Cinco jornalistas dão conselhos para guiá-lo no jornalismo no próximo ano

porAshley Nguyen
Dec 26, 2014 em Jornalismo básico

O ano de 2014 foi marcado pela experimentação no mundo do jornalismo. 

Robert Hernandez, professor da Universidade do Sul da Califórnia, começou a explorar o potencial do Yik Yak, uma aplicativo de anonimidade popularizado nos campus universitários.

O escritor Pablo Martín Fernández, professor de mídia digital, registrou experiências de negócios de sucesso como redações explorando conteúdo de marca e crowdfunding.

E Pattie Reaves, coordenadora de experiência de usuário e comunidade do Bangor Daily News (BDN) em Maine, nos EUA, constatou que o mundo do jornalismo finalmente descobriu como criar ferramentas valiosas para os leitores.

Apesar dos progressos realizados ao longo do ano passado, ainda há muito para se fazer no jornalismo. A IJNet quis saber o que profissionais no jornalismo acharam sobre 2014 e como podemos continuar a avançar. 

Friedrich Lindenberg, bolsista do Knight International Journalism Fellowship

Como a tecnologia cívica e o jornalismo se entrelaçaram este ano?

Durante a maior parte de sua carreira, Lindenberg trabalhou como uma ponte entre a comunidade de jornalismo e a tecnologia cívica. Mas em 2014, Lindenberg viu os dois mundos se convergindo.

"Eu acho que as duas comunidades realmente começaram a trabalhar juntas este ano, e ambas se acostumaram com o fato de que estão fazendo muitas das mesmas coisas -- às vezes com uma abordagem diferente", Lindenberg, que está desenvolvendo recursos de dados e instrumentos de investigação como bolsista Knight do ICFJ, escreveu em um e-mail. "Distinguir as muitas ferramentas de código aberto desenvolvidas por ambas as comunidades tornou-se impossível."

Os jornalistas também estão percebendo que "precisam da ajuda de outros geeks", disse Lindenberg.

Mas os jornalistas ainda têm muito a aprender com a tecnologia cívica em 2015. Lindenberg citou uma habilidade que jornalistas devem continuar a trabalhar: a mentalidade de design de serviço.

"Falar sobre contar histórias no jornalismo é confortante e fácil, embora seja muito mais difícil de imaginar como o jornalismo pode combinar com sucesso narrativas e serviços. Precisamos fazer produtos orientados por dados que informam os leitores sobre o que está acontecendo na sociedade, mas também proporcionam valor de uso imediato a eles como pessoas."

Robert Hernandez, professor associado da Universidade do Sul da Califórnia

Existe uma ferramenta que devemos deixar para trás ou continuar a explorar?

Para melhor ou pior, o uso de aplicativos "anônimos" está crescendo, e há mais e mais exemplos de notícias de última hora aparecendo lá antes de qualquer outro lugar, incluindo no Twitter.

"Yik Yak está estourando para estudantes de graduação da faculdade," disse Hernandez, professor associado da USC, conhecido por sua aula sobre Google Glass. Apesar de ser um app anônimo, os usuários podem entrar em qualquer área geográfica e ver o que as pessoas que usam Yik Yak estão falando.

"Eu vi isso e pensei, se isso tem alta confiança e participação do usuário, então a tendência é que  quando uma notícia acontecer, alguém vai falar sobre ela lá", concluiu Hernandez.

Houve um apagão perto do campus da USC, e as pessoas recorreram ao Yik Yak para descobrir a causa. Era apenas uma linha de energia que foi derrubada, mas os alunos foram imediatamente para o Yik Yak vez em do Twitter, Hernandez observou.

Foi o que aconteceu com o Facebook. Tudo começou com as universidades e, em seguida, se espalhou."

Pattie Reaves, coordenadora de experiência do usuário e audiência do Bangor Daily News (BDN) em Maine

O que você aprendeu sobre a experiência do usuário e engajamento público este ano?

Para Reaves e a equipe do BDN, 2014 foi o ano de encontrar o caminho certo para atingir o seu público.

"Com a nossa reportagem política e de negócios, realmente nos esforçamos para falar com as pessoas no nível delas", disse Reaves. "Fizemos mais jornalismo explicador e de formato curto."

No blog político da BDN, os repórteres fizeram um esforço para entregar matérias maiores em pedaços rápidos para que os leitores pudessem facilmente entrar em sintonia com as questões. Normalmente para narrativas políticas complexas, os leitores precisam estar interessados em seguir as reportagens, mas Reaves disse os posts do blog tornaram informações difíceis mais digeríveis.

Pablo Martín Fernández, escritor e professor de mídia digital

Que reflexões você pode fazer sobre o jornalismo de 2014?

Embora as equipes de redação continuarem a encolher em 2014, Fernández se disse otimista sobre o futuro do jornalismo durante o ano que passou. Por quê? Conteúdo de marca e crowdfunding.

"Goste ou não, precisamos de dinheiro para fazer as nossas ideias inovadoras conteúdo se tornarem realidade, e nos últimos 12 meses, começamos a ver a luz no fim do túnel", escreveu Fernández, professor de mídia digital na Universidad de Buenos Aires. "Parece que estamos finalmente começando a decifrar o código da sustentabilidade financeira, mantendo a independência editorial."

Adotar o marketing de conteúdo não veio facilmente para a América Latina, onde ainda existem relações tradicionais entre anunciantes e os departamentos de anúncios do jornal e continuam a ser relativamente rentáveis. Crowdfunding também não foi totalmente utilizado na região. As pessoas não estão acostumadas a pagar por conteúdo, Fernández observou, e muitos não estão acostumados a usar seus cartões de crédito online.

Mas o tamanho das redações latino-americanos também está encolhendo a uma taxa mais lenta do que nos EUA, e Fernández está confiante de que o mundo do jornalismo estará preparado para o que vem a seguir. "É só uma questão de tempo antes de descobrir como fazer com que ambos fluxos de receita funcionem ... [e] nós estaremos prontos quando essa tendência nos atingir", disse ele.

James Breiner, consultor de mídia digital e professor

Quais as tendências em modelos de negócios para a mídia digital que mais se destacaram para você em 2014?

Breiner, professor e consultor de mídia digital, mantém um blog chamado News Entrepreneurs. Em um e-mail para IJNet sobre o que se destacou para ele em 2014, Breiner focou em um tema que conhece bem: modelos de negócios para a mídia digital.

  1. A mudança incrivelmente rápida no consumo móvel de todas as mídias digitais, não apenas a mídia de notícias.
  2. Desde que o Facebook amarrou o seu futuro ao celular, ele emergiu como um grande adversário para o Google como uma porta de entrada para notícias. O Facebook está se tornando a mais importante fonte de tráfego para sites de notícias.
  3.  A explosão da nova mídia digital, e a criatividade em torno do conteúdo, modelos de financiamento e técnicas de marketing.
  4. O rápido crescimento da mídia digital, que está ultrapassando a mídia tradicional, como o New York Times (Vox, Vice, Quartz, First Look e outros).
  5.  A mudança de foco de medição de usuários e page views para medir a capacidade de atenção e envolvimento dos usuários. Ferramentas, como chartbeat e a nova plataforma de anúncios do Facebook, estão tentando fornecer medidas mais precisas de usuários em todas as plataformas. Em outras palavras, os anunciantes estão exigindo melhor prova de que realmente estão conseguindo a atenção dos usuários. 
 
Imagem principal sob licença CC no Flickr via Joe Lanman