Diane Mastrull do Philadelphia Inquirer fala sobre o negócio do jornalismo de negócios

porSahar Majid
Sep 14, 2016 em Temas especializados

Como repórter de negócios do Philadelphia Inquirer, Diane Mastrull escreve sobre empresas em todo estado da Filadélfia desde 2008.

Enquanto alguns podem achar que reportagens de negócios são chatas, Diane acredita que matérias de negócios podem realmente ser histórias de força de vontade e coragem. Enquanto em muitas redações, a seção de negócios pode não receber tantos recursos como outras editorias, Diane descobriu que a melhor abordagem para reportagem de negócios é trabalhar duro, com base em sua experiência de reportagem de tribunais, e acrescentando um ângulo humano para suas histórias de negócios para segurar a atenção do seu público.

Durante uma conversa com a IJNet, Diane compartilhou o que ela ama sobre seu trabalho, o que a frustra, as melhores maneiras de se conectar com seus entrevistados e mais:

“Temas sérios”

Diane gastou uma parte significativa da sua carreira cobrindo política e processos criminais judiciais. A única coisa que ela odiava quando cobria estas editorias eram as histórias trágicas e traumatizantes, disse ela.

"O que eu amo sobre a reportagem de negócio é que você não tem que lidar com todas essas coisas", disse ela.

No entanto, a reportagem de negócios também lhe permitiu cobrir tempos difíceis, incluindo a recessão de 2008 nos EUA. "As matérias envolveram um monte de pessoas perdendo seus empregos, muita demissão; também envolveu uma série de bancos sendo adquiridos. Esses foram temas muito sérios", disse ela.

Reportagens de negócios combina tudo

A editoria de negócios não é o tipo que pode ser tratada de forma isolada, porque muitos outros temas -- educação, saúde, viagens, casamento, divórcio -- estão relacionados com dinheiro de uma forma ou de outra, disse Diane. "Mistura tudo", ela acrescentou.

Isto é em parte porque Diane inspira-se fortemente em sua experiência passada como um repórter de tribunal. A capacidade de encontrar e analisar documentos relevantes -- como registros de falência -- lhe serviu bem em dar conteúdo a sua reportagem, ela disse.

O elemento humano

O público tende a ser mais interessado nas histórias das pessoas por trás das empresas do que no próprio negócio, o que contradiz a percepção geral de que reportagem de negócios é chata, séria e focada somente em estatísticas.

Diane disse que acredita que as pessoas querem saber o que motivou empresários bem sucedidos e que obstáculos tiveram de enfrentar para chegar onde estão. Enquanto a editoria de negócios lida com a economia, ainda exige reportagens gerais e habilidades de contar histórias.

"O essencial sobre as empresas são as pessoas por trás delas", disse Diane. "Todo mundo tem uma história sobre o que os levou ao que estão fazendo e às vezes é realmente surpreendente, a jornada que caminharam."

Um repórter de negócios não é um promoter de negócios

No ano passado, Diane escreveu sobre duas mulheres locais, que lançaram um desodorante natural. Sua primeira matéria focou em como as duas amigas uniram forças e abriram um negócio juntas. No entanto, sua matéria de seguimento acompanhou como elas tiveram problemas mais tarde quando mudaram de fabricantes e os pedidos dos clientes não foram entregues a tempo.

Em sua segunda matéria, Diane não poderia dar a suas entrevistadas a mesma cobertura positiva concedida em seu primeiro artigo. Como repórter de negócios, ela tem que dar aos leitores informações precisas e dar publicidade indevida a uma empresa não é o trabalho de um repórter de negócios, explicou.

Conectando com o público

Diane admitiu que acha difícil viver e respirar mídia social como outros repórteres fazem, mas ela está se adaptando a fim de se conectar com seus leitores. Há uma pressão constante no Inquirer para a equipe estar no Twitter, Facebook e Instagram.

"[Jornalistas] são as pessoas que geralmente se escondiam atrás das assinaturas", disse ela. "As pessoas não sabiam quem éramos e gostávamos dessa forma. Nós agora estamos sendo estimulados a fazer nosso marketing pessoal para que as pessoas possam sentir uma conexão com a gente e continuar a nos seguir."

Educação de negócios

Diane não tem um diploma em negócios, comércio ou economia, mas disse que acha que cursar esse campos é muito importante para quem quer se tornar repórter de negócios. Como resultado, a melhor coisa que um aspirante a repórter de negócios pode fazer é obter um diploma de administração de empresas, ela explicou, para compreender a linguagem única dos negócios.

"Se você é um jornalista cobrindo negócio, ajuda se tornar mais inteligente sobre o que você vai trabalhar," disse ela. "É uma tremenda desvantagem que eu não tenho esse tipo de educação. Quanto mais você tem este tipo de conhecimento, mais astuto pode ser."

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Bernd Zube. Imagem secundária cortesia de Diane Mastrull.