitos fotógrafos e jornalistas. Eles pegam fotos e matérias de outros lugares. Portanto, há menos pessoas que ganham a vida como jornalistas e fotógrafos, ou pelo menos são poucos que ganham um dinheiro decente...

Uma grande vítima é a edição de fotos. Quando eu trabalhava na TIME ou Newsweek, sempre sabia que quem estava na redação era um editor profissional, e confiava que iriam pegar minhas melhores fotos. Não é um trabalho fácil. Mas agora muito disso está sendo deixado para os fotógrafos, que não são normalmente os melhores editores de si mesmos. Isso enfraquece o negócio.

IJNet: O senhor se considera um jornalista ou um fotógrafo?

DHK: Ambos. Todos os bons fotógrafos sabem a história... Por exemplo, nos anos 70, fui enviado pela TIME para fotografar o primeiro-ministro israelense, Menachem Begin. Entre outras coisas, li seu livro, A Revolta, e pesquisei tudo que pude encontrar sobre ele. Quando conheci o primeiro-ministro, eu sabia muito de sua vida e isso quebrou o gelo. Ele ficou feliz por eu ter gastado tempo para aprender sobre ele. Na minha linha de trabalho, isso significa um acesso melhor. Se os seus sujeitos gostam de você, vão estar mais inclinados a deixá-lo entrar em suas vidas para que você possa fazer o seu trabalho. Não há desculpa para ignorância, especialmente nesses dias de Google. Você tem que se importar com o que faz e como faz. Isso faz diferença na sua cobertura.

Imagem: Auto-retrato com iPhone, cortesia de David Hume Kennerly