Em meio a desafios, organizações estão trabalhando para melhorar a liberdade de imprensa na Colômbia

por Ana Luisa González
May 9, 2018 em Segurança do jornalista

Nas últimas três décadas, a Colômbia foi considerada por grupos de liberdade de imprensa como um dos países mais perigosos para jornalistas. No Índice Mundial de Liberdade de Imprensa 2018, publicado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Colômbia ocupa a 130ª posição entre 180 países. Segundo o relatório, o país “continua a ser um dos países mais perigosos do Hemisfério Ocidental para a mídia”.

Na Colômbia, entre 1977 e 2017, 154 jornalistas foram mortos por fazer seu trabalho, de acordo com um relatório da Fundación para la Libertad de Prensa (FLIP), uma organização que promove e monitora a liberdade de imprensa e a segurança de jornalistas em Colômbia. Apesar do histórico acordo de paz entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a liberdade de imprensa na Colômbia continua sendo uma grande preocupação.

Em uma conferência sobre liberdade de imprensa em Madri, Fabiola León, representante do RSF na Colômbia, disse que “entre 2016 e 2018, as agressões contra jornalistas diminuíram [principalmente porque] outros conflitos que estavam escondidos por baixo do conflito armado interno surgiram após o acordo da paz."

“Os jornalistas continuam sendo permanentemente ameaçados por 'bacrims', gangues de ex-paramilitares agora envolvidos no narcotráfico”, observa o RSF.

No entanto, o programa do governo para a proteção de jornalistas, um programa pioneiro no mundo, ajudou a reduzir o número de homicídios contra jornalistas.

“Na Colômbia, há 130 jornalistas que desfrutam de algumas medidas de segurança e proteção”, diz Pedro Vaca, diretor executivo da FLIP.

No espírito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, este artigo explora o trabalho de três organizações que fornecem conselhos sobre a criação de planos e padrões de redução de risco para a segurança de jornalistas.

Fundación para la Libertad de Prensa - FLIP

Por mais de duas décadas, a FLIP vem conduzindo oficinas de autoproteção para jornalistas nas regiões com mais agressões.

Um dos obstáculos para conseguir uma melhor proteção para os jornalistas é que os meios de comunicação na Colômbia não empregam padrões de proteção para monitorar seus funcionários ou evitar novos ataques.

Em resposta, “a FLIP iniciou um programa piloto com 17 meios de comunicação de nove regiões colombianas chamado Certificação em Protocolos de Segurança e Prevenção de Riscos”, diz Vaca.

A estratégia visa apoiar organizações de mídia colombianas na construção de políticas internas de segurança para reduzir riscos durante a reportagem de jornalistas, bem como desenvolver padrões de autoproteção.

Cada mídia deve trabalhar para adotar melhores hábitos de segurança e autoproteção em quatro áreas: segurança institucional (governança corporativa, relatórios e comunicações); reportagem e comunicação (monitoramento e avanço); avaliação de risco para jornalistas (risco diferencial de análise de escopo e ambiente); e prevenção de ataques (autorregulação, segurança física e segurança digital).

“A ideia é que os meios de comunicação comecem a implementar essa ferramenta de medida de qualidade”, diz Vaca.

Consejo de Redacción - CdR

O Consejo de Redacción (CdR), uma rede de jornalismo profissional, desenvolveu uma ferramenta de treinamento em segurança digital em colaboração com a Peace Brigades International (PBI) e a Associação para a Cooperação de Desenvolvimento (AGEH, em inglês).

Esta ferramenta, desenvolvida em 2016, está disponível para os membros do CdR. De acordo com Gina Morelo, presidente do CdR, “a ferramenta foi colocada em prática para estimular processos para garantir uma melhor segurança cibernética, instalando programas de segurança nos computadores, gerenciadores de senhas e implementando um bate-papo seguro para conversas confidenciais entre seus membros”.

Além disso, o CdR desenvolveu um processo de análise de risco, no qual cada jornalista preenche um formulário antes de viajar para lugares fora das principais cidades da Colômbia. O protocolo determina que os repórteres entrem em contato com seus editores uma ou duas vezes por dia, explica Morelo.

Repórteres Sem Fronteiras – RSF

Em 2015, os Repórteres Sem Fronteiras (RSF) na Colômbia, em parceria com a Unesco, publicaram uma nova edição do seu Manual de Segurança para Jornalistas (disponível em espanhol) que fornece orientações e conselhos práticos aos repórteres antes, durante e depois de uma reportagem em um ambiente arriscado.

O guia “fornece conselhos práticos sobre como evitar armadilhas no campo e destaca os padrões legais internacionais que protegem a liberdade de imprensa”. Um dos capítulos novos é sobre segurança digital, uma preocupação crescente para os jornalistas.

“Há [outras] ferramentas de proteção disponíveis para garantir a segurança dos jornalistas”, diz León, “mas no final é o próprio jornalista que decide qual é a mais adequada: a melhor rota para preservar sua vida e integridade.”

Além dessas organizações, há mais instituições no país que estão melhorando a segurança dos jornalistas, como a Federação Colombiana de Jornalistas (FECOLPER), que trabalhou para desenvolver condições de trabalho e práticas profissionais justas, bem como a Unidad Nacional de Protección (UNP), uma organização do governo que traz medidas de proteção aos repórteres.

A FLIP também está trabalhando para aprovar uma lei no congresso no próximo governo para estabelecer esforços abrangentes em todo o Estado para melhorar a proteção dos jornalistas e a prevenção de riscos.

Imagem sob licença CC no Flickr via n.karim