Autor Eric Weiner recomenda a quem quer ser escritor: "Vá em frente e escreva!"

porNurilda Nurlybayeva
Mar 15, 2012 em Diversos

Se você é um jornalista que já passou tempo suficiente cobrindo um determinado tópico a ponto de conhecê-lo profundamente, talvez seja hora de escrever um livro. Ou se você está cansado de escrever sobre o setor imobiliário e tem paixão pelo cultivo de abóboras, também pode querer partir para escrever um livro. Mas como começar?

A IJNet conversou com Eric Weiner, autor do livro 'bestseller' A Geografia da Felicidade e Man Seeks God (ou "Homem Procura Deus") é um ex-correspondente internacional da National Public Radio, baseado em Tóquio, Nova Deli e Jerusalém, que começou sua carreira no New York Times.

IJNet: Será que todo jornalista tem um livro que quer escrever? Como você decidiu que ia escrever seu primeiro livro?

Eric Weiner: Não, não acho que todo jornalista tem uma ideia dentro dele ou dela, mas muitos têm. Acho que nasce de um desejo de escrever mais profundamente --e muitas vezes mais pessoalmente-- que um artigo de 800 palavras ou dois minutos na TV. Eu sabia que queria escrever um livro, mas nunca podia encontrar a ideia de "certa". Então, ao visitar o Cazaquistão, que me veio a ideia. Assim mesmo.

IJNet: Você escreve o que lhe interessa ou o que interessa as pessoas em geral?

EW: Escrevo sobre o que me interessa e confio que outras pessoas vão se interessar também. Acho que é a melhor abordagem. Você precisa ter uma motivação, uma paixão pessoal pelo seu projeto, e essa paixão deve vir de dentro, não de tentar descobrir o que os leitores querem.

IJNet: Um jornalista consegue conciliar a vida profissional com o trabalho de um livro?

EW: Sim. De fato, muitos o fazem. Mas não é fácil. As demandas diárias do jornalismo muitas vezes entram em conflito com o processo mais lento, mais profundo de escrever um livro.

IJNet: A era digital mudou o jornalismo. Como isso afetou a indústria de livros?

EW: Boa pergunta. Quanto tempo você tem? A resposta curta é que a indústria de livros está em um estado de mudança grande, assim como os outros meios de comunicação. A ascensão de e-books, o fechamentp de uma rede de livrarias grande, os hábitos de leitura mudança de pessoas -- todas essas dinâmicas estão afetando a indústria editorial.

Mas --e isto é importante-- o trabalho básico do autor não mudou. Nós ainda escrevemos os nossos livros (eletrônicos ou em papel) da mesma maneira: uma palavra de cada vez. As pessoas adoram uma boa história e sempre adoraram. É por isso que estou confiante de que o livro, em qualquer formato, vai sobreviver.

IJNet: Sobre o que é o seu próximo livro?

EW: Meu próximo livro é sobre a relação entre geografia e genialidade. Estarei tentando descobrir por que alguns lugares têm se mostrado tão propícios a avanços criativos. Irá conter muita história, biografia, viagens e, claro, humor.

IJNet: Você aprendeu lições durante o processo de escrever seus livros que pode compartilhar com outros jornalistas que estão pensando em escrever um livro?

EW: Primeiro de tudo, eu odeio citar o slogan da Nike, mas acho que eles disseram bem: "Just do it!" (em tradução livre, "simplesmente faça!"). Conheci muitos jornalistas que dizem que gostariam de escrever um livro se apenas tivrssem tempo suficiente ou dinheiro suficiente ou a ideia "certa" ou qualquer outra desculpa.

Em última análise, porém, nenhuma dessas razões deve impedi-lo se você tem determinação. Mas esteja avisado: Embora seja maravilhoso estar livre da pressão dos prazos diários, isso também pode ser confuso. Esses prazos dão estrutura na sua vida. Sem eles, você tem que criar sua própria estrutura. Isso não é fácil. Tente definir "mini-prazos" Para mim, por exemplo, isso significa escrever um determinado número de palavras a cada dia. Finalmente, eu diria o seguinte: divirta-se. Escrever um livro não precisa ser uma tortura --pelo menos não o tempo todo. Se você se aproxima do projeto com uma sensação de alegria e capricho mesmo, então isso vai aparecer nas páginas e os leitores vão sentir.

Foto: Eric Weiner, direitos autorais: Chuck Berman.