Estudo conclui que cobertura da campanha presidencial nos EUA é predominantemente negativa

porLindsay Kalter
Oct 17, 2012 em Temas especializados

Políticos lamentam muitas vezes que a imprensa informa apenas notícias negativas sobre eles.

Quando se trata da atual eleição presidencial americana, eles estão certos, segundo um estudo do Projeto para a Excelência em Jornalismo (PEJ) do Pew Research Center, que acompanhou a cobertura da campanha de 29 de maio a 5 de agosto: mais de dois terços de toda a cobertura é negativa.

O relatório conclui que a cobertura do presidente Barack Obama foi 72 por cento negativa e notícias sobre seu oponente republicano Mitt Romney foi 71 por cento negativa.

"Os meios de comunicação americanos em sua cobertura dos candidatos parecem ser cada vez mais um canal de retórica partidária e menos uma fonte do que antes era jornalismo independente", disse o diretor do PEJ, Tom Rosenstiel, em um comunicado. "Isso pode refletir o impacto das redações encolhendo. Mas, provavelmente, também ajuda a explicar por que a campanha parece tão negativa."

A afirmação dominante na mídia sobre Obama tem sido sobre sua falha em tirar os Estados Unidos da recessão econômica, enquanto Romney é retratado como um capitalista pomposo. Durante as 10 semanas monitoradas pelo PEJ, não houve uma semana em que um ou outro candidato teve uma cobertura mais positiva do que negativa -- nem nunca foi por um triz.

O PEJ, que começou a acompanhar a cobertura das eleições em 2000, relatou que a corrida presidencial de 2004 entre George W. Bush e John Kerry foi coberta tão negativamente quanto a atual.

O PEJ também descobriru que as críticas de cada candidato foram baseadas principalmente na conduta relacionada com a campanha, em vez de trajetória política. A cobertura consistentemente negativa pode ser parcialmente explicada pela falta de acontecimentos políticos que mudassem o jogo, disse o relatório.

"Não houve nenhum evento claro que pudesse fazer com que os meios de comunicação reavaliassem o enredo ou a percepção de qualquer candidato", disse o relatório. "Em vez disso, ambas as campanhas foram envolvidas em um debate bastante estático, travado principalmente através dos candidatos, seus substitutos e outros aliados repetindo os ponto-chave durante vários meses."

O relatório observou que o papel dos jornalistas na divulgação de notícias de campanha está diminuindo, enquanto a confiança em fontes partidárias está subindo. Cerca de 48 por cento da informação sobre a corrida vem de fontes não-objetivas, incluindo os candidatos, membros da campanha, grupos de apoio e anúncios políticos. Jornalistas fazem parte de 19 por cento destas fontes partidárias, com comentaristas de televisão e rádio contribuindo em 8 por cento e especialistas de fora, em 10 por cento. Enquetes e eleitores alcançam 6 e 5 por cento, respectivamente.

"O papel cada vez menor dos jornalistas na definição das narrativas sobre o caráter dos candidatos ​​reflete mais provavelmente a diminuição dos recursos de reportagem nas redações e mais dependência da televisão, em particular, de formatos de entrevista ao vivo em que os partidários são convidados a entregar as mensagens da campanha", disse o relatório.

O conteúdo foi baseado na cobertura de mídia captada originalmente durante o News Coverage Index (NCI) semanal do PEJ. O relatório foi baseado na cobertura de 50 veículos de imprensa, meios online e emissoras de rádio, incluindo o New York Times, ABC e a National Public Radio (NPR).

Para ler o relatório na íntegra (em inglês), clique aqui.

Foto cortesia de Morguefile