Aplicativo FireChat impulsiona comunicação offline durante Revolução dos Guarda-Chuvas

porLaure Nouraout
Oct 16, 2014 em Diversos

Enquanto os guarda-chuvas se abriam nas ruas de Hong Kong, um aplicativo foi massivamente baixado pelo manifestantes: FireChat. Desenvolvido pelo OpenGarden, permite troca de mensagens sobre um tema público, mesmo sem conexão com a Internet.

Imagine uma mistura entre WhatsApp e Twitter, com a possibilidade de acessá-lo offline se você está no mesmo local que os outros usuários. Nós queríamos saber mais sobre este aplicativo, então conversamos com Micha Benoliel, presidente de OpenGarden, de Hong Kong.

O que é o FireChat?

FireChat é um aplicativo de mensagens que permite comunicação, mesmo quando você não tem acesso à Internet através de sua conexão de dados de celular ou se não está conectado a WiFi. Quando você está conectado à Internet, pode criar um grande grupo de discussões e transmitir uma grande quantidade de informação a um grande número de pessoas, e quando você não estiver conectado, pode continuar a enviar e receber mensagens através de uma tecnologia chamada "malha de colega por colega" [também conhecida por redes mesh]. O smartphone tem um rádio para conectá-lo a uma torre de celular ou de uma rede Wi-Fi, mas também tem rádios para conectá-lo a outros telefones diretamente. FireChat cria "plataformas de canais 'margarida' e suas mensagens podem fluir de um telefone para outro. A distância é de cerca de 250 pés [cerca de 75 metros]. 

Como as pessoas usam o aplicativo em Hong Kong? 

Você pode ter milhares de pessoas que são notificadas sobre informações práticas. No domingo [5 de outubro de 2014], havia tantas pessoas, as redes celulares móveis estavam todas inacessíveis: ninguém conseguia usar aplicativos de mensagens ou conectar-se à Internet. Mas FireChat estava funcionando: eu fiz screenshots [capturas de telas] do que estava acontecendo no aplicativo, e as pessoas estavam usando-o para explicar onde as ruas estavam bloqueadas, onde as pessoas precisavam de ajuda, que tipo de elementos práticos estavam faltando, água, guarda-chuvas, etc. Se a polícia aparecia, as pessoas podiam informar a outros. Você tem interatividade em tempo real com o aplicativo de bate-papo; que é o que é realmente poderoso. 

Você esperava tanto sucesso? 

Quando lançamos o aplicativo em março de 2014, era um aplicativo demo, e já foi um sucesso. Dez dias após o lançamento, nós eramos o número um em 15 países e no top 10 em 115 países entre os aplicativos de redes sociais. É meio surpreendete o que está acontecendo em Hong Kong: Vimos pessoas usando o aplicativo no mesmo contexto, durante o protesto estudantil em Taiwan, na 'Revolta Girassol' [em março e abril de 2014]. O governo ameaçou fechar a Internet, então os estudantes instalaram o aplicativo para continuar a se comunicar com os manifestantes que estavam dentro e fora do Parlamento. Em Hong Kong, meio milhão de pessoas criaram uma conta FireChat, um número enorme para uma cidade com uma população de 7 milhões de pessoas. Foi uma completa surpresa porque não esperávamos que teria uma proporção tão grande. No domingo, foi 25 vezes maior do que qualquer coisa que já tivemos no passado. Além disso, vimos pessoas de todo o mundo, criando salas de chat para apoiar o que estava acontecendo em Hong Kong. Tivemos um pico de instalações nos Estados Unids, Austrália, Europa e até mesmo na China.

 

Como fica a privacidade dos usuários?

É como outras redes sociais: você pode decidir revelar seu nome real ou pode usar um apelido e permanecer anônimo, se quiser. Tudo é público: tudo o que você disser pode ser visto por qualquer pessoa, e é por isso que é tão poderoso. Você não precisa realmente conhecer as pessoas para transmitir informações. Estamos trabalhando para criar contas verificadas, e aceleramos o trabalho sobre este assunto. Devido aos acontecimentos em Hong Kong, percebemos que muitas pessoas estavam postando um monte de informações, e [com] o feedback que recebemos de alguns dos estudantes, faz sentido que devemos verificar alguns dos usuários que postam um monte de conteúdo para ter certeza de que são uma fonte confiável de informação. 

Você está falando com a indústria da mídia sobre os aplicativos para jornalistas? 

As primeiras pessoas que estamos entrando em contato para obter uma conta verificada são jornalistas. Patrick Boehler, repórter do South China Morning Post, é um deles por exemplo. Além disso, os jornalistas podem observar e participar das conversas. Mas como os estudantes precisam de apoio e informações confiáveis e dado o volume de mensagens nas salas de chat, é importante manter os canais de comunicação abertos. Poderia ser contra-produtivo se muitos jornalistas de todo o mundo de repente fizessem um monte de perguntas. Por isso, certificamos que as primeiras pessoas verificadas realmente se preocupam com Hong Kong.

Este post apareceu originalmente no site da Global Editors Network e é reproduzido na IJNet com permissão. A Global Editors Network é uma comunidade multiplataforma dedicada ao jornalismo sustentável e de alta qualidade, capacitando as redações através de uma variedade de programas desenvolvidos para inspirar, conectar e compartilhar.

Laure Nouraout é coordenadora de mídia social da Global Editors Network. Siga-a Twitter: @LaureNouraout.

Imagem sob licença CC no Flickr via hurtingbombz - imagem secundária cortesia do FireChat do OpenGarden.