Como um novo aplicativo oferece dados do desempenho escolar para o público no Quênia

por Maite Fernandez
Apr 12, 2013 em Jornalismo de dados

Para pais de alunos no Quênia, obter uma imagem completa e detalhada de como vai a escola de seus filhos é algo novo.

Os alunos fazem exames padronizados no final do ensino primário e secundário. Os resultados são uma grande novidade no país, mas a cobertura da imprensa geralmente se concentra em apenas uma parte da história, como quais são as melhores escolas e quanto melhoraram, disse Muchiri Nyaggah, um desenvolvedor e bolsista do Code4Kenya.

Começando seu segundo ano, o projeto Code4Kenya incorporou quatro desenvolvedores de meios de comunicação e organizações da sociedade civil para tornar disponíveis os dados abertos ao público.

Nyaggah trabalhou com a Twaweza, uma organização da sociedade civil que visa trazer uma mudança duradoura para a África Oriental. Twaweza, que significa "nós podemos fazer isso acontecer" em suaíli, quer tornar a informação pública como dados de desempenho escolar facilmente disponível para os cidadãos.

Como? Criando um aplicativo chamado Find My School. Ainda em fase beta, este aplicativo permite aos usuários pesquisarem escolas por nome, localização e notas de exames. "Se o desempenho [da escola] está diminuindo, fornece um relatório que você pode realmente levar para a próxima reunião escolar e fazer perguntas", disse Nyaggah. "A ferramenta permite que os pais se envolvam ativamente no funcionamento da escola."

A equipe enfrentou alguns obstáculos no caminho para lançar o aplicativo. Apesar de parte dos dados estar disponível no novo Kenya Open Data portal, a equipe percebeu que precisava do conjunto de dados original para o projeto. Eles pediram a ajuda de outras organizações, que compartilharam os dados que já haviam obtido. Isto possibilitou que o Find My School fosse lançado com dois anos de dados de escolas primárias.

Depois de enviar um pedido por informações públicas e esperar meses que os burocratas do governo as liberassem, a equipe obteve recentemente o conjunto de dados. Isso significa que a próxima versão do aplicativo irá incluir sete anos de dados para as escolas primárias e secundárias.

Nyaggah ficou encantado ao ver a reação dos pais ao usarem o app. "Eles não achavam que a informação estava disponível, então ficaram muito surpresos", disse ele.

O programa Code4Kenya, que é gerido pelo Open Institute e financiado pelo Banco Mundial e pela Africa Media Initiative, continuará no próximo ano. Nyaggah também irá ajudar a levá-lo para outros países africanos, servindo como bolsista líder do Code4Africa.

Embora o Quênia esteja passando por um boom tecnológico e o governo queniano tenha tomado medidas para uma maior transparência, como o lançamento da Kenya Open Data Initiative, Nyaggah disse que há ainda muito a ser feito antes que os cidadãos tenham acesso à informação de que necessitam.

O governo tem liberado ativamente dados para o público, mas como Nyaggah descobriu, às vezes, num formato ou licenciamento que torna difícil para reaproveitar, reutilizar e redistribuir os dados.

Mas, para os detratores que pensam que a iniciativa de dados abertos no Quênia falhou, Nyaggah disse este que ainda está nos estágios iniciais.

"As lições que estão sendo aprendidas no contexto do Quênia vão ser de valor inestimável para outros países africanos", disse ele.

Confira o Code4Kenya e o trabalho de seus bolsistas aqui.

Maite Fernández é editora geral da IJNet. Ela é bilíngue em inglês e espanhol e fez mestrado em jornalismo multimídia na Universidade de Maryland.

Foto: Treinamento sobre dados em Nairobi, cortesia da African Media Initiative