Ano em revista: 10 acontecimentos em mídia e tecnologia em 2014

porMaite Fernandez
Jan 07 em Diversos

Do vazamento do relatório de inovação do New York Times ao sucesso do podcast Serial, muita coisa aconteceu no no que passou. Aqui estão os 10 maiores destaques segundo a IJNet. 

1- O relatório de inovação do New York Times é vazado. A publicação de um relatório interno de 96 páginas em maio mostrou ao mundo os problemas que o jornal está passando para se adaptar ao digital e móvel.

O relatório detalhou os problemas na estratégia de mídia social do New York Times, como a cultura tradicional da redação se choca com a equipe digital e como o jornal está ameaçado por concorrentes mais enxutos e experientes digitalmente como o BuzzFeed, Circa e Vox.

A equipe que elaborou o relatório recomendou retirar a ênfase na imprensa, criar uma unidade de estratégia de redação e fazer um esforço maior para atrair os melhores talentos digitais.

Somando-se a este cenário de instabilidade, o relatório foi publicado pelo BuzzFeed dois dias depois que o New York Times anunciou a demissão da editora-executiva Jill Abramson, embora sua saída não fosse diretamente relacionada às dificuldades digitais do jornal. 

2- O Washington Post é liderado por Bezos. Mais de um ano depois que o fundador da Amazon, Jeff Bezos, comprou o Washington Post, parece que as coisas vão bem para a organização de notícias. O Post contratou mais de 100 funcionários no ano passado, ganhou dois prêmios Pulitzer e teve o maior tráfego de sua história em julho. E Bezos parece estar pensando em novas fontes de receita: segundo o Business Insider, o jornal planeja licenciar seu content management system (CMS) para jornais locais e regionais.

3- Distribuição de notícias e a opacidade dos algoritmos. Em agosto, enquanto os protestos em Ferguson, no Missouri, dominavam o Twitter, outros perceberam que havia uma realidade muito diferente no Facebook, com vídeos do Desafio do Balde de Gelo, fotos de bebês e anúncios de casamento.

Isso gerou perguntas sobre como os algoritmos escolhem o conteúdo que vemos e portanto a realidade que vivemos. Se plataformas de redes sociais como o Facebook dominam a distribuição de notícias hoje, as pessoas não deveriam saber como funcionam os algoritmos e por que eles escolhem certas coisas em vez de outras?

Isso mostrou como a relação entre as empresas de jornalismo e tecnologia ainda está um pouco tensa, e as tensões surgem quando empresas de tecnologia assumem mais funções que costumavam ser exclusivas da imprensa. Duas boas leituras sobre o tema:  What’s the right relationship between technology companies and journalism?, de Emily Bell, e a resposta de Dave Winer, How to Rebuild Journalism

4- Ser mulher em tecnologia e mídia continua sendo difícil. A demissão de Jill Abramson do New York Times levantou a questão do sexismo e igualdade de gênero na mídia enquanto o #gamergate mostrou como as mulheres na área de tecnologia e mídia online ainda são atacadas diariamente.

Entretanto, uma coisa boa aconteceu em  2014: O Twitter finalmente implementou mudanças para diminuir ataques online.

5- O podcast Serial é viral. Produzido pelo programa This American Life, o Serial cuidadosamente dissecou o processo contra Adnan Syed, condenado a matar sua ex-namorada em Baltimore em 1999, provando que áudio também pode ser viral e dando uma nova esperança à rádio pública em distribuição e captação de recursos. Podcasts ganharam um fôlego novo. Apesar do final da série ter nos deixado debatendo quem matou Hae por dias a fio (você já leu a entrevista de Jay?), os produtores anunciaram que o podcast vai ter uma nova temporada no ano que vem. 

6- Boletins de notícias voltam a ficar na moda. Embora todo mundo pareça reclamar sobre a sobrecarga de e-mails, o ano de 2014 viu a ascensão do boletim por e-mail. Para reduzir o barulho e voltar ao sentimento perdido de personalização, parecia que qualquer um com coração batendo e uma conexão com a Internet teve um boletim informativo em 2014. 

Entre os meus favoritos estão: Today in Tabs, 5 Intriguing Things e Links I would Gchat if we were friends. E é claro, há um boletim sobre podcasts [e o o boletim semanal da IJNet em português].

7- Mobile e social não param e não vão parar. Para muitas organizações de notícias, o tráfego móvel ultrapassou o tráfego de desktop, e a mentalidade "mobile-first" tornou-se o novo mandato. A Copa do Mundo foi o evento mais compartilhado nas redes sociais, mostrando como vivemos eventos em massa como um coletivo nos dias de hoje. 

8- Medindo impacto: a estratégia de cliques dando lugar a tempo gasto no site e engajamento. As organizações de mídia estão tentando descobrir a melhor maneira de medir impacto, mas uma coisa parece certo: estão se preocupando menos com cliques e visualizações de páginas e favorecendo outras métricas de engajamento, como o tempo gasto no site. Upworthy, YouTube, Medium e Chartbeat são alguns exemplos de sites que buscam medir o engajamento do usuário. 

9- Jornalstas experimentam "wearables".  Embora ainda seja uma tecnologia emergente, repórteres estão cada vez mais experimentando com wearables.

Tim Pool, famoso por cobrir eventos ao vivo com um relógio inteligente e Google Glass para o Vice Media, foi contratado recentemente para liderar uma unidade de notícias urgentes na Fusion, um canal de TV com foco na geração do milênio, enquanto o professor Robert Hernandez começou seu primeiro curso de jornalismo usando Glass na USC Annenberg.

E a compra de Oculus Rift por parte do Facebook deixou as pessoas imaginando como a realidade virtual pode ser usada além de vídeo games.

10- Empreendedores de mídia testam o terreno. Nem tudo foi super deprimente para o jornalismo este ano: uma série de novos empreendimentos de mídia foram lançados, enquanto outras empresas de mídia conseguiram se expandir e gerar milhões de dólares.

The Marshall Project, Ebola Deeply, Vox.com e FiveThirtyEight são alguns dos sites que se sobressaíram no ano que passou. Ao mesmo tempo, Vice Media e BuzzFeed expandiram e fizeram mais dinheiro, enquanto a Fusion contratou um time de estrelas digitais. First Look Media, que virou notícia por má gestão e por saídas antecipadas de alguns de seus contratados mais proeminentes, lançou The Intercept, fundado por Glenn Greenwald, e Reported.ly, um projeto de reportagem com base em redes sociais liderado por Andy Carvin.

Em uma nota triste, o site Homicide Watch, que desde 2010 documenta assassinatos em Washington e foi pioneiro de um modelo de reportagem novo, vai fechar.

Imagem principal sob licença CC de dordik no Flickr - imagem secundária: foto de Instagram por Maite Fernandez da primeira página do Washington Post no dia 4 de agosto de 2013