Chicas Poderosas FIU desfaz mitos sobre mulheres que trabalham na mídia

porBarbara Corbellini Duarte
May 15, 2016 em Diversidade

Eu sabia que o primeiro evento da Chicas Poderosas na Universidade Internacional da Flórida (FIU, em inglês) ia ser um sucesso no momento em que uma aluna se sentiu à vontade o suficiente para compartilhar uma história pessoal e chorar na frente de cerca de 60 pessoas.

As meninas são frequentemente ensinadas que suas emoções são um sinal de fraqueza. Ao mesmo tempo, a sociedade desencoraja as mulheres a se tornarem líderes, chamando-as de chatas ou mandonas desde muito cedo. As mulheres nem sempre percebem o tanto de pressão que a sociedade lhes impõe até que esses comportamentos já estão enraizados.

Sabíamos que queríamos falar sobre como essas pressões afetam as mulheres no local de trabalho. Nós só não esperávamos que iam se abrir tanto e tão rápido.

Como recém-formadas da FIU, organizamos a agenda da midiatona de três dias pensando nas coisas sobre as quais gostaríamos de falar quando estávamos na faculdade, como negociação do salário, equilíbrio entre trabalho e vida, ser a única mulher em um departamento e ser minoria na redação. Nós também contamos com sessões sobre tecnologia e inovação, incluindo realidade virtual, narração de áudio, construção de um portfólio online e mídias sociais. No terceiro dia, enviamos estudantes para as ruas de Miami para trabalhar em histórias sobre gentrificação.

Ao longo desses três dias, mais de 150 mulheres que participaram da midiatona destruíram mitos e equívocos sobre as mulheres no local de trabalho (e fora dele). Foi bonito de ver.

Aqui estão alguns exemplos:

Mulher não ajuda mulher 

Muitas vezes ouvimos que mulheres e meninas não são amigas de verdade e não gostam de trabalhar umas com as outras. Falam muitas vezes que mulheres são falsas, enquanto os homens são genuínos e honestos. Qualquer garota que cresceu tendo uma melhor amiga sabe que essas não são afirmações verdadeiras, mas a midiatona da Chicas Poderosas FIU comprovou isso desde seu início.

Em nosso primeiro painel, tivemos nomes importantes da mídia que tiraram o tempo de sua agenda e deram conselhos para jovens mulheres só porque queriam.

A âncora da Univision Maria Elena Salinas, a editora-chefe do Sun Sentinel Anne Vasquez, a editora de música da Univision Nuria Net e a professora da FIU Grizelle de los Reyes compartilharam histórias pessoais sobre negociação de salários, promoções e criação de filhos enquanto trabalham em tempo integral. Claro, você vai encontrar mulheres hostis em sua carreira, mas provavelmente vai encontrar o mesmo tanto de homens hostis, afirmaram. A ideia de que as mulheres não querem ajudar umas às outras é antiquado e errado.

Confira alguns de seus melhores conselhos sobre negociação do salário e equilíbrio entre vida profissional:

  • Pergunte quanto outras pessoas recebem de salário.
  • Pergunte quanto outros homens recebem, porque muitas vezes as mulheres ganham menos que os homens.
  • Deixe a pessoa que está tentando contratá-lo dizer o salário primeiro.
  • Nunca aceite a primeira oferta.
  • Peça um aumento.
  • Negocie dias de férias também.

É mais difícil trabalhar com uma chefe mulher

Quando eu estava começando meu trabalho no Sun Sentinel, uma amiga me perguntou como eu me sentia sobre ter uma chefe do sexo feminino. Ela disse que nunca gostou de trabalhar com mulheres. Fiquei surpresa com a pergunta e disse que estava ansiosa em ter mentoras

Infelizmente, essa percepção de que as mulheres são menos capazes de liderar do que os homens ainda existe. Mulheres na liderança são frequentemente chamadas de mandonas e agressivas, para não mencionar outras palavras, enquanto os homens com as mesmas qualidades são vistos como fortes.

Muitas das painelistas tiveram posições de liderança e compartilharam suas experiências e desafios. Se queremos mudar esta percepção, as mulheres que trabalham para outras mulheres precisam apoiar suas líderes e mentoras tanto quanto as editoras e chefes precisam apoiar suas empregadas.

Mulheres não são interessadas em tecnologia

As alunas estavam cheias de perguntas sobre a narrativa de mídia social, design, rádio e realidade virtual. No terceiro dia, saíram com gravadores de áudio, vídeo e câmeras fotográficas para reunir histórias em poucas horas.

Mulheres têm que desistir de suas carreiras para terem filhos 

No processo de contratação, ainda perguntam a algumas mulheres se uma gravidez ficaria no caminho de seu trabalho. Os homens não sofrem com isso.

Na Chicas, tivemos muitos exemplos de mulheres de sucesso que também são mães em tempo integral. A produtora do CBS4 Caridad Hernandez, as repórteres do WLRN Nadege Green e Sammy Mack, as fotógrafas Taimy Alvarez e Susan Stocker do Sun Sentinel e quatro palestrantes no painel sobre salário têm filhos e carreiras brilhantes.

Homens não querem que mulheres sejam bem-sucedidas no ambiente de trabalho

Se queremos fazer mudanças, precisamos de homens para fazer parte desta conversa. Mitch Gelman, pesquisador sênior de mídia e tecnologia no Newseum, veio de Washington para compartilhar seu conhecimento sobre a realidade virtual.  Kent Hernandez e Miguel Costa, designers da rede Fusion, o podcaster Danny Peña, o produtor de vídeo da Fusion Olman Hernandez e o professor da FIU Moses Shumow também participaram.

Imagens cortesia de Barbara Corbellini Duarte e Chicas Poderosas.

Barbara Corbellini Duarte é repórter multimídia no Sun Sentinel do sul da Flórida.