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Estudo mostra mais confiança em publicações impressas do que digitais

porIan Gibbs
Nov 15, 2017 em Fact-checking e verificação

Confiança é um tema que não desaparecerá. No mundo todo, líderes com temperamentos muito diferentes estão lidando com questões do declínio de confiança de maneiras muito diferentes. Quaisquer que sejam essas diferenças, no entanto, o efeito decisivo para os principais meios de comunicação --implicitamente responsabilizados por não representar plenamente a mudança do sentimento público quando não estão sendo criticados abertamente-- foi profundo. Ou não?

Uma nova pesquisa global do Kantar intitulada "Trust in News" [Confiança na Notícia] revelou as atitudes sobre a mídia entre 8.000 consumidores de notícias nos EUA, Reino Unido, França e Brasil. As principais conclusões do estudo incluem:

  • As marcas tradicionais de mídia de imprensa e TV/rádio têm se mostrado mais resistentes às acusações de "fake news" do que as plataformas de redes sociais e os meios digitais.
  • Os consumidores de notícias estão lendo mais amplamente e se tornando mais sofisticados no engajamento com o conteúdo de notícias, por exemplo, com as notícias de verificação de fatos independentes que leem.
  • O público acredita que as "fake news" tiveram impacto nas eleições recentes, mas afirmam que o jornalismo de qualidade é importante para a democracia.

A força da confiança nas principais e tradicionais formas de notícia é notável. Na verdade, as revistas de notícias impressas são a fonte de notícias mais confiável (72 por cento avaliam positivamente), seguidas de perto por notícias de televisão 24 horas, boletins de rádio e jornais nacionais. Por outro lado, apenas 33 por cento concordaram que as mídias sociais "fornecem notícias em que eu posso confiar". Mesmo as versões impressas dos jornais nacionais são mais confiáveis do que os sites das mesmas organizações.

O impacto das ‘notícias falsas’

Claramente, as notícias acessadas através de canais sociais assumem muitas formas - desde o simples compartilhamento de opiniões e comentários atuais relacionados a notícias de amigos, até o consumo in-stream de conteúdo distribuído pelas principais organizações de notícias. O que é particularmente interessante, independentemente do modo de consumo de notícias sociais, é o impacto do tópico generalizado das notícias falsas sobre a confiança das pessoas nas notícias sociais.

Mais uma vez, a notícia social tomou um grande golpe. Na amostra da pesquisa, 58 por cento dos entrevistados disseram que confiam menos na cobertura da política e das notícias eleitorais nas mídias sociais como resultado de escândalos de fake news. As notícias da mídia tradicional também não são imunes. Um total significativo de 24 por cento reportou um declínio nos níveis de confiança nas notícias tradicionais, um número menor em comparação com o social. Isso é um valor expressivo, dado que o presidente Donald Trump não passa um dia sem mencionar fake news de alguma forma ou outra (ele popularizou o termo, afinal); e é nos EUA, onde os entrevistados acham que a notícia falsa teve um impacto maior em suas próprias eleições do que fora de seu país. O mesmo é verdade no Brasil. No Reino Unido e na França, os entrevistados têm maior probabilidade de achar que fake news importa mais fora de seus próprios países.

Então, por que isso é importante para as marcas de notícias?

Fundamentalmente, isso importa para as marcas de notícias porque uma linha pode ser traçada entre confiança e monetização. Numa época em que a mídia principal procura proteger, diversificar e digitalizar seus fluxos de receita, a confiança importa mais do que nunca.

Enquanto 29 por cento dos entrevistados dizem que pagaram por notícias online no ano passado --seja como pagamentos únicos ou como parte de uma assinatura em curso-- esse valor aumenta para 42 por cento entre aqueles que apresentam altos níveis de confiança em relação a marcas de jornal. Da mesma forma com o impresso, 40 por cento dos entrevistados disseram que compraram um jornal na última semana; entre aqueles que confiam em marcas de jornais, 56 por cento afirmam ter comprado.

A relação entre confiança e monetização também se estende além das assinatura de público ao impacto publicitário. "Para que as organizações de notícias se posicionem como o meio confiável de escolha devem, até certo ponto, permitir que se libertem da noção unidimensional já muito contestada de que o gasto publicitário deve ser uma função alinhada ao tempo com a mídia", de acordo com o relatório Kantar, que também diz que a confiança pode transcender métricas de atenção simples.

Enquanto isso, uma pesquisa do TGI Clickstream sugere que aqueles que acreditam em marcas de jornal são 65 por cento mais inclinados do que o adulto britânico médio a concordar que prestam mais atenção à publicidade em sites em que confiam. A batalha de atenção no mercado de anúncios online é feroz e a capacidade de provar um multiplicador de impacto de anúncios tangível para as marcas que procuram maximizar a eficiência de cada centavo de seus gastos de publicidade online se tornará um ponto de venda único cada vez mais importante para organizações de notícias convencionais.

A relação entre editor de notícias e plataforma social tornou-se cada vez mais complexa nos últimos anos. O temido status "frenemy" que vê a receita de anúncios cada vez mais engolida pelo Facebook e o Google, mesmo se as plataformas oferecem uma linha de tráfego vital para os editores de notícias, tornou-se mais complexa. As marcas de notícias tradicionais já estão cautelosas sobre sua dependência do público vindo das redes sociais, mas quando quase dois terços dos consumidores de notícias sociais dizem que percebem qual organização de notícias fornece o conteúdo que estão lendo, as marcas de notícias também devem ser cautelosas com qualquer efeito negativo que a confiança em declínio na notícia social pode ter em sua própria marca.

"Em um mundo conectado, a confiança é a moeda mais importante", disse o CEO do Google e atual presidente do Alphabet, Eric Schmidt, em um discurso no início em 2009. Quase uma década depois, essa frase é mais verdadeira do que nunca. A confiança era um fator básico: o mínimo que esperávamos das notícias comuns. Agora é um aspecto vital em um mundo comercialmente turbulento para editoras de notícias.

Este artigo foi publicado originalmente no MediaShift e é reproduzido na IJNet com permissão. 

Imagem sob licença CC no Flickr via Nicolas Alejandro