Como a AJ+ cobriu os protestos de Ferguson usando apenas dispositivo móvel

porJessica Weiss
Dec 17, 2014 em Jornalismo móvel

Os dias de arrastar equipamentos pesados de vídeos e eletrônicos para eventos de notícias estão chegando ao fim? A AJ+, um novo canal de notícias digitais da Al Jazeera, cobriu alguns dos maiores eventos de notícias do ano nos Estados Unidos com pouco mais que um iPhone.

Shadi Rahimi, vice-produtora de engajamento do canal, fez reportagem de rua, em Ferguson, Missouri, cobrindo a resposta à decisão do grande júri em não acusar o policial Darren Wilson. Durante um período de dois meses, ela e a produtora sênior Brooke Minters viajaram três vezes para Ferguson, produzindo inúmeras matérias de notícias inteiramente no celular.

"Ativistas e profissionais de mídia muitas vezes vêm até nós perguntar sobre o nosso equipamento", disse Rahimi à IJNet. "Todos ficaram surpresos ao saber que estávamos produzindo o nosso conteúdo com iPhones."

A equipe também usou aparelhos semelhantes para produzir pacotes de notícias, mini-documentários e notícias de última hora na mídia social durante os eventos da Marcha do Clima e o protesto "Flood Wall Street", em Nova York, assim como em protestos recentes em Oakland e Berkeley, Califórnia.

A IJNet conversou recentemente com Rahimi sobre a experiência.

Você pode nos dizer sobre o kit móvel que você usou no Ferguson e seu custo?

O equipamento custa centenas de dólares, menos o custo de um iPhone 5. O nosso kit é composto por um monopé Manfrotto (US$199 ou menos), um pequeno microfone longo Rode VideoMic (US$169), um microfone com fio Audio Technica para entrevistas (US$50), uma luz iKan LED para filmar de noite (US$115) e base de metal para o iPhone que monta o Rode e a luz e se contecta ao monopé. Nós também usamos um adaptador de lente grande angular para iPhone (US$70).

Qual é a vantagem de usar uma plataforma móvel em um protesto?

O tamanho e peso de uma plataforma iPhone significam que você pode se mover com agilidade e capturar imagens por cima mais de multidões, alargando o monopé sobre as cabeças. Nós editamos diretamente em nossos telefones, cortando o vídeo, quando o tempo permite, e enviando o nosso filme imediatamente de volta para o escritório usando o serviço Slack de mensagens em tempo real. Isto faz a AJ+ se sobressair em comparação a muitas outras organizações de notícias na rua na Marcha do Clima e em Ferguson. Ativistas foram vistos fazendo transmissões ao vivo (o que também fizemos), e outros jornalistas tuitaram fotos e clips do Vine, mas fomos a única organização de notícias no chão enviando clips com entrevista, reações de multidões, confrontos com a polícia, enquanto acontecia. Nosso público cresceu a cada hora.

E quais são alguns dos desafios de usar este equipamento?

Claro que existem limitações para tal filmagem: Seu profundidade de campo e alcance do zoom são muito limitados. Capturar um som limpo e nítido às vezes pode ser um problema. A lente grande-angular muitas vezes embaça na chuva e na neve. Não há casacos de chuva ainda para acomodar tais dispositivos, de modo que, às vezes, usamos um saco de lixo. Mas os benefícios superam essas questões.

A AJ + vai continuar usando plataformas móveis?

Eu sou da opinião que é muito mais importante obter notícias cruas rapidamente do que ficar impedido pela preocupação com a qualidade ao reportar notícias de última hora. Apesar de serem vitais todas as diferentes formas de contar histórias a nossa disposição, eu ainda acredito que esta nova geração de consumidores de mídia - a geração do milênio que predomina nossa audiência de mídia social - confia mais no que vê na transmissão ao vivo e vídeo bruto do que matérias com roteirso. Alguns dos meus colegas e eu, incluindo Japhet Weeks, que filmaram para AJ + da rua, em Nova York, temos a visão de preparar uma nova geração de coletores de notícias: Um "exército móvel" da AJ+.

Foto de Minters (esquerda) e Rahimi (direita) - cortesia da AJ+