Editor do Quartz: Jornalistas digitais devem se tornar designers da experiência do usuário

porJames Breiner
Mar 27, 2015 em Empreendedorismo de mídia

HUESCA, Espanha -- Uma publicação de negócio digital como o Quartz — ou qz.com — parecia que estava tomando todas as decisões certas. Em pouco mais de dois anos, construiu um público de 10,9 milhões de usuários únicos por mês.

Mas a luta é continuar crescendo em meio a uma forte concorrência e começar a dar lucro. Então, o editor sênior da Quartz, Gideon Lichfield, foi à procura de respostas e ideias assim como outros 350 jornalistas, professores e estudantes que participaram do XVI Congresso de Jornalismo Digital. Ele também estava no programa para falar sobre o Quartz, incluindo seus planos de expansão na África.

Vença a competição 

Lichfield trabalhou para o Economist por 16 anos e conhece tanto o mundo impresso como o digital. O digital requer jornalistas a pensarem mais sobre a audiência, ele me disse em uma entrevista. "Como as pessoas consomem o jornalismo, como alcançá-las, quando estão lendo e assim por diante, o que é completamente diferente", disse ele. "Em uma revista impressa, você não pensa realmente sobre nada disso. Os formatos estão definidos.

"Na arte digital, todo jornalista também tem que ser um designer da experiência do usuário em certa medida. Eles têm que pensar em como alguém vai se deparar com o meu artigo, o que vai fazer que leiam o artigo, o que vai fazer com que o compartilhem, o que vai fazê-los a chegar ao fim, que tipo de dispositivo estão usando para lê-lo? Que hora do dia poderiam ler? Que métodos diferentes de texto que eu poderia estar usando para comunicar o meu ponto de vista mais claramente e de forma mais eficiente?"

Facebook como um competidor

Perguntei a Lichfield se ele estava preocupado com o fato de que o Facebook e outras redes sociais estão usando conteúdo de notícias de sites como o seu próprio para capturar e segurar usuários. (O presidente do Quartz também está preocupado que os usuários estão consumindo conteúdo do Quartz fora do site.)

É uma relação de amor e ódio, ele admitiu. O Facebook leva mais tráfego para seu site do que qualquer outra fonte. Então, eles escrevem uma manchete de um artigo projetada para atrair os usuários do Facebook e outra para o seu site e Twitter.

Entre as estratégias para construir a lealdade do usuário e combater o efeito Facebook estão uma atualização de notícias que dá a qualquer visitante do Quartz a oportunidade de ler as últimas manchetes de notícias e, talvez, clicar em mais algumas matérias.

E, como em muitos outros sites digitais competindo por tráfego, eles tentam estar em tantos canais quanto possível. Um deles é um boletim informativo de e-mail enviado todas as manhãs para 110 mil usuários com a seleção dos editores de uma meia dúzia de artigos importantes a seguir. Muitas vezes, apenas um artigo é do Quartz, disse Lichfield. Mas o e-mail é projetado para estabelecer o Quartz como fonte de cobertura de qualidade e trazer pessoas de volta.

Formato longo

Lichfield não está realmente interessado em falar sobre o comprimento ideal de artigos. Para ele, o importante é a qualidade e variedade. O conteúdo do site não é dividido por seções, mas pelas 50 '"obsessões" de jornalistas. Assim, alguns artigos no site focam em temas populares, como crianças e educação. Mas alguns tópicos pelos quais seus repórteres são obcecados, como o Banco Central Europeu ou a política monetária da China, terão um público restrito.

O importante para seus anunciantes é que a mensagem vai sempre aparecer ao lado de matérias inteligentes, disse Lichfield.

Perguntei-lhe se tinha algum conselho para estudantes de jornalismo e jovens profissionais. Lichfield respondeu que uma vez escreveu uma coluna dizendo a jovens para não pedir conselhos a ele. O melhor conselho que já recebi foi fazer uma rede com pessoas da sua idade ou um pouco mais velhas, por terem acabado de passar por aquilo que você está prestes a passar. "O mundo que eu cresci é simplesmente muito diferente do mundo em que eles estão crescendo."

Lichfield falou comigo em inglês, mas no palco ele falou espanhol fluente. Aprendeu enquanto liderou o escritório do Economist na Cidade do México.
 

Este post apareceu originalmnete no blog News Entrepreneurs de James Breiner e é reproduzido e traduzido com permissão na IJNet. 

Imagem principal sob licença CC no Flickr via webtreats