Como jornalistas usam iPhones para criar curtas premiados

porMargaret Looney
Feb 27, 2012 em Jornalismo básico

Qualquer documentário filmado com equipamento caro pode fazer sucesso, mas quando um filme feito somente com um telefone celular ganha um prêmio, isso sim é uma façanha.

Os vencedores da categoria não-ficção do Original iPhone Film Festival provam que não se precisa de muito para contar grandes histórias.

Esses cineastas iniciantes usaram uma variedade de técnicas para resolver as limitações do equipamento portátil de baixo custo.

O vencedor do primeiro lugar, Michael Guhil das Filipinas, nunca antes tinha usado um iPhone para filmar uma história, muito menos para um trabalho de não-ficção. Com o chamado "estúdio móvel no bolso", ele abordou um problema real com um telefone que nem era dele.

Foi o desequilíbrio flagrante da verdade e realidade que estimulou Guhil a pegar emprestar um iPhone emprestado e examinar onde cresceu, um "kalapukan" ou "lamaçal", uma realidade "que pode ser considerada única para os olhos de pessoas de países muito civilizados e desenvolvidos", disse ele.

O que alguns descreveriam como uma viagem ousada para um destino exótico, a vida diária das pessoas nesta aldeia filipina em Dinas é mostrada por Guhil: a realidade crua de vasculhar buracos fundos com lama até a coxa, plantando sementes com a mão e uma menina vestida de jeans, blusa e bolsa sendo ajudada a atravessar uma lagoa rasa para não se sujar. No filme, Guhil chama esse tipo simples de viver de uma "lembrança da raiz da vida."

Kalapukan (Mudplace) Non-Fiction do Original iPhone Film Fest no Vimeo.

Um jornalista da Agence France Presse, Prashant Rao pegou o terceiro lugar com esta representação de uma tradição iraquiana, o jogo "Mheibes". Depois do pôr do sol em um dia de jejum rigoroso, os homens iraquianos se reúnem para jogar este entretenimento popular do Ramadan.

O filme de Rao filme oferece um raro olhar na sociedade iraquiana, porque só homens estão autorizados a assistir e participar do jogo.

Rao se juntou a um grupo de jornalistas da AFP para realizar o que chamou de uma experiência. Esta foi sua primeira vez fazendo um curta-metragem.

Usando uma combinação de um Canon 550D SLR e seu iPhone, ele disse que coletou uma hora de filmagem que não teria sido possível se estivesse trabalhando em uma matéria por causa da nível de atenção que precisa para manter um olhar constante nos recursos visuais.

"Você não está registrando tudo que estaria enquanto repórter de texto e é mais difícil de fazer anotações na hora", disse ele. "Eu não acho que seria possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo, especialmente em reportagens de notícias. Teria de ser um formato [curta] como este, com menos pressão de tempo. "

Reportando do Iraque desde 2009, Rao está acostumado a cobrir a notícia típica de Bagdá -- a violência, política e afins. Ele viu isso como uma oportunidade de mostrar um lado mais leve da cidade e usou apenas o ambiente de fundo da cidade à noite para mostrar, usando apenas legendas e sem narração.

"Achei que isso era uma espécie de história paralela bacana. Imaginei que este tipo de notícia de Bagdá seja algo interessante que as pessoas não chegam a conhecer. "

Ambos os cineastas lidaram com algumas limitações durante as filmagens. Para Guhil, foi o "nervosismo e instabilidade" do iPhone, mas ele disse que geralmente utiliza equipamento simples, apesar dos contratempos.

"Pode haver diferenças óbvias na qualidade e apresentação, mas que importa é a mensagem que deseja transmitir para as mentes do público", disse ele.

Rao fez um filme de 3 minutos em seu SLR sobre o mesmo tema que ele admite ter ficado melhor do que no iPhone , mas ele adorou o telefone como uma "coisa pequena que as pessoas não têm muito medo" que torna mais fácil para os jornalistas passarem despercebidos e serem menos intrusivos.

Ele também teve de lidar com a perda do som quando manteve a câmara em ângulo ruim, notando a necessidade de um tripé ou alguma forma de estabilidade.

Mheibes - Non-Fiction do Original iPhone Film Fest no Vimeo.

Quando Guhil tiver seu próprio iPhone, ele planeja fazer mais documentários curtos, porque "a verdade é muitas vezes mais interessante do que a ficção."

Para jornalistas que querem usar câmeras de vídeo, Guhil sugeriu saber "qual equipamento melhor atende às suas necessidades sem comprometer seu orçamento, aproveitando-se da revolução que temos hoje em termos de tecnologia."

"Leve seu iPhone para qualquer lugar", Rao insistiu. O dispositivo nem sequer funciona como telefone no Iraque, mas ele vê isso como uma "câmara glorificado de foto e vídeo", utilizada para capturar as últimas notícias locais.

Agora que Rao, um jornalista de imprensa, pegou na onda de filme, ele não pretende voltar atrás.

"Eu estou um pouco menos cansado agora de sair apurar e ativar a função de vídeo no meu SLR ou usar o aplicativo de vídeo no meu iPhone, enquanto que antes eu pensava que era apenas um desperdício de tempo e não iria usá-lo no futuro ", disse ele. "Agora eu consigo ver o valor, e não é só porque eu ganhei este pequeno prêmio."

Fundado por Matt Dessner e Corey Rogers, o primeiro Original iPhone Film Festival reuniu patrocinadores de renome como Macworld, Maroon 5, Red Giant e mais. Visite o blog do fundador para novidades sobre o festival de 2012.