Apesar da crise na Espanha, jornal El Pais expande globalmente

por James Breiner
Jul 18, 2012 em Jornalismo básico

A Espanha está passando por uma crise jornalística tão grave como nos Estados Unidos, mas a resposta de um dos seus principais jornais tem sido expandir para novos mercados.

O jornal El Pais, parte do Grupo Prisa, está cortando pessoal na área editorial em sua sede em Madri, mas acaba de anunciar a expansão de sua cobertura do México e América Latina. A seção México terá sua própria página digital e seis novos funcionários com base na Cidade do México. Anteriormente, o jornal também lançou uma página digital para os Estados Unidos. Para os jornalistas na Espanha, que viram 7.000 de seus colegas demitidos nos últimos três anos, a expansão nas Américas foi como um tapa na cara. Mas tem uma cruel lógica comercial.

Ir aonde os leitores estão, globalmente e digitalmente

El Pais está fazendo uma pequena aposta em um mercado global para o jornalismo digital, que vê como muito mais promissor do que o mercado impresso dentro da Espanha.

O mercado de mídia não está se expandindo na Espanha, que tem uma população de 47 milhões e sofre com uma crise econômica profunda. Enquanto isso, El Pais é uma marca confiável e de autoridade no mundo de língua espanhola, que inclui o México, com população de 115 milhões, e os EUA, com 35 milhões de falantes de espanhol.

Além desses dois países existem dezenas de milhões de usuários da Web em potencial em toda a América Latina.

A Web é onde a indústria de mídia vai prosperar no futuro, disse Juan Luis Cebrian, presidente do Grupo Prisa, e um dos fundadores do jornal. Cebrian tem sido criticado por seus próprios jornalistas por prever o fim do jornalismo impresso. Então, não é nenhuma surpresa que o jornal está buscando colocar mais recursos em suas edições digitais e o faz fora da Espanha.

Audácia ou desespero

Prisa tem visto sua receita cair por causa de uma migração de seus leitores e anunciantes para a Internet, bem como por causa crise econômica da Espanha. O grupo editorial perdeu 451 milhões de euros em 2011 e tem vendido seus ativos, mas ainda carrega uma dívida de 3,8 mil milhões de euros.

A diretoria do Grupo Prisa anunciou no dia 29 de junho que não haveria mais reduções de pessoal. Naquele mesmo dia, os funcionários da sua rádio principal, a Cadena Ser, fizeram uma greve de 24 horas em protesto. O Prisa está considerando cortes de 200 funcionários na operação de rádio.

Dada a dimensão de seus desafios financeiros, o lançamento de duas novas edições digitais não terá um impacto significativo sobre seus resultados financeiros a curto prazo.

Assim, esta aposta digital talvez não seja tão corajosa quanto parece à primeira vista. Não há muito risco. Na verdade, pode ser uma tática do Prisa para distrair seus investidores do resto das más notícias, que continuam a piorar.

Esta iniciativa representa um pequeno passo no caminho para um futuro digital e a transformação do jornal de marca espanhola para marca mundial. A questão é se eles agiram com rapidez suficiente para evitar o colapso do negócio. Ou se realmente algo poderia ser feito para impedi-lo.

Este artigo foi publicado originalmente no blog News Entrepreneurs e traduzido ao português para a IJNet com permissão.

James Breiner é um ex-bolsista do programa Knight International Journalism Fellow, tendo lançado e dirigido o Centro de Periodismo Digital na Universidade de Guadalajara. Ele é bilíngue em espanhol e inglês e consultor em jornalismo online e liderança.

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