Celular apresenta forte receita e potencial de usuários para empreendedores digitais

porJames Breiner
Mar 31, 2014 em Empreendedorismo de mídia

Leo Prieto é um empresário de mídia digital no Chile cujas 10 comunidades atraem um público de 10 milhões de usuários por mês de todo o mundo de língua espanhola.

No ano passado, sua empresa, a Betazeta, decidiu dar prioridade aos dispositivos móveis e otimizar o design de todos os seus sites para esses dispositivos. Mais de metade de seu tráfego vem de celulares.

"Os telefones celulares estão sempre conosco", Prieto me disse em uma entrevista via Skype de seu escritório em Santiago. "Na rua, em casa, checamos [o celular] a cada dois minutos, uma centena de vezes por dia."

E agora que redes sociais como o Facebook e Twitter estão recebendo até três quartos de seu tráfego de dispositivos móveis, os editores de mídia digital podem ver crescimento do tráfego por meio da otimização para dispositivos móveis. "É um círculo virtuoso com as redes sociais e dispositivos móveis", disse Prieto.

E o dinheiro está seguindo os usuários sociais e móveis. Gastos com publicidade em dispositivos móveis mais do que dobraram em 2013, com a maior parte desse crescimento vindo do Facebook. Os dados apoiam a visão de Prieto sobre a relação simbiótica entre dispositivos móveis e redes sociais e a oportunidade de negócio relacionados.

Marketing de conteúdo

Betazeta terminou 2013 com seu maior tráfego e mês mais rentável, em parte impulsionados pela nova ênfase no celular e social. A empresa tem 30 funcionários e cerca de 400 colaboradores em todo o mundo. Seus setores cobrem tecnologia, esportes, alimentos, gênero e meio ambiente, entre outros temas.

Betazeta gera cerca de 50 por cento de sua receita com publicidade tradicional na Web, 40 por cento a partir de patrocínios e 10 por cento a partir de criação de conteúdo editorial para as marcas usarem em seus próprios sites.

As marcas de repente descobriram o valor dos blogs, Prieto disse, e agora estão clamando por editores experientes e escritores para criar conteúdo para elas.

O conteúdo não é um discurso de vendas diretas, mas mostra informação útil ao público, por exemplo, como obter o máximo dode um fabricante de um smartphone, como amarrar uma criança em um assento de carro corretamente, como reciclar o produto de uma empresa e assim por diante. Prieto vê esta tendência, chamada de "content marketing", como uma oportunidade de crescimento para o seu negócio.

Inovações em saúde

Outro empresário digital de olho no celular é Chris Seper do MedCity News, cujo slogan é: "Qual é a próxima novidade na inovação médica". Um terço dos seus 400 mil visitantes únicos mensais vem de celulares, e "só vemos isso crescer", ele me disse em uma entrevista via Skype de seu escritório em Cleveland. O tráfego móvel do MedCity tem crescido, apesar do fato de que ele não tem um aplicativo móvel sofisticado. Ele simplesmente usa um WordPress plug-in para otimizar o conteúdo para usuários móveis.

Um grupo importante de clientes do MedCity, as empresas farmacêuticas, não consegue por suas mensagens nas pequenas telas dos smartphones. Seus anúncios de medicamentos são obrigados a ter isenções extensivas.

Então Seper está pensando em oferecer um produto diferente apenas para usuários móveis, que oferece algumas "experiências únicas e envolventes", disse ele.

"Estamos constantemente falando sobre o tipo de produtos móveis que vamos criar. Eu não ficaria surpreso se no final deste ano já vendêssemos algumas campanhas de engajamento móvel muito personalizadas aos nossos clientes. Se você tem uma experiência no celular personalizada, o anunciante quase sempre aparece mais ousado e único."

Tecnologia móvel e social conquista a América Latina

Um empresário de mídia no México já está se beneficiando da simbiose sócio-móvel. O blogueiro mexicano Chumel Torres fez um bom negócio de seu programa de sátira política no YouTube. Seu canal no YouTube tem 483 mil assinantes e seus programas atraem mais de 600 mil visitantes semanais. Ele é uma presença constante no Twitter.

Eu mesmo vi a simbiose sócio-móvel. Algumas semanas atrás, postei no YouTube uma entrevista de 13 minutos com Torres sobre como ele lançou seu negócio.

Dos 2.100 visitantes que viram a minha entrevista de vídeo, 58 por cento assistiram em seus dispositivos móveis, a grande maioria em pequenas telas de smartphones, e eles assistiram a uma média de quase 9 minutos cada. O público móvel está acostumado a assistir vídeos em telas pequenas. (O vídeo faz parte deste post sobre Torres no meu blog.)

A Comscore, uma empresa de medição de mídia digital, relata que os latino-americanos gastam o dobro do tempo nas redes sociais da média global.

Dois sites que eu já trabalhei são típicos da tendência móvel: um na Venezuela, que foi um centro de informações durante a crise política recebeu mais de 1 milhão de page views no mês passado, com 54 por cento do seu tráfego vindo de celulares. Um site de futebol da América Central registrou 59 por cento de suas 99 mil visitas no mês passado a partir de dispositivos móveis.

Afaste-se dos banners

Ambos Seper do MedCity News e Prieto da Betazeta estão se afastando da publicidade digital tradicional como fonte principal de receita para os seus negócios. Entre outras razões, o preço que eles podem cobrar continua a cair por causa do software de direcionamento de anúncios cada vez mais sofisticado e da compra de anúncios automáticos. Além disso, titãs da Web como Google, Amazon, Microsoft, Apple e Facebook estão engolindo todo essa publicidade.

No caso de Seper, uma importante fonte de receita é o MedCity events, que reúne inovadores médicos e patrocinadores corporativos, com bilhetes custando até US$1.200 cada. Seu grupo de 10 funcionários e dezenas de colaboradores produz conteúdo para o site, conteúdo editorial de terceiros e faz pesquisa por encomenda.

Prieto está se movendo em direção a criar mais relacionamentos com marcas patrocinadoras em oposição ao negócio altamente cíclico de vender impressões e cliques para os anunciantes digitais.

"O modelo de negócio de publicidade está morto para todo mundo", disse Prieto. "Para a televisão, revistas, rádio, para todos. Nós começamos a abordar as marcas sobre alinhar o nosso público com o público que desejam atingir. Continua a ser uma relação de publicidade, mas um tipo diferente de publicidade."

"Um patrocinador é uma marca que fica com você em um relacionamento de longo prazo e é um parceiro próximo". Ele enfatiza que o parceiro não tem influência sobre o conteúdo editorial, mas pode ter um espaço no site da Betazeta para contar sua própria história.

Assim, a audiência digital está se movendo rapidamente para dispositivos móveis. As mídias sociais estão acelerando a tendência. Anunciantes estão seguindo. O crescimento está acontecendo mais rápido na América Latina. Isto soa como uma oportunidade de negócio?

Este artigo apareceu originalmente no blog News Entrepreneurs e é traduzido e publicado na IJNet com permissão do autor.

James Breiner é consultor em jornalismo online e liderança. Foi co-diretor do Global Business Journalism Program na Universidade Tsinghua e bolsista do programa Knight International Journalism Fellow, tendo lançado e dirigido o Centro de Periodismo Digital na Universidade de Guadalajara. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica e siga-o no Twitter.

_Imagem sob licença CC no Flickr via nokia_fan_