Dicas para criar documentários digitais interativos

porMargaret Looney
Feb 14, 2014 em Jornalismo multimídia

A primeira coisa que a maioria de nós aprende sobre contar uma boa história é que a narrativa deve ter um começo, meio e fim, mas um novo tipo de documentário quer virar essa abordagem de cabeça para baixo.

Projetos de vídeo online estão mudando a forma tradicional linear de contar histórias. Documentários interativos, como Pine Point e 17,000 Islands, fazem uma conexão física entre o conteúdo e o público, transformando os espectadores em participantes.

O "Hollow" (Oco), um documentário online interativo que examina a vida rural nos Estados Unidos através do condado pobre de McDowell na Virginia Ocidental, é um exemplo perfeito esta forma de história, por causa dos riscos que tomou com a tecnologia e narrativa.

Não só os criadores usaram uma plataforma inovadora para contar a história, mas também uma narrativa participativa (ensinando pessoas da comunidade como filmar a si mesmos para contar suas próprias histórias), incentivaram opções de visualização (por exemplo, lançando mp3s baixáveis para visualizar alguns recursos), gráficos de dados e redes sociais ao longo da narrativa. Eles também incluíram pedidos de doações.

Os criadores de "Hollow" se juntaram a Opeyemi Olukemi, gerente de iniciativas digitais do Tribeca Film Institute, em um Google Hangout para discutir sua experiência na criação deste documentário. A IJNet participou do encontro e saiu de lá com algumas dicas para criar um projeto interativo independente:

  • Certifique-se de que a história corresponde a plataforma

É tentador experimentar esta nova forma de contar histórias, mas você tem que pensar sobre as necessidades da história primeiro. Não pense em fazer a sua história interativa, a menos que o conteúdo valide o uso de certas tecnologias.

"Algumas pessoas acham que é necessário pular para este novo meio de comunicação para ser relevante e estar na crista da onda, mas é realmente apenas uma questão de saber o que você quer realizar e quais as ferramentas que pode usar para conseguir isso", disse o co-produtor Jeff Soyk.

Os criadores optaram por aproveitar a interatividade da Web para dar espaço para a história evoluir ao longo do tempo e corresponder ao ritmo das mudanças acontecendo no condado de McDowell. Eles precisavam de flexibilidade na interface para incluir atualizações de notícias e trechos de filmes dos habitantes, e também para deixar os telespectadores escolherem até onde querem investigar o vídeo.

"[O Hollow] não só nos permitiu usar dados, mapeamento e conteúdo gerado pela comunidade de forma interessante, mas é uma história que está em curso, uma história que muda", disse Elaine McMillion, diretora e produtora do Hollow. Então, queríamos aproveitar essa energia e trazer isso à vida."

  • Envolva seu desenvolvedor desde o início e aprenda seu processo de trabalho

É fácil sonhar grande para um filme, mas há limites de tecnologia para o que pode ser realizado com determinados conteúdos na Web. Ter seu colaborador envolvido desde o início pode ajudá-lo a saber a viabilidade de suas ideias.

Os criadores usaram um design personalizado e [Robert Hall] (http://robertlangfordhall.com/interactive-media), o diretor técnico e desenvolvedor sênior, tinha de editar o filme de ponto de vista do codificador, que não segue o processo usual de três estágios de cinema. O confronto entre o cinema e o desenvolvimento de processos pode ser demorado para resolver, então ele sugere se reunir no início do projeto para descobrir como esses dois processos específicos podem "colidir de uma maneira útil."

  • Decida se um design personalizado é necessário

O híbrido de filme-HTML5 para o "Hollow" foi construído do zero, com Node.js, NoSQL databases, Web sockets e outras tecnologias, mas tivemos que fazer concessões. "Se você quer fazer algo personalizado, tem que estar preparado para lidar com os prós e os contras", disse Hall.

