Dicas para produzir um vídeo de notícias perfeito

por Judd Slivka
Mar 24, 2015 em Jornalismo multimídia
Câmera

À medida que novos veículos jornalísticos aumentam a produção de notícias em vídeo e faculdades de jornalismo expandem seu treinamento em vídeo, editores de notícias e professores estão gastando muito mais tempo analisando vídeos - mas nem todo mundo está preparado para julgar sua qualidade.

Aqui estão algumas orientações para aqueles sem muita experiência em produção de vídeo:

A primeira diretriz é a mais importante: Eu chamo de "teste da pizza grande". Eu posso comer uma pizza inteira sozinho. Mas isso é algo que eu devo fazer?"

Há algumas histórias que não necessariamente se prestam ao vídeo. Reportagens sobre reuniões chatas da prefeitura com um soundbyte chato de um vereador chato em um tom monótono? Ninguém se importa. Você não deve fazer isso. É mais fácil de entregar essa cobertura em texto.

Uma entrevista que descreve os fatos básicos de uma notícia a partir de um porta-voz? Não faça isso. O vídeo é uma ferramenta que funciona melhor quando pode transmitir ação, emoção ou a construção de caráter. Incluir vídeos só por incluir é muitas vezes obviamente ruim.

O jornalismo de TV descobriu isso e é por isso que às vezes você vai ver 20 segundos de carros da polícia dirigindo por uma rua, enquanto o âncora faz fala sobre um novo decreto que vai colocar mais 20 policiais na rua. O video é uma ilustração onde a narração é o que é importante. Não tem nada importante. Quando você está decidindo o que deve incluir em uma matéria, pergunte-se se você realmente deve comer a pizza inteira mesmo ou se vai lhe causar problemas mais tarde.

Aqui estão outras três chaves básicas sobre o que ficar de olho em termos técnicos:

1. Evite distrações no quadro

O público está à procura de qualquer razão para fugir. Você precisa ter esse pressuposto em mente. Vivemos em uma sociedade sem tempo. Então você precisa minimizar as distrações no quadro do vídeo. Dois tipos de distrações são comuns: distrações no quadro e distrações técnicas.

Uma distração em quadro seria, digamos, uma planta ou uma lâmpada aparecendo por trás da cabeça do entrevistado. Ou pessoas andando no foco claro atrás do sujeito (o que é bastante comum com vídeos de celulares devido à forma como câmeras de telefone funcionam). Ou uma cartaz no fundo que as pessoas vão ler, em vez de se concentrar no entrevistado em primeiro plano.

Também pode ser algo tão simples como uma pessoa balançando para trás e para a frente no quadro, porque está sentada em uma cadeira giratória. Uma distração técnica poder ser a iluminação sobre o rosto da pessoa causando sombras de cima, um vídeo tremido que vem de uma câmera sendo segurada por um período prolongado, em vez de um tripé, e momentos onde entra e sai de foco.

Seu alarme de qualidade tem que soar se você ver qualquer um desses problemas.

2. Confira se o som está bom

Em uma entrevista com som bom, você é capaz de ouvir o que é dito, sem distração. O público pode aceitar um vídeo ruim, mas vai abandonar um áudio ruim. Há muitas maneiras de mitigar isso, mas vamos nos concentrar em algumas coisas importantes.

A primeira é o som "pfpfpfpff" que abafa a entrevista em si. É possível aumentar o volume geral da entrevista, mas vai ser em proporção ao clipe original. Aumentar o som do clipe faz o ruído ficar mais alto também. O público pode aceitar uma certa quantidade disso, mas não pode ser demais. Funciona o mesmo com níveis de som geral, que precisam ser consistentes dentro de uma matéria. O público não pode se esforçar para ouvir uma parte da reportagems e outra parte explodir. Regra de ouro: Se o som se destaca para você, vai se destacar para o público.

O segundo problema de som é um barulho em segundo plano. Às vezes não pode ser evitado por causa de onde a entrevista é realizada, mas um ruído no fundo é difícil de ignorar. Mais difícil de ignorar são sons específicos que ocorrem no fundo, especialmente sons em torno das mesmas faixas de frequência (ouvir uma entrevista de alguém em uma cozinha quando os pratos estão sendo guardados) ou entrevistas que têm sons discerníveis altos de fundo, como um trem passando.

Há um elemento técnico para isso, mas há também uma questão de atendimento ao cliente aqui: Quem quer ouvir uma entrevista onde o que está acontecendo no fundo é mais interessante do que o que está acontecendo em primeiro plano?

3. Certifique-se de não parecer desleixado

Estes são erros técnicos na edição que podem arruinar um bom conteúdo. Seja à procura de quadros-flash, os quadros negros que aparecem entre os clipes quando os clipes não são adjacentes em uma linha do tempo. Veja se há enormes diferenças nos níveis de iluminação em um padrão (dentro-fora, dentro-fora é comum quando entre uma entrevista e b-roll). Cuidado com os erros de sincronização, onde a faixa de áudio sai da faixa de vídeo e parece um filme mal dublado.

Essas são apenas algumas das coisas que podem dar errado em vídeos. Mas são as mais óbvias. Algumas delas são fáceis de corrigir com uma aula de 10 minutos sobre, digamos, o enquadramento adequado de uma entrevista. Algumas são fáceis de corrigir comprando um tripé ou um microfone. Algumas, como os erros de edição, apenas exigem ter consciência sobre o problema para não deixar escapar.


Judd Slivka é professor assistante em jornalismo convergente na escola de jornalismo da Universidade do Missouri. Anteriormente, ele trabalhou como repórter no Arkansas Democrat-Gazette, Seattle Post-Intelligencer e The Arizona Republic. Siga-o no Twitter.

Este post foi publicado na American Journalism Review e traduzido pela IJNet com permissão.

Imagem principal CC no Flickr via Luke Roberts