Bolsista americana dá dicas sobre reportagem freelance no exterior

por Claritza Jimenez
Oct 30, 2018 em Jornalismo básico

Após 20 anos como jornalista, Cindy E. Rodriguez queria um novo desafio. Rodriguez encontrou-o ao ganhar uma bolsa em reportagem internacional.

Uma das oito jornalistas que participaram do programa de bolsa em reportagem internacional do Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ), ela foi para Israel.

A bolsa do ICFJ, criada para fornecer a jornalistas de minorias americanas uma oportunidade de cobrir um outro país, está aceitaindo candidaturas para 2012.

No ano passado, Rodriguez trabalhou em uma reportagem por três semanas sobre a luta dos homossexuais judeus ortodoxos -- o judaísmo ortodoxo proíbe a homossexualidade. Sua reportagem e vídeo sobre um rabino ortodoxo que ajuda os homens gays se casarem com as lésbicas foram publicados no Time.com.

Como você identificou esse tópico de reportagem?

Cindy E. Rodriguez: A razão pela qual eu estava interessada nesse tópico remonta à questão geral de como as pessoas são marginalizadas na sociedade e especialmente no contexto da religião. Escrevi minha dissertação de mestrado sobre o assunto e tinha acabado de concluir meu curso na Universidade de Columbia em 2010. Então, esse tópico ainda estava fresco na minha mente e era algo que eu queria me aprofundar um pouco mais.

Como foi fazer uma reportagem no exterior como freelancer?

CR: Eu não tinha um editor para me botar em forma, ou trocar e formar ideias. Então, contei com alguns amigos, mas eles não estavam sendo pagos e não tinham muito tempo. Então foi difícil. Eu não tinha alguém com quem conversar para me ajudar a desenvolver a história.

Qual era o seu plano?

CR: Eu tinha essa fantasia que era o meu plano A e estava indo para lá com força total e tentaria tornar realidade. Mas também sabia que ele poderia não se materializar, então eu tinha que ter um plano B e m plano C. Tinha outras ideias de matérias se a primeira não desse certo; [primeiro] eu estava esperando encontrar judeus ortodoxos gays dispostos a ir na frente das câmeras e falar sobre como era difícil para eles. Mas as pessoas têm tanto medo de sair do armário que no pouco tempo que eu estava lá, não consegui isso, que era o meu plano A. O meu plano B foi a história que eu acabei fazendo. Mas eu tenho duas histórias mais em mim que eu quero fazer; agora é somente uma questão de achar tempo.

Como você abordou os veículos de comunicação para a publicação da sua matéria?

CR: Na verdade eu conhecia alguém que trabalhava para [o Time] regularmente como freelancer e [ele] disse: 'Sim, você pode usar o meu nome.' Mas o editor nem sequer viu o meu e-mail. Quando eu não obtive uma resposta dele, pensei que ele não estava interessado. Eu tentei novamente e o [editor] disse 'Uau. Eu não vi o seu e-mail anterior. Isso parece interessante. Vamos falar sobre isso.' Eu provavelmente enviei 20 propostas de reportagem. Eu tive que pesquisar empresas de mídia e ver se elas tinham feito algo sobre o assunto e ver quem era mais provável de publicar esse tipo de história e descobrir quem abordar. Demorou um pouco. Todos os dias eu acordava e verificava meu e-mail para ver quem tinha respondido. Fiz telefonemas também. Cada dia parecia uma eternidade e pensava: 'Oh, não. E se ninguém quiser publicar isso?'

Conte como ganhou mais experiência em mídia digital.

CR: Eu queria avançar não apenas em termos de tema, mas também como uma jornalista que está abraçando a mídia digital... Tinha feito umas matérias de vídeo, enquanto trabalhava em minha graduação na Universidade de Columbia, mas não era como se eu tivesse sido uma jornalista de vídeo por muitos anos. Isso foi mais complicado, porque não tive b-roll o suficiente... Você precisa de opções quando está editando. Por causa disso, fazer o meu vídeo foi muito complicado. [Há] poucos [sites de notícias] que divulgam esses vídeos... Isso por si só torna mais difícil. O Time.com estava interessado no vídeo e eles olharam para o que eu tinha. Eles disseram que eu tinha ótimas entrevistas, mas precisava de mais b-roll. Então, eu tive que me virar para fazer isso. Mudou o tipo de proposta...

Que conselho daria para jornalistas que buscam de oportunidades reportagem no exterior?

CR: Tenha uma perspectiva clara sobre a história e leia o suficiente para que você possa propor uma história que analise o impacto social e como os americanos estariam interessados ​​no tópico... Seja qual for o seu tema ou ideia de pauta, ele vai mudar. Isso faz parte do negócio. Você vai descobrir quando chegar lá que as coisas são um pouco diferentes ou encontrar algo que é mais interessante; e você vai querer ir em uma direção diferente e isso é bom... É importante contar histórias que não só são notícia, mas ajudam a colocar as coisas em perspectiva, informam as pessoas nos EUA e têm alguma ressonância.