Como cobrir Cuba sem cair em clichês

porJulie Schwietert Collazo
May 12, 2015 em Temas especializados

Assim que os presidentes Obama e Castro anunciaram mudanças de política externa, a cobertura de Cuba começou a ganhar destaque na mídia americana. E logo em seguida, o jornalista Conner Gorry de Havana e eu começamos a reclamar, no Facebook, sobre a má qualidade de grande parte da cobertura.

Conner e eu cobrimos Cuba há mais de uma década e faz tempo que queremos ver uma cobertura variada e maior nos Estados Unidos. Mas tornou-se evidente que os 50 anos de relações difíceis teve um impacto indelével no jornalismo. Faltam artigos históricos, culturais e sociais, falta o contexto e continua uma terminologia ultrapassada ​​cheia de clichês. De fato, a diferença entre o que queríamos ver e o que estávamos vendo era grande.

Nossos amigos nos disseram para parar de reclamar e, em vez disso, ensinar o que nós achamos que os jornalistas precisavam saber. Nós fizemos exatamente isso no dia 1º de maio, durante um workshop intitulado "Como relatar sobre Cuba (com responsabilidade)", promovido pelo Centro para Estudos Cubanos e hospedado pela Faculdade de Jornalismo da Universidade da Cidade de Nova York. Cerca de 20 jornalistas e estudantes participaram do workshop de um dia. Estava claro que havia um profundo interesse no assunto, com perguntas e conversação contínua de uma hora além do tempo final programado.

Queríamos continuar essa conversa e por isso estamos compartilhando as cinco dicas mais importantes aqui:

Faça um curso intensivo de história cubana

Como Sandra Levinson, diretora do Centro para Estudos Cubanos, observou durante o workshop, o jornalismo sobre Cuba tende a ser informado pela interpretação da história cubana que um jornalista aceitou como fato. Muitas vezes, porém, os jornalistas não têm uma compreensão objetiva baseada em fatos dos destaques da história cubana, especialmente sobre os anos antes e depois da Revolução Cubana.

Para os jornalistas reportando sobre Cuba, preencher esses espaços em branco é crucial. Um texto fundamental que eu achei útil ao longo dos anos é The Cuba Reader, uma antologia publicada pela Duke University Press. Inclui textos essenciais por cubanos, assim como autores estrangeiros, e é extremamente amplo nos ambos temporal e tópico.

Evite clichês

Dê uma olhada em quase qualquer artigo sobre Cuba e verá o mesmo elenco recorrente de clichês: "congelado no tempo"; o uso de "ditador" e "regime"; "Ilha proibida"; e "Cuba está finalmente abrindo." Nenhuma dessas frases são precisas e todas são preguiçosas. Esforce-se para descrever a ilha e seu povo de outras maneiras e sua reportagem vai se diferenciar.

Vá além Havana

A maioria das reportagens que nos chega de Cuba foca em Havana, a capital. Como é o caso em outros lugares, uma cidade grande e importante nunca deve ser a representante do resto do país. Além disso, há milhares de histórias à espera para serem contadas nas províncias de Cuba e muito menos concorrência para contar.

Colabore com jornalistas locais

Juntar-se a um jornalista ou blogueiro local pode ser uma estratégia valiosa para contar histórias melhores e mais profundas sobre Cuba. Você vai aprender sobre temas e fontes que seriam inacessíveis para você e vai estar ciente de preconceitos e suposições que poderiam passar despercebidos. Consulte a nossa lista de blogueiros cubanos, todos os jornalistas formados, para ter ideias sobre como fazer contatos locais.

Tente exercer influência sobre as imagens

Os clichés de Cuba não estão limitados a texto; alguns dos estereótipos mais persistentes são aqueles encontrados em fotografias de Cuba publicadas na mídia americana. Cuba é mais do que carros velhos e moradores fumando com um pendurado na charuto olhando para o mar. Embora jornalistas nem sempre tenham controle sobre as imagens que aparecem em seus artigos, vale a pena incluir sugestões de foto e ilustração para acompanhar seu texto. Mais uma vez, os fotógrafos locais podem ser um recurso valioso, com uma vasta gama de imagens que podem estar disponíveis das fontes usuais, como agências de fotos. Confira alguns destes fotógrafos e agências locais: Cuba Absolutely PhotographyCuba-Photo, Sven Creutzmann, Michael Dweck, Lisette Poole e Robin Thom.

Imagem de Schwietert Callazo (esquerda) falando com um musicologista em sua casa em Havana, por Brayan Collazo e usada com permissão