Coalizão de mídia pretende aumentar segurança de jornalista freelance

porElyssa Pachico
Jun 28, 2016 em Segurança do jornalista

Uma iniciativa internacional destinada a promover a segurança para o jornalista freelance planeja expandir seu alcance com um novo site e uma campanha para fazer com que editores e repórteres falem francamente sobre como se manter protegidos.

A Aliança Cultura de Segurança (ACOS, em inglês) lançou o website no início de junho, onde freelancers podem encontrar recursos como uma compilação de organizações globais que oferecem treinamento e apoio, além de uma lista de verificação sugerida para editores e freelancers revisarem antes de missões perigosas.

A iniciativa ACOS destina-se a pressionar freelancers e organizações de notícias para a adoção de melhores normas de segurança em reportagens em áreas de alto risco. A aliança é composta por uma variedade de organizações de notícias internacionais, incluindo a Reuters, BBC e CNN, que endossaram um conjunto de princípios de segurança (também disponível em espanhol, árabe, russo e persa).

"Em geral, o que estamos ouvindo de freelancers é que isto está fazendo um impacto", disse Emma Beals, uma jornalista freelance que é membro da equipe executiva da ACOS. "Freelancers me disseram que 'tal organização de notícia acabou de me pedir para exonerar toda a responsabilidade do meu bem-estar no presente contrato'. Então você pode falar sobre a ACOS e dizer, 'bem, há um movimento dentro da indústria para ser mais responsável'."

A coalizão ACOS foi galvanizada em parte por causa das mortes dos jornalistas freelance Steven Sotloff e James Foley na Síria, em 2014, que Emma descreveu como "um alerta a toda a indústria."

"Editores sêniores de organizações de notícias muito grandes ficaram profundamente abalados pelos assassinatos de James e Steven, e por isso, quando desenvolvemos a ideia dos princípios de segurança, esses editores foram receptivos", disse David Rohde, um jornalista de investigação da Reuters que ajudou construir a coalizão ACOS. "Para as organizações de notícias, estas tragédias são de cortar o coração em um nível pessoal, mas são cada vez mais comuns. Quase todas as grandes organizações de notícias tiveram alguém na prisão, sequestrado ou morto na última década."

O objetivo por trás dos princípios da ACOS é estabelecer normas básicas de segurança que ambas organizações de notícias e freelancers se comprometam a seguir, disse David. Embora possa ser difícil para alguns freelancers insistirem que os editores cubram os custos adicionais de missões perigosas, a ACOS destina-se a aumentar a consciência de que ambos os lados devem ter essa discussão.

"Acho que alguns freelancers têm medo de levantar essas questões difíceis, porque têm receio de que [a discussão] pode significar que não receberão o trabalho", disse David. "Mas eu falei com editores que dizem que ficam impressionados quando freelancers levantam essas questões. Editores estão à procura de jornalistas experientes com bom senso que vão assumir riscos inteligentes para grandes histórias, não riscos imprudentes para pequenas histórias."

Além de compilar recursos sobre segurança para freelancers, a ACOS também está trabalhando na criação de um fundo de seguros para freelancers. Enquanto muitos freelancers internacionais provavelmente compram um plano médico padrão para viagens de reportagem, poucos têm os recursos para comprar um seguro de equipamentos ou sequestro. De acordo com uma pesquisa realizada pela ACOS, a segunda preocupação mais importante citada por freelancers, após o pagamento baixo, é a falta de planos de seguro acessíveis.

A iniciativa espera expandir, convencendo mais organizações de notícias em áreas de alto risco para o jornalismo -- incluindo países como México, Paquistão e Quênia -- a se comprometerem com as normas de segurança estabelecidas nos princípios da ACOS. Além disso, como redações internacionais frequentemente dependem fortemente de moradores locais para ajudar a reportar histórias perigosas, a iniciativa enfatiza que o jornalismo mais seguro também inclua a proteção desses residentes, que podem enfrentar ameaças maiores.

"Se pudermos ter freelancers internacionais pensando mais especificamente sobre as suas práticas, eles se certificarão de que seus colaboradores, motoristas e colegas locais sejam tratados de forma justa", disse Emma. "Eles vão trabalhar duro para o pagamento e direitos dessas pessoas, porque eles mesmos vão se sentir mais empoderados para ter essa conversa."

Explore os recursos de segurança de jornalismo freelance da ACOS aqui ou faça o download da lista de verificação de segurança aqui.

Imagem principal sob licença CC no Wikimedia Commons. Imagem secundária sob licença CC no Flickr via Global Panorama.