Estratégias de vídeo online que funcionam para redações

porDouglas Grant
Aug 21, 2014 em Jornalismo multimídia

Ter a capacidade de produzir notícias em vídeo online continua a ser um exercício de fé. Apesar de que os vídeos não estão produzindo lucro diretamente, eles ainda têm um papel importante a desempenhar na estratégia de negócios de uma organização de notícias, porque agora atuam como o "ponto de entrada" para muitos leitores e espectadores. Por enquanto, especialistas aconselham os editores a planejar como fazer um vídeo bom e pensar sobre os lucros depois.

Evite fazer vídeo por causa do vídeo

Especialistas de vídeo online sugerem que o primeiro passo em qualquer estratégia de vídeo deve ser identificar o tipo de notícia que é adequado para vídeo online em seu site. Histórias que são de interesse humano, sobre experiências da comunidade ou uma pessoa, e histórias que são locais - bem como notícias de última hora que mantém a promessa de bons recursos visuais - se prestam ao vídeo (veja o "First e 17" do Washington Post sobre um atleta novato). O vídeo deve complementar o texto e abrir novas oportunidades criativas, ao invés de simplesmente repaginar histórias de texto e seguir o estilo tradicional da pirâmide invertida.

Daniel Gawloski, do Seattle Times, disse como identificar o aspecto de uma história que o vídeo pode comunicar mais efetivamente: "Procuro algo que traz emoção... o que eu não quero é um vídeo que conta a mesma história que o texto. Eu quero um vídeo que ajuda a entender a história de uma forma que o texto não faz. "Ele falou como participante de um painel de discussão, em abril de 2014, para lançar o relatório multimídia "Video Now" do Tow Center.

Repensar e reinventar

Também é importante desenvolver a sua própria abordagem online, em vez de apenas imitar a transmissão de TV, segundo profissionais e especialistas que falaram no Fórum Mundial de Editores para o relatório. A televisão é geralmente voltada para o público em massa e concebido para apelar a todos, ao passo que os jornais tendem a ter um público mais específico e por isso podem ser mais distintivos no tom. Tenha isso em mente e desenvolva seu próprio estilo, eles disseram. Alguns dos palestrantes falaram sobre as diferentes abordagens em suas publicações:

  • Popular em todo o mundo com jovens consumidores de notícias, o site Vice usa uma abordagem casual tipo "quando as câmeras estão desligadas" para a sua reportagem. Dá notícia como e quando acontece, e permite ao espectador assistir à análise se desenvolver. Jason Mojica, editor-chefe de notícias do Vice, disse ao painel, "Nós encontramos nossa maneira de fazer as últimas notícias, o que é esse tipo de meandros, 'Vamos ver Simon [Ostrovsky, o jornalista do Vice enviado à Crimeia] para descobrir o que diabos está acontecendo aqui."

  • O Seattle Times dá a jornalistas a liberdade de publicar vídeos, para que eles possam exibir imediatamente notícias urgentes, mesmo que de baixa qualidade, enquanto editores focam nos documentários de alta qualidade.

  • No jornal Straits Times de Cingapura, o editor-chefe Patrick Daniel disse ao Fórum Mundial de Editores, que "online" significa liberdade de programação ao vivo. Os vídeos podem ir a qualquer momento: "As pessoas não fazem entrar, digamos, às 9:00 todos os dias para ver programas online ao vivo, como eles fazem para TV. É fácil ver que as pessoas preferem ver vídeos como e quando têm tempo. Além disso, aproveita melhor as vantagens do meio."

Pontos principais

Conseguir a duração certa é vital para encontrar e reter espectadores online, que estão cada vez mais usando dispositivos móveis para acessar sites de notícias. Marie-Noelle Valles, diretora de vídeo da agência AFP, concordou que os vídeos devem ser curtos para apelar para pessoas em movimento. Mas ela também disse que enquanto o vídeo curto pode ser o caminho para atrair telespectadores inicialmente, isto não quer dizer que formato longo deve ser ignorado: "Isso não significa que essas pessoas não vão voltar para os formatos mais longos, porque eles permanecem interessantes e relevantes, mas o ponto de entrada é um vídeo curto, pequeno, ágil e rápido."

