Dicas de fotojornalismo para dar seguimento a reportagens de protesto

porMandla Chinula
Aug 08 em Jornalismo multimídia

Há uma abundância de artigos que oferecem diretrizes para fotojornalistas que cobrem protestos: Não vá sozinho, use equipamento de proteção, carregue informações importantes de contato e seja educado e calmo com a polícia são algumas das dicas comuns que hoje conhecemos e ainda precisamos rever.

No entanto, existem muito poucos artigos que focam em como fotojornalistas podem acompanhar os protestos depois de terminarem. Assim como repórteres dão seguimento a grandes histórias em um esforço para explorar causas, efeitos e consequências de um evento, fotojornalistas podem fazer o mesmo depois de cobrirem os protestos.

Zinyange Auntony e Jekesai Njikizana, fotojornalistas que fazem freelance para a Agence France-Presse (AFP) no Zimbábue, compartilham dicas que usam em suas carreiras para dar seguimento a reportagens sobre protestos: 

Volte para a cena do protesto 

"Após o recente protesto #Zimshutdown em Makokoba [Zimbábue], eu voltei para a cena do protesto na manhã seguinte. Eu usei a mesma rota que tinha usado no dia anterior", disse Auntony.

Na maioria dos casos, pedras e barricadas utilizadas durante os protestos provavelmente ainda estão no mesmo local. Imagens bem pensadas do pós-protesto podem mostrar o impacto que teve. Isto torna-se particularmente relevante para um público que é familiarizado com o estado original da cena.

Fale com as pessoas

Njikizana observou que falar com as pessoas -- sejam observadores, manifestantes ou representantes das comunidades que foram mais afetadas -- pode levar a capturar os assuntos mais relevantes que você pode ter perdido durante a ação.

"Você realmente tem que falar com as pessoas, se não falar com elas nunca vai saber o que aconteceu", disse Njikizana. "A partir daí, você pode decidir se algo é interessante ou não."

Converse com as vítimas da brutalidade da polícia

Embora um fotojornalista possa tirar fotos da brutalidade policial durante um protesto, a seriedade ou gravidade da brutalidade pode ser mais evidente após o protesto. Por exemplo, Auntony uma vez fez uma foto de um homem com inflamação visível dias depois de ter sido agredido pela polícia durante um protesto. Assim, uma imagem de um homem com feridas inchadas após um protesto pode comunicar igualmente uma mensagem forte que o homem foi espancado pela polícia. Em alguns casos, a foto pós-protesto na verdade pode revelar-se mais forte do que uma foto durante o protesto.

Capture reações

Também é possível capturar as reações das pessoas pós-protestos. Isto pode variar de reações de uma pessoa ao ler o jornal da manhã a um dono de loja reclamando da extensão de dano que ocorreu em sua loja.

Auntony também observou que, para a fotografia documental, pode-se solicitar ou iniciar uma ação como parte de um matéria de seguimento. No entanto, os fotógrafos nunca devem criar qualquer imagem para benefício de uma matéria.

"Eu tenho uma imagem de pessoas assistindo outras pessoas que estão sendo espancadas pela polícia em um tablet", disse ele. "Eu usei um vídeo que tinha feito durante os espancamentos e pedi para eles assistirem para que eu pudesse obter a foto."

Trabalhar em projetos de fotografia documental que revisitam as experiências também pode ser uma ótima maneira de dar seguimento a um protesto.

Fale com a polícia

Na maioria dos casos, a polícia tem relatos de mercadorias danificadas, bem como o número de manifestantes detidos. Essa informação torna-se muito útil em legendas de imagem. Tais detalhes de acompanhamento também podem ser úteis em fotos tiradas durante os protestos. Em alguns casos, policiais podem morrer ou ficar gravemente feridos durante os protestos. Dependendo de sua noticiabilidade, um fotojornalista pode decidir fazer o acompanhamento sob a forma de trabalho documental. No entanto, informações de policiais são às vezes adulteradas.

"A maioria dos policiais não vai lhe dar informação alguma", disse Auntony. "Eles provavelmente lhe darão declarações oficiais. Você vai precisar de algo da polícia, mas eles provavelmente vão esconder algumas informações confidenciais de você."

Processo de reabilitação

Devido ao trauma que residentes podem sofrer, igrejas e organizações de direitos humanos podem ter programas de reabilitação que ajudam as pessoas comuns a se recuperarem das experiências. Examinar como as pessoas estão se recuperando de traumas relacionados com um protesto pode ser uma ótima matéria de seguimento, especialmente quando se trabalha em um projeto de documentário.

Isto também inclui a reparação de propriedades danificadas. Durante protestos violentos, produtos e propriedade tendem a ser destruídos. Um ensaio fotográfico de seguimento sobre como uma loja que fornecia para todo um bairro está tentando reparar seu imóvel danificado e recuperar bens perdidos pode ser relevante para um jornal local, por exemplo.

Imagem sob licença CC no Flickr via Sin.fronteras