Como se preparar para cobrir uma zona de conflito

por Jessica Weiss
May 23, 2013 em Segurança do jornalista

Quando o Sunday Times do Reino Unido se recusou a aceitar fotos de um jornalista freelance na Síria, o jornal disse que tinha "não queria incentivar freelancers a correrem riscos excepcionais".

Essa atitude, em fevereiro, atraiu elogios e críticas, pois alguns freelancers dizem que histórias importantes não terão a cobertura merecida a menos que colaboradores informem de lugares perigosos.

O conflito na Síria --o país mais perigoso no mundo para a imprensa em 2012-- colocou a segurança dos freelancers no centro das atenções, gerando debate sobre como jornalistas devem abordar zonas de conflito do mundo, quando não têm o apoio de uma organização de mídia.

A Rory Peck Trust, uma organização que oferece apoio a jornalistas freelancers e suas famílias, recomenda que freelancers não viajem para a Síria sem treinamento sobre ambiente hostil e primeiros socorros. "Para freelancers que operam sem o apoio e os recursos disponíveis diariamente para jornalistas empregados, isto é uma obrigação", disse Molly Clarke, chefe de comunicações da Rory Peck Trust.

Sua organização fornece apoio financeiro para jornalistas participarem de cursos de cinco dias sobre ambiente hostis. O treinamento os ajuda a avaliar os riscos e identificar perigos, lidar com crises, apoiar a outros e fornecer primeiros socorros. As sessões são projetadas para gerar adrenalina e dar aos participantes as condições reais, para testar como uma pessoa reage sob estresse, morrendo de frio e cansado, em meio ao caos e mais, Clarke disse. No final do treinamento, os jornalistas sabem como lidar com as crises que podem surgir em situações de conflito.

Além disso, Clarke diz que jornalistas se dirigem para essas regiões precisam de pelo menos um nível mínimo de seguro; uma avaliação do risco contendo uma devida investigação do país/situação e informações atualizadas de pessoas no campo; conhecimento de como se locomover, onde ficar e como se comunicar; um kit apropriado para a situação (seja com equipamentos, itens para segurança, primeiros socorros ou médicos); dinheiro suficiente em caixa e muito mais.

Porque freelancers muitas vezes não têm relações de longa data com as organizações de notícias, ela recomenda que eles façam aos editores uma série de perguntas antes de aceitar uma missão: Existe um protocolo, se algo a acontecer comigo? Será que eu seria coberto pelo seguro? Eu devo cobri-lo? Vocês têm um plano de comunicação? Vocês fornecem dinheiro de antemão? Vão ajudar a organizar minha viagem, fixadores, motoristas, etc?

"Negocie a partir dessa posição informada e pelo menos você vai saber se quer ter o trabalho ou não", disse Clarke. "Eu sei que pode ser difícil para freelancers, mas transparência e honestidade de ambos os lados é uma coisa boa."

Cada vez mais, repórteres de conflito estão se voltando para recursos online e redes para compartilhar informações. Clarke vê treinamento online como algo positivo, mas disse que não deve ser visto como um substituto para o treinamento presencial.

"Eu acho que há coisas online que podem ajudá-lo, finalizar sua informação e refrescar, reforçar e complementar [o que você aprende no treinamento prático]", diz ela, "mas não há nada que possa substituir passar pelos cenários práticos. Quando você ouve alguém gritando, vê sangue (mesmo que seja falso), ou sente o peso de um corpo, não há nenhuma quantidade de treinamento online que pode substituir isso."

Para muitos freelancers, o custo de treinamento pode ser proibitivo. Sempre que possível, Rory Peck ajuda a subsidiar a formação. A organização ajudou a cobrir o treinamento de cerca de 600 jornalistas até hoje, mas os jornalistas devem pagar por seu próprio transporte aéreo.

Clarke diz que mais concorrência no mercado está começando abaixar o custo do treinamento. Cada vez mais, as empresas estão oferecendo elementos do curso, em vez de uma sessão completa, o que também reduz os custos.

"Nós queremos que seja acessível", diz ela. "Mas pensamos que freelancers devem pagar algum dinheiro por isso. Trata-se de investir em si mesmo, sua segurança e seu bem-estar e profissionalismo. É a sua vida."

Recursos adicionais:

Foto cortesia do usuário ygurvitz no Flickr, sob licença creative commons