Como Coda Story vai dar continuidade à cobertura de crises uma história de cada vez

porAshley Nguyen
Jan 20, 2016 em Jornalismo digital

Pense sobre as seguintes questões: Israel-Palestina, a crise na Ucrânia que persiste, a guerra civil em curso na Síria, doenças infecciosas, como ebola e malária, a violência dos cartéis de drogas no México. O que você sabe sobre como estes conflitos começaram e como estão agora?

Se você não consegue responder a qualquer uma dessas perguntas plenamente, não está sozinho. Quando as manchetes sobre esses grandes eventos mundiais desaparecem, é difícil seguir os tremores secundários.

Coda Story, uma startup sem fins lucrativos, veio para mudar isso. O plano da Coda é simples: Recrutar uma equipe de jornalistas para informar sobre uma crise em curso e deixá-los ficar na questão por até um ano. Durante todo o processo de elaboração de reportagens, Coda vai publicar as matérias na sua plataforma online desenvolvida especificamente para seguir crises em andamento.

"Nosso slogan é: 'Mantenha-se na história'", explicou a cofundadora da Coda Natalia Antelava. "Isto é o que nós pensamos que realmente falta no jornalismo de hoje: dar seguimento. Este é um nicho que queremos preencher e queremos fazê-lo em um nível mais global."

Coda começou uma campanha de crowdfunding para seu projeto piloto, lançado em 18 de janeiro, examinando o passado, presente e futuro dos direitos LGBT na antiga União Soviética. A organização sem fins lucrativos alistou cerca de nove jornalistas freelance e eles estão reportando na região durante os últimos meses. Seus artigos, vídeos e matérais de áudio serão publicados na Eurasia.net além da plataforma Coda.

Além dos US$23.099 angariados através de crowdfunding, o programa piloto da Coda é financiado pela concessão de uma fundação que só vai durar três meses, em vez de o objetivo da Coda de um ano. A equipe Coda, que é formada por jornalistas veteranos, passou uma grande parte do tempo imaginando o projeto, mas Antelava disse que o programa piloto mais curto lhes permitirá testar completamente suas ideias.

Coda chamou a atenção dos jornalistas da indústria primeiro em 2014, quando venceu a competição de melhores startups de notícias na conferência anual da Rede de Editores Globais. Usando a Ucrânia como um estudo de caso, a equipe Coda incentivou outras pessoas a pensar sobre o que vai acontecer com o país depois que os holofotes da mídia mudarem de lá.

Coda trabalhou com Method, um estúdio de design colaborativo, para desenvolver uma plataforma web de um só tema para mostrar "currents" (correntes), que agrupam histórias, eventos e mídia em temas. "Currents" permitem que os jornalistas cobrindo uma história mostrem aos leitores como linhas comuns evoluem de uma forma linear interativa.

A espinha da organização se baseia em métodos de reportagem tradicional, mas o corpo é experimental. O que os leitores vão ver uma vez que a história é publicada parece diferente do que um jornal, transmissão ou artigo online.

"Na minha opinião, acho que o maior motivo de não podermos ficar numa história é porque as plataformas que conhecemos não são realmente concebidas para fazer isso", disse Antelava. "Você lê um jornal e joga fora; assiste a uma matéria de televisão e ela desaparece. O formato é descartável, o que significa que cada vez que repórteres contam uma história é a partir do zero. Não podemos assumir que alguém tenha lido a parte um ou a parte dois."

A internet mudou isso. Como formato, a web é fácil de moldar. Embora haja muita experimentação acontecendo com plataformas de contar histórias online, Antelava disse que não viu nada totalmente reinventado. Com Coda, ela planeja parar de tratar a "internet como um lugar onde você pode continuar fazendo atualizações sem fim", e "fazer conexões entre histórias e usar o conteúdo de uma maneira melhor."

No futuro, a startup planeja ter diferentes "Codas" para crises individuais. O piloto, Coda #LGBTcrisis, terá sua própria página onde os leitores podem explorar o problema profundamente enraizado na Rússia e mais além. Informações sobre outros tópicos, como a crise de refugiados, vai se tornar sua própria Coda. Cada empreendimento terá um conjunto individualizado de jornalistas, pois a organização vai utilizar jornalistas locais de acordo com a região.

Antelava disse que a mídia muitas vezes envia correspondentes estrangeiros que podem não estar familiarizados com um país, sua história e seu povo.

"Eu fui enviada para lugares onde nunca fui antes e me meti na frente de uma câmera e tive que falar sobre a notícia - e falei", disse, Antelava, que passou boa parte de sua carreira com a BBC. "Mas eu achava muito superficial essa pequena dose de notícias de última hora."

"O mainstream faz isso muito bem. O que [Coda] quer fazer é preencher onde eles não fazem tão bem: o contexto, o fundo, a cor, a sensação. Queremos que os nossos telespectadores sejam realmente capazes de se relacionar e cheirar os lugares onde vamos. E isso você só pode fazer se está empenhado em [cobrir] um lugar."

Mas em um mundo onde as redações tiveram de cortar o financiamento de reportagem investigativa de longo prazo, Coda ainda tem um longo caminho pela frente. Como uma organização sem fins lucrativos, não pode voltar-se para os capitalistas de risco, como outras startups de mídia, e fazer crowdfunding cada Coda seria oneroso. Antelava e seus parceiros Coda estão tentando construir uma organização sustentável, disse ela, e estão experimentando para ver o que vai ficar. Enquanto continuam a buscar financiamento por meio de doações, estão brincando com outras ideias, por exemplo, o potencial de licenciamento de produtos da plataforma criados com o Method e realizando conferências.

Todas imagens cortesia da Coda Story e Method