Por exemplo, os criadores optaram por fazer o site funcionar apenas no Google Chrome para atender toda a tecnologia que esperavam usar. Também tiveram que considerar que muitas pessoas que eles queriam alcançar --que vivem em cidades cidades nos Estados Unidos-- nem sempre têm fácil acesso à tecnologia.

"Muito do que fizemos foi para a história", disse Hall. "A história era muito importante e, para atender a isso, tivemos que construir algo que não havia sido feito."

  • Quando projetar para a experiência do usuário, mantenha suas prioridades

Soyk, que também liderou a equipe de direção de arte, arquitetura e design, disse que o site passou por inúmeras iterações, mas mantiveram sua lista de 18 prioridades em mente durante todo o processo, ou seja, como atrair pessoas permitindo a interação do usuário imediata e convencendo o usuário a participar e contribuir.

"A Web é muito diferente do filme, no sentido que alguém pode sair numa questão de segundos se perdem o interesse," disse Soyk, salientando as "contradições entre os dois meios". A equipe criou seis conceitos para o site e Soyk fez designs a partir deles, criando gráficos de árvore de ideias antes de qualquer trabalho de Photoshop ter sido feito. Ele sugere produzir um resumo criativo inicial que permita examinar seus objetivos, necessidades do público e conceitos básicos do projeto.

  • Não se esqueça do som, especialmente online

"Áudio na Internet tem um passado tão feio, e criar um site online onde áudio pode ser um destaque... era tipo de um objetivo e um medo meu quando me envolvi", disse o designer de som do filme, Billy Wirasnik. Ele usou o ambiente natural e efeitos de som da cComunidade, como a mistura do vento com efeitos de residentes músicos afinando seus instrumentos, para criar um áudio que "contribui para a ideia de casa."

O áudio brilha durante todo o documentário, mas teve muita coordenação para combinar perfeitamente com o visual. "Você não pode apenas sentar e conversar sobre essas coisas; é preciso haver um mapa visual", disse Wirasnik. Ele criou uma folha de comunicação sonora, caracterizando tomadas do filme junto com uma coluna para a música e outra para os efeitos sonoros. A equipe usou esta folha para fazer decisões cinematográficas.

E se você pensa sobre o som quando faz o filme, pode realmente ser usado para promover a história, como no "Hollow". "Não se esqueça do som em cada passo do caminho", disse Wirasnik. "Torna-se muito aparente no final de um projeto quando o som é o seu elemento ausente."

  • Não foque demais no elemento interativo da sua história ao concorrer a apoio financeiro

Como muitos cineastas vão concordar, a história é sempre o mais importante. Olukemi aconselha cineastas a fazer que o conteúdo seja a parte chave de suas pedidos de verbas, mesmo se utilizam métodos inovadores de contar histórias. "Concentre-se na história em primeiro lugar, e descubra como uma plataforma interativa contribuiria para fornecer essa história", disse ela. Pessoas muitas vezes se concentram em tecnologia em vez da história, ela disse, mas "no final, [o que importa] é por que o público vai se conectar."

  • Considere a sustentabilidade do seu site

Sites precisam de dinheiro para se manterem vivos. McMillion disse que subestimou quanto custaria a manutenção do site. Custa US$730 por mês em taxas de servidor para manter o "Hollow" online. Atualmente, a renda das sessões ao vivo do interativo está cobrindo o custo, mas isso não vai durar para sempre. Lembre-se de fazer o orçamento para hospedagem de conteúdo de vídeo, ao apresentar os pedidos de verbas. McMillion disse que a equipe está atualmente à procura de uma solução de hospedagem mais permanente.

Leitura relacionada:

Seis prós e contras dos documentários interativos

Cinco dicas para matérias transmídia

Margaret Looney, assistente editorial da IJNet, escreve sobre as últimas tendências de mídia, ferramentas de reportagem e recursos de jornalismo.

Imagem: Captura de tela do gráfico de dados do documentário