Parece que não existe uma "duração mágica" que o povo gosta: é verdade que clipes curtos engraçados são mais propensos a se tornarem virais, mas documentários em profundidade não devem ser ignorados. Algumas das organizações entrevistadas para o relatório do Tow Center falaram sobre o valor de fazer um vídeo longo.

  • O programa Frontline faz documentários para a PBS, a emissora de TV pública americana. Sua audiência online está explodindo, com 1,7 milhões de visitantes únicos por mês de todos os dispositivos. E os usuários de tablet assistem a cerca de três vezes mais do que os usuários de desktop, que ficam em média entre dois e sete minutos, de acordo com o produtor-executivo adjunto do Frontline, Raney Aronson-Rath.

  • O site Vice tem 4,5 milhões de assinantes não-pagantes que recebem atualizações regulares do canal de YouTube do Vice, e que possui algumas estatísticas notáveis de engajamento. Um de seus vídeos mais populares, "Suicídio em Floresta no Japão", recebeu quase 8 milhões de visualizações, 83.000 curtidas e 2.000 não-curtidas. Quando o Vice mergulhou em vídeos mais curtos, clipes "virais", houve uma reação negativa nos comentários dos leitores. Mojica disse que seu público se queixou que os vídeos virais são "besteira".

  • O site MediaStorm, um estúdio de produção de filmes com sede em Nova York, está recebendo milhares de visualizações por dia de documentários que fez há alguns anos. O fundador Brian Storm disse ao Tow Center, "...sim, recebe muita atenção quando é lançado, mas... anos depois ... quatro ou cinco mil pessoas por dia estão assistindo a uma história". Uma das principais recomendações do relatório do Tow Center é produzir um trabalho "evergreen" [perene] que os usuários possam voltar para ver uma e outra vez. Storm disse: "Há duas coisas que são realmente bem sucedidas no espaço em que estamos agora: ser muito, muito engraçado - gatos girando com um ventilador - ou o vídeo de mais alta qualidade que você já fez em Darfur. Essas são coisas que as pessoas tuitam, essas são as coisas que as pessoas postam no Facebook, certo? As coisas no meio, o volume, é barulho."

  • Vídeos curtos podem ser a forma mais eficaz de atrair usuários e aumentar o tráfego em outras partes do site de notícias. Mas em termos de retenção de um público, aumentar o prestígio e desenvolver um fluxo de receita de vídeo, o vídeo de alta qualidade em formato longo tem um papel importante a desempenhar. O consenso parece ser que os editores precisam decidir até que ponto o vídeo deve ser usado simplesmente como um "ponto de entrada", ou como, uma parte rica e mais desenvolvida do conteúdo do site.

Douglas Grant é um estudante de francês e alemão na Universidade de Oxford (Reino Unido), e trabalhou para uma revista em Berlim antes de ingressar no Fórum Mundial de Editores e divisão de Liberdade de Imprensa da WAN-IFRA como estagiário em 2014.

Este artigo apareceu originalmente no site do parceiro da IJNet, PBS MediaShift. É publicado e traduzido para a IJNet com permissão.

O MediaShift foca em como o cenário da mídia está mudando a maneira como obtemos nossas notícias e informações. Os correspondentes do MediaShift explicam como a mídia tradicional como jornais, revistas, rádio, TV, música e filmes estão lidando com rompimento digital e adaptando seus modelos de negócios para um mundo em rede mais móvel. Saiba mais em MediaShift na Web, siga o MediaShift no Twitter ou Facebook.

Imagem sob licença CC no Flickr via Thomas van de Weerd