Cinco lições de um jornalista chinês sobre a cobertura da Primavera Árabe

porAndy Shuai Liu
Apr 12, 2012 em Diversos

Quando a Primavera Árabe chegou no Egito, a mídia mundial direcionou o foco para a praça de Tahrir. Vincent Weifeng Ni, um jovem repórter da China, testemunhou esse movimento histórico em primeiro mão.

Vincent Ni é ​​correspondente em Washington para o Caixin Media, grupo líder de mídia independente na China. Em fevereiro e novembro de 2011, Ni viajou para o Egito duas vezes para cobrir a Primavera Árabe.

"Eu me sinto sortudo por ter testemunhado tantas mudanças em uma região tão crucial", disse Ni. Em entrevista à IJNet, Ni refletiu sobre a experiência, que enriqueceu seu entendimento da cobertura de conflitos.

Encontre histórias pessoais em um contexto histórico mais amplo

Vincent Ni (VN): As revoluções afetam a vida cotidiana das pessoas comuns. No Egito, as histórias pessoais se destacaram como a maneira de ajudar a capturar a diferença na opinião pública em relação ao movimento entre os protestos de fevereiro e a "segunda revolução" mais tarde. Em fevereiro de 2011, conversei com um manifestante de rua que perdeu seu filho de 13 anos para a ditadura e sentiu a grande alegria da população pela democracia e liberdade; em novembro, um motorista de ônibus compartilhou sua a sua dúvida sobre como a eleição parlamentar iria melhorar a vida de sua grande família, o que representa um declínio no entusiasmo entre muitas pessoas locais.

Vá além do jornalismo de pára-quedas

VN: Quando a revolução egípcia aconteceu, muitos jornalistas foram de "pára-quedas" para um país sobre o qual sabiam pouco. Alguns repórteres se limitavam apenas ao inglês; só conheceram um lado da história. Para evitar ser apenas jornalista um pára-quedas, busquei o apoio de jornalistas com base em Cairo, Abdalla Hassan e Themba Lewis. Você tem que encontrar um guia local que fale com pessoas que dizem o que pensam em suas próprias línguas para entender todo o quadro.

Trabalhe com uma equipe de apoio

VN: Minha cobertura na Primavera Árabe não foi um show de um homem só. Muito do meu trabalho de comunicação não poderia ter sido feito sem o apoio de horas de pesquisa dos meus colegas em nosso escritório de Londres, enquanto eu estava na linha de frente. Trabalho em equipe é muito importante para a alta qualidade da análise de notícias.

Use as mídias sociais para encontrar informações

VN: Ferramentas de mídia social não só ajudaram os ativistas egípcios a organizar movimentos, mas também impulsionaram os meus esforços de engajamento na vida real. Eu encontrei e entrevistei um jovem egípcio no Twitter que mantinha uma página no Facebook para promover seu partido político recém-criado e mobilizar a participação na eleição parlamentar.

De volta à China, os nossos leitores disseram que entenderam mais as revoluções egípcios seguindo a página Weibo do Caixin e meu blog.

Sempre permaneça cético

Apesar da adrenalina no ar, os jornalistas devem permanecem céticos sobre os movimentos sociais e reformas. A imprensa estava muito entusiasmada e otimista sobre a primeira revolução -- eu assisti no meu quarto de hotel no Cairo, vários apresentadores de televisão sorrindo muito. A "segunda revolução" mostrou que o movimento não era uma lua de mel, algo que a mídia deveria ter proativamente discutido durante a primeira revolução.

Na minha opinião, os jornalistas devem ser céticos, reportar estrategicamente e ter o contexto histórico e geopolítico em consideração.

Siga Vincent Ni no Twitter.

Foto: Vincent Weifeng Ni